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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Já basta o que basta

João Gonçalves 6 Out 13

Tenho repetidamente escrito aqui que o orçamento de Estado para 2014 é o documento político mais relevante do segundo governo Passos Coelho. Quando for conhecido na sua totalidade e em detalhe, será indispensável compará-lo com as declarações do senhor vice PM aquando da comversa sobre as oitava e nona avaliações da troika. Porque das duas, uma. É que se as "linhas", afinal, não são vermelhas, então há um problema de daltonismo político para não recorrer a termos mais desgradáveis. Não é verosímil ou sequer aceitável ter nos mais elevados cargos do Estado quem só sabe funcionar em modo de pantomima. Já basta o que basta.

Nada de novo

João Gonçalves 6 Mai 13

 

Segundo Joaquim Aguiar - que a tvi24 convidou para comentar "a quente" a intervenção dominical do dr. Paulo Portas -, o CDS é um partido "detonante". Aguiar, suponho, queria dizer que o partido em causa tem feito o papel de "charneira" profissional (para usar o termo de Marcelo) do regime. Livre de grandes preocupaçoes ideológicas - a retórica democrata-cristã e do quase monopólio da "sensibilidade social" é apenas isso mesmo, retórica -, o CDS cedo aproveitou as brechas que o regime lhe abriu. Não esteve formalmente nos governos provisórios mas o seu líder, Freitas do Amaral, integrou o conselho de Estado de Spínola desde o primeiro dia. Menos de dois anos após a consagração da legitimidade democrática com as eleições de 1976, o CDS foi o primeiro partido a integrar aquilo que hoje, muito prosaicamente, por aí se denomina "arco da governação" com o PS. O partido de Freitas celebrou um "acordo de incidência parlamentar" com Soares que viabilizou o II Governo Constitucional. O "acordo" incluiu, naturalmente, a presença de membros do CDS no Governo. Por exemplo, o MNE, Sá Machado, era militante centrista. Durou pouco. Logo em 1979, o mesmo CDS e o mesmo Freitas negociavam com Sá Carneiro a AD na sequência do falhanço dos governos ditos de iniciativa presidencial. Com a morte do presidente do PSD, Freitas afastou-se do primeiro governo Balsemão e deixou lá o CDS com um pé dentro e outro fora. Balsemão, num dos raros momentos de eficácia política do seu consulado, "exigiu" a presença de Freitas no seu segundo e último executivo. Todavia, Freitas agarrou-se a um resultado autárquico sofrível para a coligação e deu-a praticamente por extinta. Eanes convocou eleições em 1983 que deram origem ao "bloco central", com o "arco" reduzido ao PS e ao PSD. O CDS estava, ao fim de quatro anos de partilha de poder, ora com o PS, ora com o PSD (e pela primeira vez no ambiente democrático pós-76), fora do dito "arco". A emergência de Cavaco em 1985 e, especialmente, as maiorias absolutas de 87 e 91 do PSD remeteram o CDS para a irrelevância política. Salvou-se a eleição para o parlamento europeu de 1987 com Lucas Pires que corria em pista própria, apesar do símbolo ser o do CDS. Freitas regressaria para prodigalizar a famosa "teoria da equidistância" (estava pronto para se aliar ao PS de Sampaio ou ao PSD de Cavaco) o que lhe valeu 4% dos votos e uma valente humilhação. Ao aproximar-se o final do "cavaquismo", o CDS passou a manifestar-se com mais sucesso por via indirecta. O semanário O Independente fazia as vezes do combate do "partido do táxi". Vieram Manuel Monteiro e, finalmente, o seu criador, Paulo Portas. Monteiro retomou as "boas práticas" de 1978, no Hotel Tivoli, com o novo PM do PS, Guterres. Guterres reinava sobre os escombros do "cavaquismo" (o novo CDS/PP famosamente não apoiou a candidatura presidencial de Cavaco, em 1996) e precisava "passar" orçamentos. Ainda o "guterrismo" ia a meio e já o criador de Monteiro, num célebre congresso em que fez uma entrada teatral agarrado a uma pasta castanha de executivo, varreu o "monteirismo", literalmente e em directo, de cena. Salvo o curto interregno do abnegado Ribeiro e Castro, Portas nunca mais largaria o pódio do Caldas. Pelo caminho trucidou, também em directo e a cores, uma AD de oposição com Marcelo, e esperou por 2002 quando Durão Barroso convidou o CDS para o governo. Com a actual, celebrou três "alianças" de governo com o PSD. Ainda tentou dar a mão ao "socratismo" minoritário de 2009, mas a coisa borregou. Por consequência, o dr. Paulo Portas do domingo passado deve ser "lido", tal como a tese de Joaquim Aguiar, à luz deste longo lastro de "sobrevivências", "distâncias", "equidistâncias" e "proximidades". Nada de novo.

«AGORA OU NUNCA»

João Gonçalves 20 Mar 11

Portas, apesar de ser o dirigente partidário mais "antigo" em funções, sempre foi "geneticamente contra o poder". Honra lhe seja feita.

CONTRA A DIREITA DO "PERDOA-ME"

João Gonçalves 19 Mar 11

A derradeira coisa que o país precisa é de uma "direita" chorona, mesmo pequenina, com delíquios "corin tellado" em estilo "perdoa-me".

CANSA

João Gonçalves 1 Fev 11


Foi esta mesma criatura que pediu um "movimento político" conjunto com o PSD? Independentemente de ter ou de deixar de ter razão, Portas deveria pelo menos ter dado algum tempo antes de vir tecer estas frívolas considerações num híbrido entre a melga e o emplastro. Cansa.

FICO, FIQUEI, FICAREI

João Gonçalves 20 Dez 10


O CDS, consta, vai eleger o seu líder. Para facilitar, está previsto que os militantes possam participar na eleição por via postal. Já agora, porque não através de chamadas de valor acrescentado, mail ou sms? O dr. Portas arrisca-se a ficar para a petite histoire como o Matusalém dos dirigentes partidários apesar da "juventude". Até o PC consegue ser mais "renovador", "rodando" o candidato Lopes (esta noite com Cavaco) para o lugar de Jerónimo. Mas, enfim, Portas prometeu que ficava. E ficou. Ficou de tal maneira que parece que nunca mais vai deixar de ficar.

QUEM É QUE "DESENCALHA" A CAROCHINHA?

João Gonçalves 26 Jul 10

Mário Crespo entrevistou o conhecido cavaleiro tauromáquico Paulo Portas. Portas continua a insistir naquela curiosa tecla de ir para um governo sem eleições. Com o PS e com o PSD, sem Sócrates. Consabidamente aqui não se estima Sócrates. Mas o "povo", em Setembro, escolheu-o para formar governo. Por consequência, apenas o dito "povo" tem legitimidade para o apear. Portas ainda pode dedicar-se às touradas por algum tempo.

QUEM QUER CASAR COM A CAROCHINHA?

João Gonçalves 15 Jul 10

O dr. Portas precisava de um "número". E o "número" foi fazer-se convidado para um putativo governo que ninguém sufragou, estilo "maria-vai-com-as-outras". O que Portas conseguiu com isto foi Sócrates aparecer a fazer o seu "número" habitual do ungido e de penhor da credibilidade do país. E à direita não ganhou nada com o exercício até porque Passos Coelho nem sequer frequenta o parlamento. Pobre carochinha.

PARA MEMÓRIA FUTURA

João Gonçalves 28 Set 09


O CDS/PP recusa fazer maioria absoluta com o PS, lê-se nos rodapés. «Enquanto falava, Alice levantou-se da mesa e sacudiu-a [à Rainha Preta] para a frente e para trás com quantas forças tinha. A Rainha Preta não opôs qualquer resistência. Mas a sua cara fez-se muito pequena e os olhos ficaram grandes e verdes e à medida que Alice a continuava a sacudir ela ficava cada vez mais pequena e mais gorda e mais macia e mais redondinha e... - e afinal era mesmo uma gatinha.»

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