Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

É MESMO ASSIM

João Gonçalves 15 Fev 11


Algumas reverências da "direita" viram há tempos em Luís Amado uma "hipótese" para o lugar de Sócrates. Amado, cuja perspicácia política é praticamente nula, levou-as a sério e, pior do que isso, levou-se a si próprio a sério. Cada frase sua era vista como um oráculo (o que diz tudo acerca das elites políticas caseiras) e, sobretudo, como um putativo ataque a Sócrates. Como lhe competia, Sócrates não permitiu que o sapateiro fosse além da chinela. E Amado ficará para a pequena história como um esquecível MNE, mero burocrata executante de mandatos superiores. Ora o nosso Amado esteve presente num Conselho de MNE's da União Europeia no qual foi apresentada uma moção de condenação às perseguições religiosas. Os representantes dos vinte e sete estados-membros apenas "mantiveram uma troca de pontos de vista sobre a liberdade de religião e de crença porque cinco países membros, entre os quais Portugal, vetaram a moção. Há matérias acerca das quais a correcção política deixa de o ser para passar a alarvidade política. Levar a laicidade ao extremo de "igualizar" coisas que não são, de todo e historicamente, equivalentes, limitando a liberdade religiosa por omissão, fica mal a qualquer pessoa de bem. Mas a um pusilânime não fica nem bem nem mal. É mesmo assim.

FASCISMO CONTEMPORÂNEO

João Gonçalves 10 Nov 10


A liberdade religiosa está cada vez mais ameaçada na Espanha do senhor Zapatero, pífio epígono da "república das bananas" que deu azo à sangrenta guerra civil tão bem descrita no livro indispensável de Hugh Thomas. Agora é a Igreja do Vale dos Caídos. Desde o dia 3 de Novembro, os monges beneditinos e os paroquianos são obrigados a celebrar missa num pinhal fora do complexo. O vice-presidente do sr. Zapatero, um tal Rubalcaba, enviou a Guardia Civil para impedir o acesso à basílica. Não dá para ir até lá dar uns beijinhos na boca, como em Barcelona?

TENHAM PACIÊNCIA

João Gonçalves 30 Nov 09


Uma das coisas mais fascinantes de Istambul - Istambul, toda, é uma das cidades mais fascinantes do mundo - é a profusão de mesquitas. E onde há mesquitas, há chamamento para as orações. O cruzamento desses sons é outra das coisas fascinantes de Istambul. Isto serve para dizer que aprecio mesquitas. É um lugar de culto como outro qualquer e que me merece todo o respeito. O mesmo que me suscita o resultado de uma consulta popular, vulgo referendo. Os suiços decidiram-se pela suficiência dos minaretes construídos nas suas mesquitas. Não querem mais. Por consequência, levantou-se imediatamente o coro internacional dos padroeiros da correcção política para atacar a decisão suiça. O argumentário é conhecido.Todavia, se existe país que dispensa lições destes curandeiros é a Suiça. Esta gente, no fundo, só suporta a democracia de que se reclama dona quando a democracia "vota" a seu favor. Tenham paciência.

O FREI E O ESTALINISTA

João Gonçalves 25 Out 09

O inevitável e inimitável frei Bento Domingues, no seu artiguinho semanal, defende, a propósito de Saramago, um "confronto na afabilidade" e cita um autor para defender o estafado diálogo entre crentes e não-crentes. O nosso frei é um multiculturalista que usa, por acaso, uma veste sacerdotal. Saramago é um falso multicuralista escondido, sem ser por acaso, numas vestes estalinistas. Quer dialogar com isto?

PAR DÉLICATESSE

João Gonçalves 11 Mai 09


Quando um tipo qualquer falou em massacre perpetrado por Israel na Faixa de Gaza, Ratzinger abandonou uma reunião com líderes religiosos cristãos, judeus e muçulmanos que decorria na Terra Santa. Nem já o Papa resiste a um gesto politicamente correcto para não desagradar àquela boa rapaziada do costume a qual, como sabemos, é muito propensa a "diálogos". Par délicatesse, naturalmente.

O "BIZARRO PAVOR DA DÚVIDA"

João Gonçalves 4 Fev 09

Esta corajosa jornalista - sempre do lado certo da história e das coisas - vai ornamentar o novo canal cabo da TVI. Já agora, podiam levar com ela (mesmo sem ser de autocarro) o outro blogger que ela cita, um rapaz igualmente "certinho", daqueles que a esquerda tem para a troca com equivalentes da direita. Fala ela no "bizarro pavor da dúvida", tudo a propósito de uma palhaçada ligada a um "autocarro ateu" que aparentemente anda a passear por aí. Pena é que o mesmo alvoroçado sentimento não tivesse tomado conta dela quando, há dias, foi buscar Zola e Dreyfus por causa da "campanha negra" e dos "poderes ocultos" (se calhar também andam de autocarro e, por isso, estão atrasados). Aí já não havia dúvidas, muitos menos bizarras e pavorosas. Só certezas e um coitadinho. Razão tem o José Pacheco Pereira: «O maior ataque político feito aos jornalistas nos últimos tempos foi o discurso do Primeiro-ministro das "forças ocultas" e das "campanhas negras". Ainda estou à espera dos editoriais indignados, dos comunicados do Sindicato, dos artigos inflamados, das exigências de pedidos de desculpa.» O resto são punhetas a grilos.

O NEOPAGÃO, A FÉ E A RAZÃO

João Gonçalves 19 Jan 09


«Qual é hoje o alinhamento dos inimigos da Igreja? Seria preciso o génio do franco-britânico [Hilaire Belloc (1870-1953) o pequeno volume de 1929 Survivals and New Arrivals. The Old and New Enemies of the Catholic Church (reedição Tan Books, 1992; www.ewtn.com/library/ANSWERS/SURVIV.HTM)] para responder à questão, mas algo pode ser dito. A sua estrutura permanece válida. Não há dúvida de que a oposição principal dos anos 20 está reconduzida à condição de sobrevivente, enquanto o ataque avassalador vem agora do neopaganismo triunfante. A sua influência manifesta-se precisamente no aspecto que o autor antevira: o combate contra a família e a vida humana. Belloc não tinha dúvidas em 1929 de que o neopagão "toma o homem como um animal. Para já faz do casamento um simples contrato civil dissolúvel pelo consentimento de ambas as partes. Em breve terá de o fazer dissolúvel pela vontade de apenas uma. (...) Podemos dizer que a facilidade e frequência do divórcio são o teste da medida em que uma sociedade antes cristã avançou para o paganismo" (p. 137). É impressionante o rigor fotográfico com que a nossa sociedade foi retratada à distância. Talvez o leitor queria tentar a sorte na identificação dos recém-chegados. Belloc, pelo seu lado, identificou na linha que traçara um hiato, uma oportunidade inesperada: o embate da fé católica com o neopaganismo pode ter o mesmo desfecho que na Antiguidade teve o choque com a versão original. "Não posso acreditar que a razão humana irá permanentemente perder o seu poder. Ora a fé é baseada na razão, e em todo o lado fora da fé o declínio da razão é patente" (p. 167)

João César das Neves, via Povo

INTOLERÂNCIA E IGNORÂNCIA -3

João Gonçalves 17 Jan 09

«Os casais "inter-religiosos" que pressurosamente protestaram contra as divagações do sr. D. José são portugueses de Portugal, partilham da invertebrada cultura indígena, repetem a ortodoxia dominante da tolerância e do "diálogo" e muito presumivelmente não acham que têm a verdade "única" e a verdade "toda", como aqueles de quem o patriarca se queixa. Mas, para ir ao fundo da questão, o que é um católico ou um muçulmano que não tem a verdade "única" e a verdade "toda"?»

Vasco Pulido Valente, Público

Nota: A já habitual "voz do deserto", nestas matérias, desta vez montada num autocarro.

O PAPA E O "GENDER"

João Gonçalves 22 Dez 08


Bento XVI, na mensagem de Natal à Cúria de Roma, disse isto: «La fede nel Creatore è una parte essenziale del Credo cristiano, la Chiesa non può e non deve limitarsi a trasmettere ai suoi fedeli soltanto il messaggio della salvezza. Essa ha una responsabilità per il creato e deve far valere questa responsabilità anche in pubblico. E facendolo deve difendere non solo la terra, l’acqua e l’aria come doni della creazione appartenenti a tutti. Deve proteggere anche l’uomo contro la distruzione di se stesso. È necessario che ci sia qualcosa come una ecologia dell’uomo, intesa nel senso giusto. Non è una metafisica superata, se la Chiesa parla della natura dell’essere umano come uomo e donna e chiede che quest’ordine della creazione venga rispettato. Qui si tratta di fatto della fede nel Creatore e dell’ascolto del linguaggio della creazione, il cui disprezzo sarebbe un’autodistruzione dell’uomo e quindi una distruzione dell’opera stessa di Dio. Ciò che spesso viene espresso ed inteso con il termine “gender”, si risolve in definitiva nella autoemancipazione dell’uomo dal creato e dal Creatore. L’uomo vuole farsi da solo e disporre sempre ed esclusivamente da solo ciò che lo riguarda. Ma in questo modo vive contro la verità, vive contro lo Spirito creatore. Le foreste tropicali meritano, sì, la nostra protezione, ma non la merita meno l’uomo come creatura, nella quale è iscritto un messaggio che non significa contraddizione della nostra libertà, ma la sua condizione.» Todavia, as "agências" transmitiram que o Papa "comparou a heterossexualidade à protecção das florestas tropicais" e teria afirmado "que salvar a humanidade de comportamentos homossexuais ou transexuais é tão importante como salvar as florestas tropicais da destruição". Mesmo que não saibam italiano, tentem "ver as diferenças". Sobretudo na parte sublinhada. O Papa não acrescentou nenhuma "novidade" àquilo que é a posição da Igreja sobre estas matérias. A Igreja não tem de ser "correcta" e seguir os "tempos". A inversa também é verdadeira. Ratzinger não "obriga" ninguém a ser católico. O Papa fala para os católicos apostólicos romanos e não para os bites. Aliás, se não houvesse pecadores a Igreja seria esdrúxula. Não é por acaso que, na missa, se pede ao Senhor que não olhe aos nossos pecados mas sim à fé da Igreja. Ao Papa não compete fazer proselitismo, gender ou outro qualquer. Foi só isso que ele quis significar.

A IGNORÂNCIA É ATREVIDA

João Gonçalves 16 Set 08

«Sarkozy, falando ao gosto do seu interlocutor [o Papa], adjectivou a laicidade, chamando-lhe positiva (porquê?) e disse que "prescindir das religiões (no plural) é uma loucura e um ataque à cultura". Esqueceu-se que muito mais de 10% da população francesa é agnóstica ou mesmo ateia e, entre ela, seguramente, está a maioria dos segmentos sociais mais cultos e intelectualizados...» Esta "sentença" pertence a Mário Soares, esse extraordinário produtor "ideológico" e "cultural" que, nos livros de entrevistas com Maria João Avillez, "resumia" a sua "ideologia" a "levar a água ao meu moinho...". Indignado com Sarkozy e, naturalmente, com o Papa que, na sua cabeça de regedor da I República, não passa de um perigoso reaccionário, Soares acha que Raztinger foi a França apenas para "falar" aos dez por cento "de praticantes católicos". Soares devia abster-se de se meter no que não sabe. E, entre duas sonecas e três entrevistas com Hugo Chávez, ler alguns dos livros do Papa. Esta acrimónia ignorante é tanto mais grave quando Soares preside a uma comissão qualquer sobre liberdade religiosa. Não lhe fica bem ser atrevido.

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Últimos comentários

  • Gabriel Pedro

    Meu Caro,Bons olhos o leiam.O ensaio de Henrique R...

  • Maria Petronilho

    Encontrei um oásis neste dia, que ficará marcado p...

  • André

    Gosto muito da sua posição. Também gosto de ami...

  • Maria

    Não. O Prof. Marcelo tem percorrido este tempo co...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, no meio da abundante desregulação ...

Os livros

Sobre o autor

foto do autor