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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

 

As "inteligências" rosnam, com uma espécie de boçalidade sofisticada, ao nome de Alberto João Jardim. Acontece que Jardim tem um currículo político invejável sufragado anos a fio pela população da Madeira. Quando era vice-presidente de Marcelo andou um pouco por todo o "continente": sabe perfeitamente como é mal amado por aqui. Mesmo sem ele, porém, o PS continua a inexistir na Região Autónoma. E já devorou, à conta da sua incompetência política, não sei quantos chefes regionais. Seguro ganhou duas eleições nacionais antes de o removerem. Costa começa a perder uma eleição regional. Alberto João Jardim sai para dar lugar à geração dos cabelos pintados (devem recorrer todos ao mesmo método capilar) que pulula no actual PSD, de Lisboa ao Funchal. Parabéns.

O pretty boy de Passos Coelho

João Gonçalves 30 Dez 14

 

O delegado do dr. Passos no Funchal, Miguel Albuquerque, é o novo presidente do PSD Madeira. Os moralistas de serviço - são sempre os mesmos independentemente do assunto, das circunstâncias ou das pessoas - viram nesta vitória a "libertação" da Região Autónoma das "garras" de Jardim. Isto como se Jardim não tivesse sido eleito ou como se Albuquerque não andasse no partido desde que usava bibe. Perfez, aliás, três mandatos como presidente da Câmara do Funchal e só saiu por causa das limitações legais. Talvez agora Passos possa ir oficialmente à Madeira mesmo sem saber se Albuquerque tem arcabouço para, pelo menos, ganhar as próximas eleições regionais. Ao contrário dos Açores, por onde andou de ilha em ilha alegremente de braço dado com o sr. Cordeiro, Passos parece ter feito questão em ignorar politicamente a Madeira. Marcou e desmarcou cimeiras entre o governo e o executivo regional, furtou-se a encontros com o presidente do governo regional, apareceu noutros que sabia perfeitamente serem promovidos por adversários de Jardim e, quase a culminar o ano, soprou à comissão política nacional do PSD que os deputados escolhidos pela Região Autónoma deviam ser expulsos do partido por terem votado contra a treta do orçamento de 2015. Em Maio de 2013 acompanhei o então ministro da economia numa visita de trabalho à Madeira. Ficou aprazado um encontro com todos os secretários de Estado na tutela de Santos Pereira com o governo regional para finais de Julho. Nessa altura já o dr. Passos tinha removido Santos Pereira para o trocar pelo improvável Pires de Lima que faz as delícias do "meio". Jardim nunca fez o que só abona a favor dele. Como disse nesse momento, «os trabalhos de mais de três décadas de Alberto João Jardim em prol dos seus  - que são os nossos, convém recordar -, mesmo com todos os incidentes de percurso, interessam-me mais do que a frivolidade política doméstica permanente». Estão todos muito contentinhos com a chegada à Madeira do pretty boy do dr. Passos. Oxalá não se arrependam.

Ilha no meio das trevas

João Gonçalves 22 Mai 13

 

Passei ontem o dia na Madeira com o ministro da Economia. Assinalo que, salvo erro, e tirando a presença de Paulo Macedo na ilha no auge do problema do dengue, não me recordo de, nestes quase dois anos (e a não ser a título partidário), mais algum membro do Governo lá ter estado. A Região Auónoma da Madeira - e as autonomias regionais em geral - é um dos poucos bons exemplos da maturidade institucional do regime. Quem conhecia a Madeira antes da autonomia e a visita hoje, percebe porquê. Os encontros de trabalho e os contactos com empresas e empresários locais evidenciaram que nunca a coesão nacional foi tão necessária. Não a retórica ou a do "consenso" mole, mas a que se dirige às pessoas, à qualidade da vida das pessoas. Só faz sentido andar na coisa pública para as puxar para cima. Aqui como nas Regiões Autónomas ou no interior. Quando saí de Lisboa, ainda escutei na rádio o comunicado "branco" da reunião do Conselho de Estado e li que o Papa terá perpetrado um exorcismo. Os trabalhos de mais de três décadas de Alberto João Jardim em prol dos seus  - que são os nossos, convém recordar -, mesmo com todos os incidentes de percurso, interessam-me mais do que a frivolidade política doméstica permanente ou as minhas eventuais desilusões "espirituais". Procuro funcionar com realismo e alguma desesperada esperança. Regresso sempre limpo do Funchal.

 

Foto: Jornal da Madeira

Bem feito

João Gonçalves 2 Nov 12

 

O PSD-Madeira aparentemente vai ter hoje de escolher entre Alberto João Jardim e o presidente da Câmara do Funchal, Miguel Albuquerque. É a primeira vez, em mais de trinta anos, que Jardim é "desafiado" internamente. Sucede que aquela gente que sempre andou atrás, ao lado e abaixo dele nunca se distinguiu pela qualidade política. Se o PSD na Madeira é o que é e se a Madeira, enquanto pura periferia europeia, chegou a determinados patamares de qualidade de vida, a Jardim e à sua persistência, mesmo que errática e tantas vezes demagógica, o deve. Nunca ao friso dos seus lugares-tenentes onde se incluía, até há pouco tempo, o referido Albuquerque que deverá sair democraticamente sovado de um processo esdrúxulo que ele próprio desencadeou. Bem feito.

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Os detalhes do diabo

João Gonçalves 19 Jun 12

O Tribunal de Contas pronunciou-se de novo sobre as contas regionais da Madeira e dos Açores. Por motivos distitintos, os resultados não pareem brilhantes. A Madeira, se tudo fosse levado a sério, podia deixar de receber fundos continentais e nos Açores aparentemente o governo regional de partida apreciava viajar sem preocupações. As autonomias regionais são, como se costuma dizer, uma conquista da democracia. Quanto mais autónomos, maior é a democracia para usar um silogismo simples. Mas as democracias autonómicas funcionam literalmente como ilhas na democracia. Interessa o resultado, não importa o "como". Gosto muito da Madeira e dos Açores - pessoas, paisagens, a água do mar, a simpatia das vacas. Todavia, é preciso que os governos regionais - as populações não têm culpa dos delírios majestáticos que pastoreiam as onze ilhas dos dois arquipélagos - percebam de uma vez por todas que a solidariedade nacional não é um jargão para colocar na lapela dos comícios locais. Não é apenas de cá para lá. É em todo o lado mesmo naqueles lados rodeados de mar por todo o lado. Independentemente das qualidades dos homens (apesar de tudo prefiro a inteligência emotiva de Jardim à empáfia socrática de César), é perigoso juntar ao passado o passivo. Há dias, no Correio da Manhã, Eduardo Cintra Torres "descrevia" a RTP Açores. Em certo sentido, é um retrato deste passado e deste passivo através do microcosmo de um dos dois centros regionais de televisão que, precisamente, são um exemplo do "de cá para lá" sem mais. É que o diabo, como lhe compete, está sempre nos detalhes.

LATITUDES

João Gonçalves 9 Dez 11


Ouço o tonitruante dr. Jardim, num evento de bola regional, afirmar só querer saber dos madeirenses e de mais ninguém de "outras latitudes". Francamente, dr. Jardim. Então já imaginou se, de repente, deixassem de aterrar aviões no Funchal, idos de "outras latitudes", designadamente de Lisboa, carregados de gente disposta a gastar algum aí nem que fosse para contemplar bovinamente os seus quase 3 milhões de euros de luzinhas e de fogo de artifício? Valerá a pena?

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"CIRCENSES" SEM "PANEM"

João Gonçalves 22 Nov 11

Não acompanho a Suzana Toscano nisto. E não, não é «a prova provada de que aquilo na Madeira é tudo um disparate de despesa deitada à rua». Ou que não se trata de um «investimento» no turismo local. Será despesa e porventura de investimento. Mas a circunstância favorece a manifesta obscenidade da dita despesa e do dito investimento (arrematado pela maravilhosa via do ajuste directo) dado o que espera (e se espera da) Madeira no curto e no médio prazo. A Suzana imagina o que se diria e escreveria se, por exemplo, o primeiro-ministro decidisse mandar erguer uma árvore de natal de 30 metros de altura, em São Bento, toda iluminada, ou sugerisse 15 minutos de fogo de artifício a partir do Jardim da Estrela para consolo dos turistas amantes da Lisboa do eléctrico 28?

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UMA OBSCENIDADE

João Gonçalves 21 Nov 11

Deus sabe como gosto da Madeira e do Porto Santo. Mas três milhões de euros para fogo de artifício e decorações de natal é, nas actuais circunstâncias do país e da Região Autónoma em especial, pura obscenidade.

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O DIA SEGUINTE

João Gonçalves 9 Out 11


O PSD obteve esta noite nova vitória eleitoral após as legislativas de Junho último através da maioria absoluta de mandatos alcançada pelo PSD/Madeira no parlamento regional. No conjunto, os partidos que sustentam o Governo da República alcançaram um excelente resultado na Madeira enquanto o PS entrou em puro descalabro, caindo para um triste terceiro lugar. Estes resultados implicam grandes responsabilidades para o futuro Governo regional liderado por A. J. Jardim. Parabéns aos portugueses da Madeira. E um abraço amigo para o Guilherme Silva, um grande patriota.

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