Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O fim da jornada

João Gonçalves 11 Fev 12

 

Com o Crepúsculo dos Deuses - transmitido em directo da Ópera de Nova Iorque pela Gulbenkian a partir das 17 horas - termina a saga do Anel de Wagner na nova produção do canadiano Lepage para o Met. Wagner concebeu a tetralogia para ser apresentada de seguida. As nossas "elites" (políticas, laborais, empresariais, televisivas, jornalísticas, cuturais etc. etc.) deviam ser fechadas numa sala durante mais de vinte e seis horas e serem obrigadas a ver as quatro óperas que constituem o Anel, sem levantar o rabo da cadeira, e lendo atentamente a legendagem no caso de não entenderem o alemão. Talvez as ajudasse mais do que ler jornais, ouvir comentadores e ver telejornais.





Richard Wagner, Götterdämmerung (cena final). Jessye Norman. The New York Philharmonic. Lincoln Center. Kurt Masur


Richard Wagner, Götterdämmerung. Siegfried Jerusalem, Hildegard Behrens. MET, NYC. James Levine, 1991. Como diz um leitor, «e quantas mais despedidas, quantas mais viagens em busca de aventuras e glórias não acabam em fracassos, traições e tragédias. Actualidade do Anel, onde não há lugar para a esperança nem para a redenção.»

GRANDEZA

João Gonçalves 5 Abr 09



Richard Wagner: pormenor da gravação de "O Crepúsculo dos Deuses". Siegfried: Wolfgang Windgassen. Wiener Philharmoniker. Direcção de Sir Georg Solti. 1965

O GRANDE MISTIFICADOR

João Gonçalves 22 Set 08



Passa hoje o aniversário da estreia de O Ouro do Reno (Das Rheingold), o prólogo da tetralogia wagneriana O Anel do Nibelungo (Der Ring des Nibelungen), em Munique. O "clip" pertence à versão de Herbert von Karajan* e representa a descida dos deuses ao "Niebelheim", um subterrâneo infernal onde Alberich e os seus anões trabalham o ouro cuja posse confere poder sobre todo o mundo. Alberich furtara o ouro depois de enganar as ninfas encarregadas da sua preservação em nome do amor. Alberich não queria saber do amor para nada. Queria só o poder. Wotan e Loge encontram Mime, irmão de Alberich, que lhes dá conta da infelicidade do "Niebelheim" sob a liderança de Alberich. Este obrigou o irmão a forjar um elmo mágico, o "Tarnhelm", que lhe permite transformar-se no que quiser. Alberich tenta impressionar os deuses tornando-se invisível. Loge desafia então Alberich a demonstrar a magia do "Tarnhelm" e Alberich transforma-se num dragão. O deus finge-se impressionado e pede-lhe que se transforme, não já num ser imenso, mas numa pequena criatura, dando a entender que, dessa forma, será mais fácil furtar-se aos perigos. Alberich, armado em esperto, "vira" sapo e é imediatamente capturado pelos deuses e levado ao mundo onde todos, a começar pelos deuses, se irão perder até ao derradeiro capítulo do Anel, O Crepúsculo dos Deuses. Alberich é uma excelente metáfora musical do trajecto de muitos políticos contemporâneos. Como eles, é um grande mistificador, fútil, ambicioso e soberbo, que acaba mal.

* Berliner Philharmoniker, Thomas Stewart (Wotan), Peter Schreier (Loge), Zoltan Kelemen (Alberich), Gerhard Stolze (Mime)

OS DEUSES TAMBÉM SE ABATEM

João Gonçalves 13 Mar 07


Esta é a versão oficial: Pinamonti recusou o convite. Mais tarde saberemos a verdadeira história. Trata-se da miserável crónica de uma demissão anunciada. As carpideiras, fartas de saberem o que se ia passar, anteciparam por uns dias o "requiem". Sou dos poucos que está à vontade sobre Pinamonti. Há quatro anos saí pelos meus próprios pés da direcção do Teatro Nacional de São Carlos a que ele presidia. Na carta de demissão que enviei aos então ministro e secretário de Estado da Cultura expliquei porquê. Não fui poupado pelas referidas carpideiras. Mal cheguei, pedi uma auditoria à gestão do Teatro a efectuar pelo Tribunal de Contas. Que eu saiba, até hoje nunca foi realizada. Defendi o encerramento provisório do Teatro para introduzir-se um módico de racionalidade, de eficiência e de controlo interno, acabando de vez com o arrastar de insustentáveis situações de facto de há muito instaladas. A resposta foi sempre "seguir em frente". Deste modo, o TNSC acumulou os erros da empresa pública, os erros da fundação do dr. Santana Lopes e da dra. Nogueira Pinto e os erros do instituto público. Mário Vieira de Carvalho vai agora somá-los todos na sua gloriosa OPARTE que, desde o ínicio, mereceu a crítica frontal dos directores artísticos do Teatro, Pinamonti, e da Companhia Nacional de Bailado, Ana Pereira Caldas. Resta saber quem são os monos disponíveis para tomar conta da OPARTE e do Teatro ao lado do novo director, antigo "intendente" da Ópera de Colónia. Certamente que não faltam candidatos, a começar pelos que inexplicavelmente ainda lá estão. Dito isto, Pinamonti prestou um relevante serviço à "cultura" deste pequenino país que abandona às mãos do caprichismo político-ideológico de uma "política cultural" protagonizada por dois "independentes" do PS, certamente com a complacência de Sócrates que deve perceber tanto de ópera como eu de russo. Os cortesãos que bajularam Pinamonti durante estes seis anos já devem estar a preparar-se para receber o novo director artístico. O governo foi um mau Wotan que quebrou a lança do guerreiro a meio da obra. O abraço que dei a Pinamonti no sábado à noite, depois da derradeira representação da "Valquíria" - um espectáculo emblemático e premonitório - pressentia-se o último. Dammann fica com o seu conterrâneo Wagner nos braços. Oxalá complete a "tetralogia" e que o "crepúsculo dos deuses" coincida com outros finais e maldições. Os deuses também se abatem.

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Últimos comentários

  • Gabriel Pedro

    Meu Caro,Bons olhos o leiam.O ensaio de Henrique R...

  • Maria Petronilho

    Encontrei um oásis neste dia, que ficará marcado p...

  • André

    Gosto muito da sua posição. Também gosto de ami...

  • Maria

    Não. O Prof. Marcelo tem percorrido este tempo co...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, no meio da abundante desregulação ...

Os livros

Sobre o autor

foto do autor