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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Um vómito gratuito

João Gonçalves 24 Mai 13

Miguel Sousa Tavares escolheu a via do insulto para lançar um romance. É uma opção a qual, suspeito, não favorece nem o autor nem a literatura. E diz mais sobre o autor do livro e do insulto do que sobre o livro e o insultado. Como Sousa Tavares, goste-se ou não, tem acesso fácil à palavra pública - e é pago para a ter - faz por consequência parte das elites do regime. Ora o regime não está como Pulido Valente o descreve só por causa dos seus políticos. Os que sobrevivem parcialmente de ruminar sobre eles, acabam por integrar o "sistema". De televisão em televisão, de jornal em jornal e, mais recentemente, de livro em livro, Sousa Tavares é um rosto emblemático do sistema que algumas pessoas se habituaram a ver, ler, ouvir e, eventualmente, a respeitar. Essas pessoas mereciam melhor do que o vómito gratuito do Miguel.

SUL PERIFÉRICO

João Gonçalves 27 Jun 10


Também li e, de notável, registei ser o único texto do respeitável hebdomadário que não ajoelha perante a lulização da língua portuguesa que atingiu, como doença fatal, alguma imprensa doméstica já de si obcecada pela "redacção única". De resto, é como Carlos Vidal resume. «Análise rigorosa, compreensão e solidariedade expandida no notável texto “A caça ao homem”, publicado no ”Expresso”, 26/6/2010, texto que consubstancia uma tese de uma sofisticação só comparável à obra “literária” (por assim dizer) “Equador”; tese, vamos lá: J Sócrates é vítima de uma “caça ao homem”; J Sócrates está fora de todas as confusões em que o querem envolver só por ódio gratuito e sabe-se lá que mais; a culpa de tudo o que se passa é única e exclusivamente dos colaboradores, “serventuários” e amigos de J Sócrates; [Sousa Tavares] está pois em posição de assegurar que J Sócrates nada tem a ver com nada (cale-se sr. magistrado de Aveiro), e são os seus amigos que, por amizade, ou zelo-amizade excessiva, desenharam ou soltaram os maiores cometimentos comprometedores, uma gente “infrequentável” (contudo, por sinal frequentada por J Sócrates, ah mas isso [Sousa Tavares] esqueceu-se de referir)»

POBRE EQUATORIANO

João Gonçalves 31 Out 09

Miguel Sousa Tavares e uma catrefada de "politólogos" e "comentadores" operaram, nas semanas que antecederam as legislativas, uma espécie de suspensão do juízo sempre num sentido favorável a Sócrates. Hoje, no Expresso, o mesmo Tavares atira-se ao eleitorado que votou no PS (e no qual ele se deve incluir) e ao governo do referido Sócrates. Segundo o equatoriano comentador, o referido Sócrates rendeu-se ao sistema com este governo minoritário, ficou refém de todos e de nada e, como se isto não bastasse, varreu os seus melhores ministros - os "reformistas" - para dar lugar a meia dúzia de políticos toscos e outros tantos funcionários. Tavares, é escusado dizer, presumia que o referido Sócrates, na versão absolutista, era um genuíno reformador e um admirável governante apesar das magras "reformas". E que, agora, nesta versão do inferno, tudo irá borregar como se não estivesse a borregar desde que o Afonso bateu na mãe. Pobre equatoriano.

NO TEU DESERTO, NO NOSSO DESERTO

João Gonçalves 3 Set 09


«Qualquer que seja o argumento invocado pela administração para suspender o Jornal Nacional de sexta-feira, este é um acto que não se pode praticar a um mês de eleições. Não se pode fazer uma coisa destas. Por isso, na sequência desta suspensão, entendi que não fazia sentido continuar. Se não sirvo para comentar à sexta-feira no Jornal Nacional, também não sirvo para comentar às quintas [na TVI24, com Rui Ramos e Villaverde Cabral]», disse Vasco Pulido Valente ao "i". Sousa Tavares já tinha permanecido na TVI, em 2004, aquando da saída de Marcelo. Nada de novo, portanto, do lado do escritor/comentador que lavou as mãozinhas do incidente.

NICHOLAS DE SOUSA TAVARES

João Gonçalves 7 Ago 09


Ontem ao almoço (não vou dizer com quem) chegou-se à conclusão que Miguel Sousa Tavares, o escritor, deu início a uma nova etapa criativa. É o nosso Nicholas Sparks. Por este andar, Equador ainda acaba como O Vermelho e Negro português.

A CAIPIRINHA DE MIGUEL*

João Gonçalves 5 Jul 09


Até uma certa altura, achava o cabotinismo de Miguel Sousa Tavares um cabotinismo inteligente e útil para aqueles que o liam como eu. A inteligência sobretudo não deve ser perfeita e Miguel é um sedutor fabuloso precisamente por causa desse cabotinismo que não reconhece. Escreveu um livro - Equador - e não escreveu mais nenhum. O resto são crónicas e coisas que os viajantes como ele apreciam. Louva-se na mãe para dizer que Eduardo Prado Coelho (como pelos vistos todos os que não seguem o seu "estilo") sabia mais do que percebia. Ele, presume-se, não apenas sabe como percebe para sua imensa felicidade e dos "populares" que o abordam na rua para lhe dizer que o "percebem". Se quisesse não fazia mais nada e vivia dos direitos de autor que gasta logo ferozmente para poder regressar à "escrita" e retomar o seu magnífico ciclo de vida. Parece que, à semelhança de Maria João Pires, já só sonha com emigrar para o Brasil. Não "twitta", não "facebooka" e muito menos lê blogues. «No Facebook e no Twitter tudo tem umas teses extraordinárias. São todos cultíssimos, leves, frescos, trendy, sei lá...» E, pergunta a pobre jornalista, «mas isso não é o que também faz quando vai à TVI, por exemplo, falar sobre tudo?». Não, é totalmente diferente, assegura o Miguel. «O Facebook é uma coisa elitista. Os blogues também. Aquilo é a beautiful people. Eu falo para 12% de audiência. Desde o vendedor de jornais da esquina, analfabeto ao professor universitário. E sei que falo, porque as pessoas abordam-me na rua e perceberam, e concordaram ou discordaram, mas perceberam. Estou a falar para elas, estou a fazer um serviço. Eu pagava um milhão para ninguém saber quem eu era, para poder fazer os meus comentários como o homem invisível. Agora, eu não vivo a ter opiniões instantâneas todos os dias, como se vive nos blogues, como se vive nas redes sociais.» De acordo. E «não se sente ameaçado pelos blogues, como opinador?» Enquanto houver jornais, faz sentido que haja colunistas nos jornais, esclarece. «Se amanhã os blogues destronarem os colunistas dos jornais, tudo bem. Agora, não tenho a obsessão do Pacheco Pereira, que tem que estar na televisão, nos jornais e nos blogues, tem que estar em todo o lado, sob pena de perder espaço. Eu não me sinto ameaçado porque eu não luto para ter leitores. » Claro que não, Miguel. Você escreve para o ar, "reflecte", e quem quiser que o apanhe. Os outros são demasiado terrenos para um escritor do seu calibre. Os outros menos Sócrates como quem ele almoça ("de vez em quando") e fala oracularmente. Já com Cavaco não. Cavaco - é uma maleita adquirida na velha escola do "soarismo" primário que ataca muita gente bem intencionada, inteligente e não cabotina e que começou por detestar Eanes exactamente com o mesmo argumentário, excepção feita à mãe do nosso autor que sempre foi maior do que eles todos juntos - «não tem estatura para ser Presidente da República. Não tem curriculum político para isso, não tem dimensão de estadista…» Pena que os portugueses não pensem como o democrata Miguel que qualquer dia acabará engasgado no seu imenso ego. Entre duas caipirinhas. É isso, Miguel. Vá para o Brasil exibir o seu brilho cabotino nas praias de Ipanema. "Exponha-se". As gajas de fio dental devem gostar disso. E não volte.

* com a devida vénia ao Henrique Raposo e à sua "Caipirinha de Aron"

NÃO É FÁCIL DIZER BEM

João Gonçalves 22 Mar 09

Ainda bem que existe a liberdade de expressão. Ela permite que "escritores" portugueses como Miguel Sousa Tavares (superficiais e pouco dados ao chamado "pensamento complexo") encham folhas de jornais com barbaridades em letra de forma. E que nós, comuns mortais, as possamos ler. O artiguinho de ontem, no Expresso, dedicado ao Papa Bento XVI, é o resultado de anos e anos de convivência "intelectual" com padres estilo Frei Bento Domingues à mistura com uma correcção política serôdia que até já conseguiu isolar a homofobia que em tempos o assolou. Para resumir, Tavares classifica Ratzinger como "o infausto Papa", um ser tenebroso que ele imediatamente detectou no primeiro dia em que o novo Papa apareceu à janela do Vaticano. Bastou-lhe, imagine-se, olhar para o rosto de Ratzinger à varanda para perceber de imediato a perfídia que se preparava. Isto não é um Miguel Sousa Tavares. É mais um Paulo Coelho.

LOURENÇO TRIVIA

João Gonçalves 6 Set 08

Até o mais luminoso ensaísta português vivo - a expressão "luminoso" é do Eduardo Prado Coelho, não vão os leitores pensar que fui acometido de um "momento António Guerreiro" -, Eduardo Lourenço, tem direito ao seu "momento trivia". Via Eduardo Pitta:

«O Equador, como dizia o Vergílio Ferreira a respeito do Mau Tempo no Canal, é um excelente romance do século XIX. É mais interessante do que as pessoas possam imaginar. É muito clássico, até muito queirosiano, a muitos títulos. Queirosiano e aquiliniano. É talvez — não sei se foi essa a intenção dele — o último romance do Império. Do nosso Império em chamas. E aquele final é um achado: pensar que nem o português, nem o inglês — que vem dar a lição do grande imperialismo contra o pequeno imperialismo — conseguem coisa nenhuma, mas que é o africano que leva o morceau. É ele que leva a musa.»

7 VALORES

João Gonçalves 19 Fev 08

Miguel Sousa Tavares - grande escritor português contemporâneo e que deu "17" ao "monólogo do vaqueiro" de Sócrates - na TVI: "interviu" em vez de interveio. 7 valores.

SOVA

João Gonçalves 24 Nov 07


Inclemente, a que Vasco Pulido Valente perpetra contra o recente calhamaço de Miguel Sousa Tavares, Rio das Flores, no Público de sábado. Detalhes que, decerto, escapam e não interessam nada ao «iliterado (a maioria dos leitores)» (sic) que fará do calhamaço de seiscentas e tal páginas o seu único livro de 2007. «Nada pior do que ler um livro mau, excepto escrever sobre um livro mau.»

Adenda: Na íntegra num comentário a este post.

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