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portugal dos pequeninos

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O BAÚ DA CULTURA

João Gonçalves 29 Nov 11

O único elogio que devo ter feito ao consulado de Gabriela Canavilhas como ministra da Cultura foi este. Por outro lado, não me cansei de tentar explicar o embuste que constituiu a OPART (uma coisa que juntou o São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado) em boa hora extinta pelo actual Governo. Sucede que o baú da OPART, ao contrário do que eu supunha, ainda não estava bem fechado. Depois de uma excelente escolha na pessoa de João Mota para a direcção artística do D. Maria, o referido baú vai aparentemente fornecer um administrador ao teatro nacional. Esta auditoria do Tribunal de Contas não serviu para nada?

ACABAR COM UMA RIDÍCULA ILUSÃO

João Gonçalves 18 Nov 11

«Em 37 anos não apareceu uma única obra decente de dramaturgia portuguesa. Apareceram romances em grande quantidade, apareceu poesia, apareceram livros de história ou de memórias. Não apareceu uma única peça digna desse nome. Até o Teatro Nacional D. Maria II, na impossibilidade de se ficar eternamente no Frei Luís de Sousa, apresenta geralmente traduções. De resto, não lhe falta só dramaturgia portuguesa. Também lhe falta público. Uma noite no D. Maria é uma noite soturna. Francisco José Viegas cortou o orçamento (um milhão de euros) deste longo equívoco. Foi inteiramente justo. E, quando Diogo Infante resolveu recorrer à intimidação, não hesitou em o demitir. Chegou a altura de acabar com esta ridícula ilusão que em Portugal se chama "teatro".»

Vasco Pulido Valente, Público

UMA BOA ESCOLHA

João Gonçalves 17 Nov 11

O João Mota é um grande nome do teatro português, discreto e competente. Se aceitar, o D. Maria fica bem entregue.

A PORTA DE SAÍDA

João Gonçalves 16 Nov 11

Quando Diogo Infante acedeu à direcção do D. Maria, escrevi aqui que a criatura «deixou o Maria Matos supostamente porque a CML não lhe dava dinheiro. A CML na altura desmentiu e deu a entender que o actor tinha uma "agenda". Tinha, de facto. Era o Teatro Nacional D. Maria. Infante é agora, de direito, o director artístico da vetusta instituição. E concedeu uma entrevista ao Expresso em que, justamente, volta a queixar-se da mesmíssima falta de dinheiro. Dão-lhe um milhão e meio (mais quinhentos mil euros que davam a António Lagarto antes do episódio Fragateiro e não consta que a casa tivesse ido abaixo ou sequer se ouviram suspiros melancólicos como este) mas sobre programação (por que ele é responsável), nada. O Estado, aliás, não lhe paga mais de sete mil euros brutos para vir a público proferir banalidades ou sublimes tiradas sobre o "futuro" do Teatro como quando afirma que pretende "mudar os estofos dos sofás e que o Sr. 1º Ministro vai oferecer uma carpete nova para o Salão Nobre."» Ignoro se Infante chegou a mudar os estofos dos sofás ou se Sócrates - era esse o primeiro-ministro a quem ele aludia - lhe ofereceu uma carpete nova para o Salão Nobre. Sei, no entanto, que Infante voltou ao queixume e que, desta vez, obteve a indicaçao que estava há muito a pedir. A da porta de saída.

O FIM DO MUNDO

João Gonçalves 19 Jul 09


Independentemente da causa a dor é apenas isto :«chaque fois unique, la fin du monde.» (Jacques Derrida). Ou Tracy Letts, em August: Osage County: «acabou o mundo».

AUGUST:OSAGE COUNTY

João Gonçalves 18 Jul 09


Agosto em Osage. Três horas de grande teatro. Um texto soberbo de Tracy Letts (Pulitzer para teatro em 2008) a recordar o melhor Tennessee Williams. Até 2 de Agosto no D. Maria II em Lisboa. Encenação de Fernanda Lapa, cenografia e figurinos de António Lagarto e desenho de luz de Orlando Worm. Com Adriano Luz, Ana Margarida Pereira, Filomena Cautela, Isabel Medina, João Grosso, José Neves, Lia Gama, Luís Lucas, Manuel Coelho, Margarida Marinho, Marina Albuquerque, Mário Jacques, Paula Mora.

UM ARTISTA PORTUGUÊS

João Gonçalves 25 Fev 09


Diogo Infante deixou o Maria Matos supostamente porque a CML não lhe dava dinheiro. A CML na altura desmentiu e deu a entender que o actor tinha uma "agenda". Tinha, de facto. Era o Teatro Nacional D. Maria. Infante é agora, de direito, o director artístico da vetusta instituição. E concedeu uma entrevista ao Expresso em que, justamente, volta a queixar-se da mesmíssima falta de dinheiro. Dão-lhe um milhão e meio (mais quinhentos mil euros que davam a António Lagarto antes do episódio Fragateiro e não consta que a casa tivesse ido abaixo ou sequer se ouviram suspiros melancólicos como este) mas sobre programação (por que ele é responsável), nada. O Estado, aliás, não lhe paga mais de sete mil euros brutos para vir a público proferir banalidades ou sublimes tiradas sobre o "futuro" do Teatro como quando afirma que pretende "mudar os estofos dos sofás e que o Sr. 1º Ministro vai oferecer uma carpete nova para o Salão Nobre." Palavras para quê? Não é um artista português?

TERRA QUEIMADA?

João Gonçalves 1 Nov 08


Ricardo Pais, o director do São João do Porto, "descobriu", quase quatro anos depois, aquilo que até um cego já tinha entendido. Ou seja, que o governo de Sócrates não tem "um projecto cultural para o país". Viu-se, aliás, na altura em que Pires de Lima demitiu António Lagarto do Dona Maria e não me recordo de grandes pronunciamentos do Ricardo acerca do assunto. Todavia, agora não se esqueceu de classificar de "ignóbil" o despacho de Pinto Ribeiro que exonerou o "fnateiro" Fragateiro do teatro de Lisboa. Pais também acusou o PS de "fazer sempre a política que permite ao PSD vir a seguir fazer terra queimada das principais conquistas”. Será mesmo assim? O sr. José Sasportes, quando chegou a ministro da cultura de Guterres em 2000, removeu Ricardo Pais para a secretaria-geral do ministério onde ele era assessor sem nunca ter exercido. E em 2002, pela mão da tal "direita" da "terra queimada", Pais regressou à direcção do teatro onde tem estado tranquilamente até hoje. Parece que agora quer sair porque o dinheiro deixou de fluir como fluía (o OE ainda não foi aprovado e as "entidades públicas empresariais" são um mero eufemismo cujo "alimento" é o mesmo de sempre: o contribuinte e um vago mecenato no caso dos teatros, coisa que o Ricardo sabe de ginjeira) porque as suas "ideias" sobre o acesso à direcção dos teatros nacionais (concurso limitado... a ele, porventura?) não colhem vencimento. O Ricardo é um homem de um enorme talento e de grande ego. Nenhum destes atributos é, por si, mau. O pior é quando o segundo se sobrepõe ao primeiro. Aí Ricardo Pais julga-se insubstituível. Vai ver que não é.

O TEMPO QUE RESTA

João Gonçalves 3 Ago 08


«Barbaridades que se hacen en ese teatro»,«bandidaje». "Deixas" de zarzuela? Não. Consta do despacho de remoção do "professor doutor Carlos Fragateiro", e respectiva administração, do Dona Maria. Mário Vieira de Carvalho e Isabel Pires de Lima ficarão na história do consulado "cultural" de Sócrates como um "exemplo" que jamais deve ser seguido. Se Pinto Ribeiro, no tempo que lhe resta, conseguir "vassourar" os organismos que estão sob a sua tutela, como o fez em relação ao Dona Maria, revela que é, no sentido que Diógenes lhe dava, um homem.

O EMBUSTE - 3 (actualizado)

João Gonçalves 29 Jul 08


Augusto M. Seabra avalia a "temporada Moreira-Dammann" do Teatro Nacional de São Carlos (TNSC). Aqui , aqui e aqui. Chama-lhe, delicadamente, "o disparate anunciado". «O panorama aproxima-se de um desastre generalizado e da maior incúria. Sobre esta próxima temporada paira claramente a sombra do ex-secretário de Estado Mário Vieira de Carvalho, que de resto, em vários textos no “Público” e uma resposta ao actual ministro no “Expresso”, tem dados mostras suficientes de que não se dá por vencido, antes que continua a ser o ideólogo.» Desde sempre fui mais radical. O TNSC tem problemas estruturais por resolver desde que se tornou num "produto" de variadíssimas "experiências" de gestão. A "solução" seguinte limitou-se invariavelmente a juntar a sua própria ineficácia às que herdou. Empresa pública, fundação, instituto, "EPE", OPART ou outra coisa qualquer acumularam erros e vícios, vícios e erros. Em coerência, sempre defendi que, à semelhança do que aconteceu com outros teatros líricos, o TNSC devia encerrar para mudar de "registo". A opção, porém, tem sido a de empurrar as questões de funcionamento com a barriga ou com a marreca- ora Falstaff, ora Rigoletto - ou em varrê-las para debaixo do tapete como num momento cómico de Rossini. O ridículo foi atingido quando um dia o Teatro fechou como "EP" e abriu praticamente no dia seguinte como "fundação" para, dizia-se, celebrar o respectivo "bicentenário". E quando teve uma "direcção artística" a "trabalhar" no Teatro (Ribeiro da Fonte) e outra, a futura, a "preparar" ao mesmo tempo, na Ajuda, uma nova "temporada" (Ferreira de Castro). Estas trapalhadas custaram ao erário público milhares de contos em indemnizações e equivalentes sem que o Teatro tivesse ganho o que quer que fosse com tanta "mudança". Os problemas de que falo, com origem tanto nas "mudanças" como nas "permanências", precedem toda e qualquer temporada e a OPART já devia ter dado por isso e tirado daí consequências. Ou, em alternativa, o ministro tirá-las. Enfim, e como escreve o Augusto, «é mesmo inaceitável esta transformação do São Carlos em teatro alemão de segunda ou terceira ordem (ainda por cima, com os cantores a menos), o que de resto é um quadro restritivo de perspectivas e cosmopolitimo, e antes um outro modo provinciano, no caso “deslocalizado”.» Mais. «Tudo isto demonstra, além de graves incúrias, desde logo do director Christoph Dammann, esta espécie de “domínios privados” em que transformaram as instituições culturais: são as opções de Mário Vieira de Carvalho ou os “contributos” de Fragateiro e Mega Ferreira. E é um disparate anunciado, e o plano inclinado do vazio de perspectivas no São Carlos.»

Adenda: Uma infeliz "herança" do consulado Pires de Lima/Vieira de Carvalho na cultura, Carlos Fragateiro, o director do D. Maria, foi hoje removido por Pinto Ribeiro. Agora é preciso que Pinto Ribeiro "medite" sobre a OPART. Não necessariamente para o mesmo efeito, mas por forma a produzir um efeito.

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