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portugal dos pequeninos

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Uma "ideia" de Forças Armadas

João Gonçalves 11 Ago 14

 

A lenta e metódica dissolução das Forças Armadas - sentidas pelas pessoas e valorizadas pelas elites enquanto elemento indissociável da coesão nacional e não como um mero part-time bem remunerado no estrangeiro - começou com o fim do serviço militar obrigatório. O "25 de Abril", por exemplo, só foi realizável porque existia o SMO. As FA's emanavam da sociedade e eram como que "renovadas", independentemente do quadro permanente, pelas sucessivas incorporações. Para além de o chamado "processo de Bolonha" ter precipitado precocemente muitos jovens na "vida material" (sobretudo no lado negro dela, o desemprego), o não cumprimento do serviço militar obrigatório não os ajudou em nada a uma melhor compreensão e aceitação da realidade. A política, na sua incansável estupidez corporativa transversal, passou a tratar as FA's como mais uma extravagância que é preciso amputar cegamente sem as levar em demasiada conta. A submissão ao poder político democrático, uma imposição constitucional, tem-se sobretudo traduzido num lastro de necedade legislativa no qual cada senhor que se segue na Avenida da Ilha da Madeira pretende deixar a sua "marca", geralmente uma nódoa. Até muito recentemente não ouvíamos militares prestigiados dizerem o que dizem das várias tutelas. Aguiar-Branco não ia certamente destoar de um caminho sem regresso comum ao chamado "arco da governação". Até porque demonstra ter talento político para pouquíssimas coisas. Quando se "candidatou" à liderança do PSD, em 2010, foi uma outra candidatura que lhe providenciou as assinaturas: o homem, aliás, não está ministro por acaso. Nunca tive, nem terei, uma concepção patrioteira destas coisas. Mas deve haver um mínimo de sentido decente de Estado pelo qual também passa uma "ideia" de Forças Armadas. E não há.

2 comentários

De ze luis a 11.08.2014 às 18:15

O SMO implicava um gasto considerável: eu fiz as contas em 1983, quando saí do COM de Mafra para a 1ª recruta em CB e sei o custo do material que me passava pelas mãos para mancebos que o Exército recebia 3xano.


Mas a Tropa formava carácter e ainda incluía uma noção de Pátria hoje diluída ou finda simplesmente. 


Lembro que o Portas é que começou por acabar com o SMO. Não estranha de quem veio. É consequente. O que sobra é o estado de "necedade" a que chegamos, realmente, João.

De npcmarques a 13.08.2014 às 13:36

Faz tempo que os porcos voam. Resta esperar vê-los chegar à Lua. Com sorte, ficam por lá...

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