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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

SUGESTÃO DE TERTÚLIA

João Gonçalves 30 Ago 10


Quando é que a esquerda modernaça - para variar do Gatto Pardo ou dos hotéis da Avenida da Liberdade - organiza uma tertúlia na Quinta da Fonte, a Loures, para celebrar os esplendores do "multiculturalismo"? Convém proteger a jugular com encharpes "griffadas", o cheiro que não suportam com chanel 5, não levar os blackberry e os i-qualquer coisa e evitar saltos altos. Nada de decotes ou vestidos Prada a imitar batas a cinco euros. Em caso de aflição, podem sempre distribuir livrinhos sobre bairros problemáticos, editados pela tinta da china, e aulas de poesia da quetzal entre os tiros e a competente queima de viaturas. No fim, limpem as mãos aos "contratos locais de segurança" do famoso dr. Pereira.

BROKEN WINDOWS?

João Gonçalves 11 Mai 09


Este artigo do director do "i" vem com uns anitos de atraso. Em 1997 e 1998, por razões profissionais ligadas à altura ao controlo da actividade policial, estive em Nova Iorque onde me familiarizei com o "NYPD" e a famosa teoria das "broken windows". Quando cá chegámos, fizemos um briefing aos chefes das nossas polícias - PSP e GNR - na presença do então MAI, o dr. Jorge Coelho. Foi precisamente em Maio de 1998, vai para onze anos. Depois, talvez no Natal de 2000, não me recordo bem, andei de noite a visitar postos e esquadras, respectivamente da GNR e da PSP, na Margem Sul. Um dos postos da GNR metia dó e recomendámos o fecho imediato. E também fomos à Bela Vista. A esquadra era - presumo que não terá mudado muito entretanto - um verdadeiro tugúrio perfeitamente aberto a qualquer um, bem ou mal intencionado. Se repararem nas datas, o governo era, como hoje, socialista. O dr. Coelho saiu, veio o dr. Gomes - que demorou pouco tempo - e Guterres fechou a coisa com Severiano Teixeira. Sócrates começou com um super-ministro da administração interna, António Costa, e vai terminar com Pereira, sem comentários. Quando eu expliquei ao dr. Coelho que o nosso "sistema" era demasiado "garantístico", recordo-me de ele ter elogiado vagamente os EUA porque desconfiava do êxito absoluto da tal teoria das "janelas partidas". De facto, as "broken windows" tornaram a Manhattan de Giuliani mais segura - isto, é a Nova Iorque que vemos nos filmes e que os turistas apreciam, de Times Square ao Central Park, passando pelo metro e pelas estações de comboio - mas "exportaram" muita criminalidade "urbana" para as cercanias, sobretudo para o norte da ilha e para o outro lado do Hudson. Não quero com isto afirmar que as "broken windows" falharam e que representaram uma mera operação de cosmética bem sucedida. Não. Todavia, espero que o director do "i" não esteja a recomendar ao governo que aplique algo que conhece há pelo menos uma década. Com a tendência para a superficialidade propagandística que tem, era de certeza pior a emenda que o soneto. Bela Vista é um caso de polícia? Sem dúvida. Não tenho é a certeza que a autoridade política saiba lidar com ele, não apenas enquanto tal mas igualmente como sintoma de qualquer coisa de mais perverso que o regime construiu à sombra de estafadas boas intenções meramente proclamatórias de carácter "social". E eu não sou nem da esquerda "justicialista", religiosa ou ateia, nem da direita empertigada.


Adenda: Este post do Pedro Magalhães.

REPRISE

João Gonçalves 31 Ago 08

Juro que este post não se destina a agradar aos "camaradas" algarvios. Nem o José Apolinário, que conheci no MASP-1, nem o Gonçalo Couceiro, director regional do ministério da Cultura, precisam de "agrados". Sucede que, por uma vez, não estou de acordo com Vasco Pulido Valente. VPV critica, no Público de hoje, a directa dependência da figura do secretário-geral da segurança interna da figura do primeiro-ministro, por um lado, e o "controlo" que aquela figura vai exercer sobre todas as polícias, por outro. Também é chamado à colação o "chip" que os automóveis terão de exibir como "prova" de que as liberdades já não são o que eram. Nisto tem razão, embora, como lembra no artigo, todo o "ocidente" dito democrático tenha, depois de Setembro de 2001, preferido viver a liberdade em segurança quando não mesmo sacrificar alguma liberdade em prol da segurança. Por cá é tudo infinitamente mais leve e, sobretudo, repetitivo e inconsequente. Sócrates não inventou a roda. Mário Soares, pai da pátria e insuspeito na matéria, quando presidia ao "bloco central" de 83-85, criou o "serviço de informações da República", o "SIRP" - com dois "ramos", um civil e um militar - na sua (ele era então 1º ministro) dependência. Manifestou-se a indignação habitual, agravada pela proximidade do "25 de Abril". Apenas dez anos separavam a data gloriosa desta ignomínia. Soares, o PS e o PSD foram na altura amplamente zurzidos na praça pública e nos jornais por causa deste inopinado "regresso ao fascismo". Todavia, o "fascismo" não regressou. O "sistema", como uma ou outra nuance, serviu até agora sem grandes protestos. E serviu mais cinco chefes de governo, entre os quais dois socialistas e Cavaco. Mais. O mesmo Soares que sustentou politicamente o "sistema" foi eleito presidente da República - e com votos da mesma gente que exigira a sua cabeça em nome do putativo "regresso ao fascismo" que ele promovera através do "SIRP" - cerca de ano e meio depois do episódio. VPV admira-se com o silêncio de um Mário Soares aparentemente feliz com um Sócrates que "não erra". Queria que ele dissesse o quê?

(IN)SEGURANÇA INTERNA

João Gonçalves 26 Ago 08

Fora o PS, o resto do regime manifestou a sua perplexidade acerca das novas leis da segurança interna e da investigação penal. Os juízes até acham que foi violado o princípio da separação de poderes e que o futuro secretário-geral da coisa será um mero delegado político ao serviço da maioria de circunstância. Apesar de tonto, o PS não irá certamente indicar para o cargo um dos seus eternos "disponíveis". Deverá ficar por conta de um magistrado disposto ao "sacrifício", independentemente da magistratura (MP ou judicial) a que pertença. A esquerda - o PS, em particular, porque já leva, entre Guterres e Sócrates, uns bons anos disto, para não falar dos "idos de 80", com Soares, onde foi concebido o "sistema" em vigor na dependência do premier -, com os seus "observatórios", não se dá bem com a segurança interna. Os resquícios ideológicos e os preconceitos "culturais" tolhem-na. E existe uma retórica "apaziguadora" que passa a vida a esbarrar com a realidade. Legislar infinitamente não resolve um átomo dos problemas. Nunca se legislou tanto em matéria de justiça e segurança interna e vejam onde (não) chegámos. Este episódio é apenas mais um capítulo na triste biografia do legislador anónimo. A realidade segue, impiedosa, esta noite.

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