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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Ame-o ou odeie-o

João Gonçalves 20 Mai 13

 

Depois de amanhã comemora-se o bicentenário do nascimento de Richard Wagner. Devia ter para aí dezasseis anos quando vi O Navio Fantasma, o meu primeiro contacto com Wagner. Praticamente a seguir veio O Anel - uma quase impossibilidade intelectual poder abarcar a densidade "global" daquilo tudo até aos vinte e poucos anos - e, na televisão, a produção Boulez/Chereau para Bayreuth em 1976. No São Carlos, no principio desta década, concebeu-se a versão Graham Vick do Anel cuja metade última acabou por ser exibida após a saída de Paolo Pinamonti da direcção artística do Teatro, em 2007. Agora não há dinheiro e, presumivelmente, a coisa talvez fique pela reposição em ecrã grandote daquela versão (já não era mau). De resto, é preciso sair daqui para ver Wagner que é o que pude fazer nos últimos dez anos. Parece entretanto que saiu um livrinho sobre Wagner e os alemães. E que nesse livro o autor escreve que  «Wagner, ou se adora, ou se detesta, tanto pela música como pela própria pessoa», classificando-o como «um ser monstruoso». Acho que era pessoalmente detestável e, na relação com o formoso Luís da Baviera, um oportunista. Mas talvez sem essas características, e sem essas relações (com as mulheres, nomeadamente), alguma da sua obra teria sido inverosímil e destituída da genialidade que a caracteriza. A beatitude, em geral, só produz idiotia e moleza. É-me pois indiferente que Wagner fosse "monstruoso". Sei que sem ele tudo seria mais difícil do que já é.

A VALQUÍRIA, NOSSA CONTEMPORÂNEA

João Gonçalves 21 Mai 11




No Grande Auditório da Gulbenkian passa uma récita de A Valquíria, de Wagner, a primeira jornada da tetralogia do Anel do Nibelungo, transmitida em diferido da ópera de Nova Iorque. A Valquíria é, para abreviar, a mais poderosa metáfora sobre o fracasso pessoal e colectivo, ou seja, aquele que vai da ambição à renúncia. Não podia vir mais a propósito de tudo.

Bryn Terfel, Deborah Voigt, Jonas Kaufmann, Eva Maria Westbroek, Stephanie Blythe, Hans Peter König. 2011. Met. Direcção de James Levine.

GRANDEZA E FRACASSO

João Gonçalves 7 Dez 10


Quem tiver o canal Mezzo ou a Rai Uno - e puder regressar mais cedo a casa -, fica habilitado a assistir mais logo, pelas 16 horas (17 locais), à transmissão em directo do Teatro alla Scala de Milão da 1ª récita da ópera Die Walküre (A Valquíria), de Wagner, a primeira jornada da Tetralogia O Anel do Nibelungo. Trata-se de uma encenação, nova, de Guy Cassiers, sob a direcção musical de Daniel Barenboim. O elenco é praticamente perfeito: Nina Stemme, Waltraud Meier, Vitalij Kowaljow, John Tomlinson, Simon O’Neill. Para quem souber ver, ler e ouvir, A Valquíria é, para abreviar, uma poderosa metáfora sobre o fracasso pessoal e colectivo, ou seja, da ambição à renúncia. Não podia vir mais a propósito.

PETER HOFMANN 1944-2010

João Gonçalves 30 Nov 10



Pude assistir no São Carlos, quando havia São Carlos, à exibição da dupla do clip nesta mesma ópera de Wagner. Hofmann prodigalizava um Siegmund simultaneamente jovem e com um timbre adequado ao papel. O lugar comum é que morrem cedo aqueles que os deuses amam. Wotan amava estes dois irmãos incestuosos e, não obstante, condenou Siegmund à morte em combate. A vida encarregou-se agora do resto. É mesmo uma porcaria.

OURO EM LISBOA

João Gonçalves 16 Out 10



Numa iniciativa inédita - embora, nos anos 80, tivesse exibido o Ring de Boulez/Chéreau em colaboração com o CNC no Auditório 2 - a Fundação Gulbenkian (Grande Auditório) dá hoje início a uma colaboração com o Met de Nova Iorque transmitindo o "Prólogo" do Anel do Nibelungo, de Wagner, Das Rheingold. Trata-se de uma nova produção, encenada por Robert Lepage e dirigida por James Levine. Bryn Terfel estreia-se no papel de Wotan, o dilemático deus tão contemporâneo. O ciclo continua em Maio de 2011 com Die Walküre, a "primeira jornada". Até lá, a Gulbenkian propicia mais dez transmissões directas (esta é a única diferida) a partir do Lincoln Center. Enquanto o São Carlos declina, saúda-se a iniciativa da Gulbenkian num país onde, em matéria de ópera, não se passa nada.

A ADVERTÊNCIA

João Gonçalves 3 Set 10



Wagner: Das Rheingold. Hanna Schwarz. Bayerischen Staatsoper. Wolfgang Sawallisch, 1989.

GRANDEZA

João Gonçalves 28 Jul 10



Jamais se poderia aplicar a Birgit Nilsson aquilo que a escritora Mary McCarthy disse a propósito de um scholar seu conhecido e que assenta perfeitamente em dezenas de pessoas que conhecemos. «Na realidade não o consigo imaginar como sendo má pessoa excepto naquele sentido em que dizemos que um adolescente é má pessoa, isto é, alguém que é dado a mentiras, a evasivas, a fantasias, à ambição - em suma, alguém de plástico, sem forma.»

«UM HERÓI MAIS LIVRE QUE EU, O DEUS»

João Gonçalves 23 Jun 10



Para "celebrar" a mudança no design deste blogue, o "Vorspiel" e o princípio do 2º acto de A Valquíria, de Wagner, que recentemente vi na Ópera da Bastilha. No clip aparecem Bryn Terfel (Wotan), Lisa Gasteen (Brünnhilde), a orquestra é da Royal Opera House, de Londres, e o maestro é Antonio Pappano (num soberbo momento orquestral digno dos grandes maestros de Wagner). A gravação data de 2005. A Valquíria, a ópera nuclear do "ciclo do Anel", aparentemente possui uma "moral" simples que parafraseio livremente a partir de Hölderlin. Aos mortais, bem como aos deuses, nada é dado de graça.

WOTAN/PESSOA

João Gonçalves 13 Jun 10


"Viveu" sempre e só nesse abismo que era a prosa dos seus versos e os versos da sua prosa. Como um Wotan privado de amor (porque a ele renuncia) e da capacidade de amar até ao fim, simultaneamente o mais humano dos deuses e o mais cruel dos homens. De uma carta sua a Francisco Cabral Metello, datada de 31 de Agosto de 1923. «Espero que a paisagem com que v. presentemente conversa lhe arranje um diálogo que o entretenha. Nem sempre acontece, não é verdade? Há árvores, pedras, flores, rios que são tão estúpidos que parecem gente.»

WOLFGANG WAGNER (1919-2010)

João Gonçalves 27 Mar 10



Era o neto sobrevivo de Wagner e bisneto de Liszt. Dirigiu anos a fio o Festival de Bayreuth. Foi no seu consulado que Chéreau e Boulez apresentaram a versão "inspiradora" de todas as que se lhe seguiram, no mundo, de O Anel do Nibelungo. O pai gostava de homens e a mãe foi tida por amante de Hitler quando, na verdade, era a "mão de ferro" que aguentou Bayreuth depois da guerra. Os alemães nem parecem europeus. Destes patetas de Bruxelas e do "pec". Sorte a deles.

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