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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Seguro de saúde

João Gonçalves 18 Mar 12

Na sicn observo António José Seguro a "admirar", em directo, as "convicções" do presidente da câmara de Leiria, Raúl Castro. A qual delas é que ele se referia? Às do tempo em que ele presidiu a outra câmara pelo CDS? Às actuais, de edil em Leiria pelo PS? O dr. Seguro - que estimo pessoalmente - passou o fim de semana a falar de saúde. Até o profeta Arnaut foi convocado na qualidade de "pai" do SNS. O que nunca se ouviu ao dr. Seguro foi uma palavra sobre o SNS gerido quase ininterruptamente, durante os últimos quinze anos, pelo PS. Não lhe ocorreu que o SNS não se "salva" com retórica ou com demagogia? Não se lembrou de pedir aos oficiantes presentes um "retrato" do SNS legado pela maioria deles e delas, paizinhos e mãezinhas da coisa? Não sou adepto do abandono do sector da saúde aos famosos "mecanismos de mercado" ou aos interesses rapaces das várias "indústrias" que nele se movem. E duvido que, num país com as nossas características, toda a gente consiga perceber perfeitamente o que é a "livre escolha" para poder "escolher". Sobretudo porque há muita gente que, pura e simplesmente, não tem como ou com que escolher. É por isso que, da banda do Estado, a coisa não pode ser tratada com a leviandade de uma cartilha partidária falsamente ideológica como o dr. Seguro pretendeu fazer durante os oito dias de "branqueamento" dos anos passados de uma dívida acumulada insustentável. O SNS e a sua "saúde" financeira existem para servir as pessoas e não para que alguns, dos partidos a interesses mais ou menos obscuros, se sirvam dele.  

CLARO E SIMPLES

João Gonçalves 26 Jul 11

Leio nos jornais online a primeira intervenção pública de fundo do ministro da Saúde, Paulo Macedo. E aprecio ler qualquer coisa completamente distinta da forma algo profética, ineficaz e demasiado retórica com que tem sido abordado o problema do SNS nos últimos anos. Em primeiro lugar, e porque é preciso «preservar o Serviço Nacional de Saúde», «temos o desafio de estancar e sarar uma dívida actual de cerca de três mil milhões de euros e um défice orçamental de 2010 que se aproxima dos 450 milhões» porque «termos contas sustentáveis na Saúde para garantir o futuro do SNS» é «o principal compromisso que o Governo assume com os portugueses.» Dito de outra forma: «pretende-se que os cidadãos possam usufruir de todas as potencialidades do Sistema de Saúde, indo além do SNS, de maneira que a resposta possa sempre existir e seja a mais adequada às necessidades dos cidadãos.» É esse o caminho a seguir «atentos ao percurso mas indiferentes ao ruído que apenas pretenda perturbar sem contribuir de forma construtiva para as mudanças que inexoravelmente vamos implementar.» Em segundo lugar, haver «disponibilização mensal de informação de gestão sobre o desempenho das Instituições (hospitais, centros de saúde e serviços)» para «construir políticas mais realistas, mais rigorosas, mas menos demagógicas e menos despesistas» é um dado a guardar. Finalmente, «o Ministro da Saúde assume-se como Ministro do Sistema de Saúde e não apenas do SNS. Há excelentes unidades de saúde públicas, em Portugal e excelentes unidades privadas. Vamos, sem quaisquer preconceitos, aproveitar o melhor de cada experiência e colocá-la ao serviço do todo.» Parece-me claro e simples.

FRACASSOS ESPELHADOS

João Gonçalves 22 Jul 09


Abriu, como se fosse um ersatz da Expo 98 - e precisamente por ali - o "campus judiciário" de Lisboa. Teve direito a Sócrates, a Alberto Costa, a Supremo e a PGR. O venerando conselheiro Pinto Monteiro, aliás, não se poupou em elogios escolásticos à obra. Uns quantos juízes, porventura "em protesto", não apareceram. Dizem que a coisa não tem"dignidade". Com a desculpa da mudança, há já algum tempo que alguns dos agentes envolvidos na administração da justiça e na prossecução da acção penal não "apareciam" nos respectivos processos. Ainda por cima vêm aí as férias judiciais. Moral da história. Quer o SNS, quer a Justiça são "áreas" a evitar. Seja no "campo" ou num edifício. Sob a capa da modernidade espelhada, não progredimos no que interessa verdadeiramente às pessoas: saúde e justiça.

A MINISTRA QUE NÃO RASGA

João Gonçalves 12 Jul 09

A direita "intelectual" - Pacheco e Marcelo - babou-se para cima de Ana Jorge por causa da gripe. Ana Jorge não vale politicamente nada e alguém está a preparar, com um módico de bom-senso, as intervenções dela. Já Correia de Campos, até dada altura, tinha merecido a complacência de alguma desta gente. E acabou como acabou. Ana Jorge veio entreter até às eleições e, no que toca à gripe, limita-se a ser uma médica responsável. Daí a um ministro da saúde vai a distância das conveniências. Afinal, não se pode mesmo "rasgar" tudo.

A PEDIATRA E O SNS

João Gonçalves 8 Dez 08

Ana Jorge, a remota ministra da saúde, percebe tanto do défice do seu SNS como eu. Depois do profeta Correia de Campos (consta que era, coitado, um "reformista"), Sócrates colocou esta pediatra na João Crisóstomo praticamente para nada. O seu modesto "caderno de encargos" parece consistir em não levantar "ondas" e presidir a actos simbólicos. Sempre que a interpelam sobre dinheiro, a senhora recua como um passarinho assustado. Manifestamente não foi feita para aquilo.

A MINISTRA DESFOCADA

João Gonçalves 1 Jul 08


Como o homem desfocado de um célebre filme de Woody Allen, Ana Jorge, a ministra da saúde, é uma pessoa desfasada no tempo e no espaço. Jorge teria dado um excelente chefe de gabinete de um militar qualquer que fosse ministro no PREC. Ana Jorge é uma ministra desfocada.

LUXO ASSESSORIAL

João Gonçalves 21 Mai 08

Não, os senhores administradores do INSA- Instituto de Saúde Ricardo Jorge estão redondamente enganados. Este assunto não é "do foro interno". E não é do "foro interno" pela mais trivial das razões. É o Estado, através dos contribuintes, quem paga o funcionamento do Instituto porque espera, como tem acontecido desde sempre, que ele preste um serviço à comunidade. Tudo coisas que, como qualquer cego enxerga, não são do "foro interno". Esta mania de pagar fartamente a assessores "indispensáveis" - material de que os cemitérios estão cheios - já começa a irritar. Recentemente um conhecido meu foi para a direcção do INSA. Chefiou, há uns anos, a "unidade de missão" que pariu os "hospitais empresa". É um homem da economia da saúde, preferencialmente da privada. Não deve, no entanto, ter sido ele quem votou contra a admissão da assessora porque, justamente, a dita "passou" pela "unidade de missão" chefiada pelo agora vogal da direcção do Ricardo Jorge. Estas transumâncias, numa área depauperada como a saúde e num país periférico manifestamente "à rasca", deviam ser proibidas e punidas. Quem as quiser fazer, fique-se pela robusta "sociedade civil" que tanto contesta o Estado mas que, sempre que pode, o suga. Se o INSA não tem dinheiro para a prossecução das suas atribuições, por que raio deve apascentar - e nós por ele - o luxo assessorial? O raio que os parta mais à dra. Ana Jorge que anda a navegar à vista.

PERSONAGEM DE FICÇÃO

João Gonçalves 7 Mai 08

Ana Jorge - uma ministra da saúde com ar de quem saiu de um romance de Alphonse Daudet - foi a uma comissão parlamentar verberar o protocolo estabelecido entre a ADSE e o Hospital da Luz. Segundo a senhora, o investimento que esse protocolo representa devia ter sido "canalizado" para o serviço público de saúde e, por isso, "lamenta-o". A dra. Jorge recorda aqueles velhos militantes da velhíssima esquerda socialista que possuem uma visão meramente retórica da realidade que supõem poder mudar a partir do Estado. Imagina um SNS simultaneamente "abrilista", auto-suficiente e eficiente em condições de concorrer, confiadamente, com outros. É, de facto, uma personagem de ficção.


Adenda: Este post clarificador de Eduardo Pitta. «Os beneficiários da ADSE, para beneficiar dela, pagam. Enquanto a generalidade dos trabalhadores desconta para ter acesso ao Serviço Nacional de Saúde, os funcionários públicos fazem esse desconto e ainda outro para a ADSE. Os aposentados até descontam 14 vezes por ano, uma vez que (no seu caso) o desconto incide igualmente nos subsídios de férias e de Natal. Num país com 700 mil funcionários públicos, acaso passou pela cabeça da ministra o que seria toda essa gente a entupir os hospitais públicos? No dia em que a ADSE deixar de ter acordos com unidades privadas, terão de cessar os respectivos descontos.»

O SNS ABORTIVO NUM PAÍS DE ABORTOS

João Gonçalves 30 Mar 08

«A Ministra da Saúde disse hoje que a cesariana a pedido da grávida não pode ser implementada no SNS. Argumentou que a cesariana é um acto médico que deve ser decidido por médicos. Garantiu que no SNS não há medicina a pedido. Podia ter acrescentado: a pedido só mesmo o aborto.»

João Miranda, in Blasfémias

O ENTERTAINER

João Gonçalves 25 Fev 08


O cirurgião Eduardo Barroso - membro de uma ilustre família burguesa e anti-fascista e que trata por tu, aos beijinhos, amigos de infância como Marcelo - demitiu-se de presidente da Autoridade para os Serviços de Sangue e da Transplantação (ASST). Há dias, a revista Visão revelava quanto é que o famoso cirurgião recebia de prebenda pelos transplantes realizados. Numa entrevista à televisão, deu depois a entender que era preciso "compor" os salários de miséria - dos médicos, naturalmente - pagos no SNS. Os "prémios" pagos destinavam-se, segundo ele, a "compensar" esta indigência que ele atribuía a si próprio e, simpaticamente, aos colegas. Barroso é mais um entertainer do regime ao lado de tantos outros. Tem este talento com as mãos, cozinha, fuma charutos e, condição fundamental para entertainer, gosta de futebol, coisa que comenta, com aquela voz irritante que Deus lhe deu, onde calha. O homem até pode ser uma sumidade daquelas de que os cemitérios estão cheios. Todavia, não sei porquê, não confio nele. É tagarela em demasia para o meu gosto e, sobretudo, para a sua "arte". Fez bem em sair.

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