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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

As certezas

João Gonçalves 25 Nov 13

 

Até sensivelmente o serão da passada quinta-feira, o ministro Miguel Macedo - embora notoriamente enfadado, pelo menos desde a "crise Portas", com o estado da arte e anelando porventura por outra pasta - esteve sempre à altura dos desafios do sector que tutela. Todavia, dizem-me que uns dias antes, no Instituto de Ciências Policiais, terá falado de tudo (até das exportações) menos do que eventualmente mais interessaria à audiência. Mas, nesse serão, o ministro aludiu à manifestação do dia anterior dando a certeza que não mais os patamares da escadaria do parlamento seriam escalados para lá do "perímetro de segurança". E que colocava no cargo de director nacional o comandante daqueles que, no exercício das suas funções policiais, actuaram com respeito pelo chamado princípio da proporcionalidade (isto sou eu que digo porque o ministro achou a coisa "desproporcionada" e, pelos vistos, pela negativa). Salvo o devido respeito, o ministro praticou um oxímoro político. Se tudo aquilo era "inaceitável", nas suas palavras, como é que o Governo escolhe quem alegadamente permitiu uma intervenção diferente que evitou o pior embora "inaceitável"? É porque, afinal, o comandante da unidade especial, hoje director-nacional da PSP, esteve certo. O ministro é que talvez precise rever com urgência as suas certezas.

MISÉRIAS

João Gonçalves 26 Ago 09

Uma "jornalista" da SIC sentenciou que houve excesso na intervenção da polícia no Seixal. Assim mesmo. A senhora é jornalista ou é de alguma ONG politicamente correcta? O que é que percebe de acção policial? Ou de miséria instintual crónica?

CRIME E CASTIGO

João Gonçalves 8 Jul 09

Ao contrário da grande apóstola nacional-fracturante que, para além disso, acredita piamente que não há rapazes maus - é o que dá viver a vidinha blindada entre duas ou três ruas principais de Lisboa agarrada a "figos de ouro" -, noutra encarnação trabalhei no MAI. E fiz alguns processos de averiguações acerca de tiros saídos de armas de agentes da autoridade. Andei entre esquadras, postos da GNR e aqueles bairros ditos sociais que a Fernanda "estuda". Falei com agentes e com "rapazes". Bons e maus. Passaram anos sobre isso. Dez, doze. Nem a Fernanda aprendeu nada entretanto, nem a sociedade portuguesa (muito por causa de "teóricos" como ela ou o "seu" improvável académico Rui Pereira que "está" ministro) assimilou, por manifesto complexo "cultural", a necessidade do exercício adequado e oportuno da acção policial. No "julgamento", tão correcto como ligeiro, à semelhança dos taxistas (estes costumam ser mais "incorrectos"), que é feito da polícia (porque ao termo polícia se associam invariavelmente tragédias de proporções bíblicas) por apóstolos como a Fernanda é que chegámos a este estado da arte. Desde agentes mortos à queima-roupa, a tiros errados das polícias (daqueles processos saíram punições quando as punições se justificavam, como a Fernanda, a jornalista, bem sabe, tal como outros foram arquivados) ou aos bonés policiais atirados, em revolta, para o meio da rua, tudo é resultado da mesma coisa. De trinta e cinco anos de políticas ditas "sociais" erradas, do imenso equívoco do "multiculturalismo" e de uma comunicação social amortecedora da verdadeira gramática do crime e do castigo. A democracia é este "pacote" de horrores em que toda a gente (até os seus agentes) temem a autoridade responsável. E não há nada pior para toda a gente do que o medo do próprio medo. Sobram sempre vítimas e carrascos de ambos os lados e, normalmente, ambos errados. As derivas intelectuais de pessoas como a Fernanda - ou as contrárias, as apenas securitárias porque sim e porque dá votos - só são possíveis porque a ignorância é atrevida. Tal como a canalha será sempre a canalha.

A POLÍCIA E A RUA

João Gonçalves 21 Mai 09

Como Medeiros Ferreira, continuo a preferir polícias armados a seguranças privados armados. Para o efeito, os polícias - PSP e GNR - devem ter condições para exercer a sua função com dignidade e com autoridade. Nem uma nem a outra ganham nada com manifestações. Rui Pereira é péssimo. Bandeirinhas na rua não são melhores do que ele.

CORAGEM E COBARDIA

João Gonçalves 17 Mai 09


O novo Estatuto da PSP, inventado por este governo, prevê um "prémio de coragem" para os agentes da autoridade que, presumivelmente, manifestem semelhante virtude. A coisa traduz-se em quinze dias de férias a mais e na extensão do subsídio de residência ao "corpo" policial e não apenas a meia dúzia de felizardos. Só quem não conhece as condições em que a maioria do "corpo" trabalha - como parece ser o caso deste governo demagógico e deste ministro académico - é que poderia pensar num "prémio" desta natureza. No fundo, o "prémio", mais do que evidenciar a coragem deste ou daquele, revela a profunda cobardia política de um partido, de um governo e de um ministro que, retoricamente, suportam as forças de segurança sem cuidarem, no quotidiano difícil e verdadeiro que é o delas, de as apoiar. Isso e os "contratos locais de segurança" que mais não representam do que o prolongamento pífio de trinta anos de políticas "sociais" erradas. Seria ridículo se não fosse trágico.

BROKEN WINDOWS?

João Gonçalves 11 Mai 09


Este artigo do director do "i" vem com uns anitos de atraso. Em 1997 e 1998, por razões profissionais ligadas à altura ao controlo da actividade policial, estive em Nova Iorque onde me familiarizei com o "NYPD" e a famosa teoria das "broken windows". Quando cá chegámos, fizemos um briefing aos chefes das nossas polícias - PSP e GNR - na presença do então MAI, o dr. Jorge Coelho. Foi precisamente em Maio de 1998, vai para onze anos. Depois, talvez no Natal de 2000, não me recordo bem, andei de noite a visitar postos e esquadras, respectivamente da GNR e da PSP, na Margem Sul. Um dos postos da GNR metia dó e recomendámos o fecho imediato. E também fomos à Bela Vista. A esquadra era - presumo que não terá mudado muito entretanto - um verdadeiro tugúrio perfeitamente aberto a qualquer um, bem ou mal intencionado. Se repararem nas datas, o governo era, como hoje, socialista. O dr. Coelho saiu, veio o dr. Gomes - que demorou pouco tempo - e Guterres fechou a coisa com Severiano Teixeira. Sócrates começou com um super-ministro da administração interna, António Costa, e vai terminar com Pereira, sem comentários. Quando eu expliquei ao dr. Coelho que o nosso "sistema" era demasiado "garantístico", recordo-me de ele ter elogiado vagamente os EUA porque desconfiava do êxito absoluto da tal teoria das "janelas partidas". De facto, as "broken windows" tornaram a Manhattan de Giuliani mais segura - isto, é a Nova Iorque que vemos nos filmes e que os turistas apreciam, de Times Square ao Central Park, passando pelo metro e pelas estações de comboio - mas "exportaram" muita criminalidade "urbana" para as cercanias, sobretudo para o norte da ilha e para o outro lado do Hudson. Não quero com isto afirmar que as "broken windows" falharam e que representaram uma mera operação de cosmética bem sucedida. Não. Todavia, espero que o director do "i" não esteja a recomendar ao governo que aplique algo que conhece há pelo menos uma década. Com a tendência para a superficialidade propagandística que tem, era de certeza pior a emenda que o soneto. Bela Vista é um caso de polícia? Sem dúvida. Não tenho é a certeza que a autoridade política saiba lidar com ele, não apenas enquanto tal mas igualmente como sintoma de qualquer coisa de mais perverso que o regime construiu à sombra de estafadas boas intenções meramente proclamatórias de carácter "social". E eu não sou nem da esquerda "justicialista", religiosa ou ateia, nem da direita empertigada.


Adenda: Este post do Pedro Magalhães.
Seguir esta "pista". Como bem pergunta o leitor que me chamou a atencao para ela. "Tendo em atenção o passado e CV do José Magalhães, esta notícia é deveras preocupante. A que tarefas se dedicarão os funcionários desta UTIS? Porque o Secretário de Segurança não está "estar por dentro"? O que motivou esta notícia? O propósito de "promoção da interoperabilidade entre as tecnologias de informação e comunicações" no contexto do Sistema Integrado de Informação Criminal (SIIC) não nos pode deixar nada descansados. Interoperabilidade quer dizer cruzamento de bases de dados. Em França Sarkozy teve que recuar perante a polémica pública do Edvige, sistema que incluia fihceiros e informação sobre todo e qualquer cidadão em que o Estado entendesse que teria algum tipo de interesse. Passa-se o mesmo com o sistema de informação criminal do RU. Os cidadãos responsáveis estão preocupados com a ofensiva destes políticos pseudo-democráticos que ao coberto das habituais desculpas de políticas de combate ao terrorismo e da elevação da segurança pretendem construir sistemas de vigilância e controle sem paralelo na história. Quem nos protege desta gente?"
Nota: sem acentos, outro teclado, outro pa'is.

POR QUE SE MATAM OS POLÍCIAS?

João Gonçalves 28 Set 08


Em poucos dias - não é "notícia" porque estraga o falso "glamour" em que o regime vive - suicidou-se uma meia dúzia de agentes policiais, ora da GNR, ora da PSP. Desde quase adolescentes (vinte e pouco anos) até homens mais maduros, esta gente que supostamente vela pela nossa existência, decidiu colocar um termo à deles porquê? A presença constante de uma arma é tentadora? A vida "privada" e a de agente da autoridade cruzaram-se em algum nó górdio irreversível? Sem provavelmente terem lido muita filosofia, estes homens, no acto limite do suicídio, descobriram aquele que alguns consideram o único "tema" verdadeiramente filosófico. E levaram, para a eternidade, esse segredo. Falo disto porque eram pessoas com uma função especial que, diz-se, o regime tem o dever de acarinhar para que eles cumpram o dever de nos proteger. Afinal, nem eles conseguiram proteger-se de si próprios. Dá para pensar.

LIXO IMPORTADO

João Gonçalves 19 Set 08

Para que servem presentemente os serviços de informações? Quando penso que Rui Pereira já mandou neles, enfim. Todavia, entre outras coisas, deviam servir para prevenir bandos como o alegado "primeiro comando de Portugal", um bando criminoso constituído essencialmente (ou exclusivamente) por brasileiros. Não tenho nada contra os brasileiros em abstracto mas tenho tudo contra a presença em Portugal de mais criminosos para além dos inevitáveis domésticos. O SEF e os serviços de informações estão a trabalhar mal. Entra quem não deve e permanece quem não podia ter entrado. Abertos sim, mas não tão escancarados.

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