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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

QUEM É QUE NOS PREVINE DELA?

João Gonçalves 20 Nov 10


Como leio pouco os jornais, não sei onde é que a ainda ministra da cultura, D. Canavilhas, falou. Mas pelos rodapés das televisões vejo passar os seus dislates. Diz ela que é preciso uma "estratégia preventiva" para o sector do património quando, a ser necessária alguma coisa, o que é preciso é prevenirmo-nos contra a insane Canavilhas. Que consente enfiar (ou seja, anular) os teatros nacionais todos na aberrante OPART, apesar de, finalmente, ter percebido que, no caso do São Carlos, 90% do orçamento é para funcionamento e só 10% resta para a produção (este blogue começou há sete anos justamente por afirmar isso vezes sem conta). O balanço destes anos Sócrates, na cultura, consiste numa assustadora espiral de mediocridade que Canavilhas, na sua inconsequência, encerra de forma lapidar. Repito. Mais valia ter fechado a Ajuda.

A QUATRO MÃOS

João Gonçalves 10 Nov 09

Gabriela Canavilhas - que nos garantiu que o chefe do governo está muito interessado na "cultura" e que o OE ia reflectir isso mesmo - respondeu a três perguntas do jornal i. Eles perguntam-lhe que "novidades" traz o OE à cultura e ela responde que "recusa os discursos miserabilistas" porque o que é preciso "é arregaçar as mangas e transformar o pouco em muito para termos um novo olhar sobre a cultura." E repete, não fosse dar-se o caso de nos termos esquecido: "é preciso transformar o pouco em muito." Isto é uma mera derivação do "fazer mais com menos" que tantas nulas alegrias trouxe ao seu irrelevante antecessor Pinto Ribeiro. Como num mau concerto para piano a quatro mãos.

«O ministro ainda vegeta mentalmente nos tempos do Manifesto anti-Dantas, um dos textos polémicos mais estéreis, mais infecundos e mais mal escritos de toda a história da cultura portuguesa.»


Vasco Graça Moura, DN

DESFOCADO

João Gonçalves 25 Jul 09


Pinto Ribeiro, a pessoa que está a fazer de ministro da Cultura, apareceu numa entrevista. Mais uma. Cheio de si mesmo e de "contentamento" (pela triste figura que fez ?), Ribeiro ameaçou-nos com mais um museu da Viagem, debaixo da pala do arquitecto Siza, uma coisa que, segundo ele, vai ser "extraordinária". Quem vier depois dele que pague e acabe. Quanto ao que lhe competia ter feito - "mais com menos dinheiro" - nada. É o retrato de um homem permanentemente desfocado num lugar que não lhe estava destinado. As coisas que não disse, por exemplo, sobre o São Carlos (e o que não fez revelando a sua impotência perante um director artístico manifestamente incompetente "herdado" do anterior secretário de Estado e uma gestão errada que até queria "fundir-se" com o D. Maria...). Não vê, felizmente, a hora de regressar ao seu gabinete de advocacia de onde nunca devia ter saído.

SAUDADES DE CARRILHO

João Gonçalves 22 Jun 09


Com a sopa na mão, oiço José António Pinto Ribeiro a ser entrevistado por Mário Crespo. Quase ninguém dá por isso, mas o advogado é o ministro da cultura de Sócrates. Não é do país. É de Sócrates, o que é uma nuance relevante. Faz análise política e fala de "censura" ao governo em que ele participa como figurante evanescente. Defende a declaração extemporânea do 1º ministro sobre a falta de investimento na cultura. Pediu a alguém que fizesse um "levantamento" para o MC em regime de outsourcing para "apurar" o que deve e não deve ser considerado "indústria cultural". Quer, portanto, transformar o "ruído em saber". Quer "criatividade" e dotar as pessoas com os "instrumentos". Nem o pobre do Sena deixou de convocar já que "o trouxe para cá" (sic). Quanto a poder, a criatura revela que não teve muito tempo para o "conquistar" apesar dos colos que lhe deram em tudo o que é jornal "situacionista". Vai "globalizar" 242 jovens não sei bem para quê. Se forem sensatos, não voltarão, naturalmente. Porque ele quer que eles regressem para "contaminarem" (sic) mais uns quantos. Ribeiro "percebe" que existem muitos "doutores" mas que há "espaço" para outros "saberes". O "mais com menos", afinal, era fazer coisas mais "contaminantes" e formar "públicos", um desastroso lugar comum sem qualquer sentido. Também aprendeu a conversa dos "saldos" e da "flexibilidade" e está muito satisfeito com a sua extraordinária execução orçamental que deu em pouco mais que nada. Sobre o Museu dos Coches houve "várias e plurais decisões do governo". Não explicou se, por serem "várias e plurais", são coerentes. Nem interessa. Um "Museu da Viagem"? A "língua", claro, a colecção Berardo deste ministro, o seu pechisbeque do Ermitage. A sua língua de pau. Há "fundo" para o dito Museu. Ele ainda vai fazer um "concurso de ideias" para o Museu de Arqueologia. Olhe, dr. Ribeiro, eu dou-lhe já uma. Dedique-se ao teatro de rua. Que saudades de Carrilho.

Adenda: Um leitor recordou-me a improvável entrevista do actual director artístico do São Carlos, o sr. Dammann, ao Expresso. Apesar de a escolha do sr. Dammann preceder Pinto Ribeiro, a sua manutenção é da responsabilidade de Pinto Ribeiro. Se quiserem um monumento vivo aos quatro anos de MC de Sócrates, não percam o sr. Dammann. Até toca piano e canta...

NINGUÉM SE LEMBRARÁ DELE QUANDO SAIR

João Gonçalves 12 Jun 09

Quem será o "ministro" da educação, colega dele no governo, com quem Pinto Ribeiro "falou" antes de visitar Luanda? Pinto Ribeiro nunca chegou a ser propriamente ministro da cultura. Até Manuel Pinho (e, presumivelmente, a sua esposa) é "mais" ministro da cultura do que ele. Agora, Lurdes Rodrigues, a devastadora e devastada ministra da educação, é trocada por outro qualquer no jargão de Pinto Ribeiro. O homem quer escolinhas portuguesas nos PALOP. Muito bem. Será que os PALOP - em particular Angola, esse novo país colonizador de Portugal - estão interessados neste "projecto de excelência" que Ribeiro, saído do seu estupor ministerial para se aliviar da maleita do fardo em África, lhes foi oferecer? «É preciso fazê-lo inteligentemente, agilmente e rigorosamente, mas não tenho dúvida de que isso se fará e nos próximos tempos», assegura Ribeiro que, por sinal, não tem feito nada. O que vale é que os "próximos tempos" já não serão dele. O PS precisa de uns "estados gerais" na cultura. Nem a direita, no seu interregno breve, foi tão má quanto Pires de Lima e este advogado de sucesso em quatro anos de admirável líder. Regresse rapidamente à sua sociedade jurídica onde certamente faz mais falta do que ao país. Ninguém se lembrará dele quando sair.

PATRIMÓNIO

João Gonçalves 1 Jun 09


Por falar em "manifestos" e "petições", quantos dos afogueados assinantes do "manifesto pela igualdade" estariam dispostos a assinar este onde cheguei pelo Jorge Ferreira? Ou o Museu de Arte Popular que, num momento infeliz (praticamente não houve outros), Isabel Pires de Lima quis destruir para dar lugar a uma aberração denominada "museu do mar da língua", é coisa não fracturante, anti-moderna e imprópria para "esclarecidos"?
Adenda: Pinto Ribeiro, o actual ministro, mantém o propósito da edificação do tal "museu". A "esquerda moderna", presidida por Sócrates, apresenta este curioso saldo nulo na cultura. Ribeiro, um ministro omisso, também não acerta na acção. Aliás, até ao momento não acertou em nada. E ninguém, no PS instalado, parece importar-se demasiado com isso.

O BLOCO EM CANNES

João Gonçalves 25 Mai 09



João Salaviza, de 25 anos, ganhou uma "Palma d'Ouro" em Cannes para a curta-metragem Arena. Pinto Ribeiro, o faz de conta que é ministro da cultura, veio a correr parebenizar o rapaz porque foi apoiado pelo ICA, logo, por ele e isso permitiu-lhe - imagine-se - trabalhar "em sossego". Ribeiro ainda vai morder a língua. Salaviza também realizou outras curta-metragens. Vamos vê-las durante estes próximos dias. São os tempos de antena do Bloco de Esquerda para as europeias. Chapeau.

O MINISTRO E A PIRATARIA

João Gonçalves 13 Mai 09


Segundo Pinto Ribeiro, a personagem lunar que está a fazer de ministro da cultura, os "downloads" ilegais, vulgo "piratas", não podem ser proibidos em Portugal em nome da liberdade de expressão. Até posso concordar com Ribeiro a bem dos meus gostos musicais e dos meus amigos. E imaginar que Sarkozy impôs a coisa porque a esposa cantora lhe deu algum recadinho. Mas eu não sou ministro. Pinto Ribeiro também parece que não é.

O AGENTE DE EXECUÇÃO

João Gonçalves 11 Mai 09


Por diversas vezes neste blogue se escreveu que, praticamente desde Julho de 2000 - ou seja, desde que Manuel Maria Carrilho se demitiu do governo de Guterres -, não existe nem ministro nem ministério da Cultura. O Público, através de Luís Miguel Queirós, dedica um interessante artigo ao assunto. Na prática, todos os intervenientes - ex-directores-gerais, ex-assessores no sector e um antigo secretário de Estado - reconhecem este défice. E dão, em geral, razão a Carrilho quando apresentou publicamente este documento. A legislatura "socrática" também falhou aqui. Pires de Lima foi o que foi e Pinto Ribeiro emerge muito mais como "agente de execução" (para recorrer a um termo da acção executiva civil) do processo de falência política do ministério do que outra coisa qualquer. «Um ministro da Cultura, além de ter de estar tecnicamente preparado para o cargo, precisa de peso político. Carrilho acha que a própria heterogeneidade do campo de intervenção das políticas culturais torna difícil que a solução possa passar por um profissional do sector. "Tem que ser alguém que saiba e que goste de fazer política." Pois.

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