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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Da acção comunicacional

João Gonçalves 15 Out 14

Transcrevo aqui, há anos, crónicas e excertos de crónicas de Manuel Maria Carrilho de quem, aliás, sou amigo. Mas já o lia e citava antes de nos tornarmos amigos não vá o filistinismo sempre de serviço ficar incomodado. Nos últimos tempos, Carrilho escrevia no Diário de Notícias mas, segundo afirmou o director do jornal a uma revista, vai deixar de escrever. “Não é o único que deixa de escrever para nós. Ao todo, são cinco, incluindo Celeste Cardona e Baptista Bastos. Não há um motivo especifico, há um motivo geral: quando entra uma direcção nova, tenta-se refrescar a imagem”, declarou André Macedo. Vamos aguardar o resultado deste "refrescamento" em todo o seu esplendor: quem sai, quem fica e quem entra. Todavia faço votos que o Senhor Director poupe, nos dois últimos casos, os putativos leitores a meras redacções das antigas segunda e terceira classes ou a alguidares de baba.

"Passe-o na televisão", já dizia Salazar

João Gonçalves 8 Jun 14

 

 

«Como Seguro, Costa fez carreira no PS: não há outra maneira. É também um profissional da política e, portanto, não pode estar longe do aparelho. Mas o partido não lhe chega. Como Sócrates, de quem foi indefectível, às maçadas do aparelho prefere outro meio de chegar ao poder: os media. Tem uma relação ambivalente com o jornalismo: despreza-o, mas bezunta-o de graxa, tende a tentar controlá-lo (como Sócrates), enquanto jura pela liberdade de informação. Enquanto para Seguro o poder se alcança pelo trabalho da formiga, para Costa conquista-se pelo canto da cigarra. Enquanto Seguro não dá nada por adquirido e age timoratamente para que o país lhe entregue o poder, Costa, na esteira de Soares, acha-se um predestinado a quem o país deve o poder: acorda uma terça-feira, depois das Europeias, e anuncia que o PS e o governo são para ele. É um Messias de promessas vagas (um ‘governo forte’), um "Napoleão para as Esquerdas", na expressão de João Gonçalves no blogue Portugal dos Pequeninos. Napoleão não quis receber a coroa de imperador das mãos do papa e colocou-a ele mesmo na sua cabeça. Para Seguro, é uma injustiça que lhe tirem o partido que conquistou; para Costa, é uma injustiça que não lhe dêem o poder para que se acha talhado. Enfrentam-se agora o percurso de aparelho, de Seguro, e o percurso mediático-messiânico, de Costa. O primeiro leva a melhor no partido, o segundo leva a melhor nos media — os jornalistas também sofrem do atávico e reaccionário desejo de Chefe — e, por causa dos media, também nas sondagens. No combate dos próximos meses, Seguro gritará "o meu reino por um canal de TV" e Costa berrará "o meu reino por umas federações do PS"

 

Eduardo Cintra Torres,  CM

O novo "Observador"

João Gonçalves 19 Mai 14

 

 

Há um novo jornal online. É o Observador e nele escrevem pessoas que aprecio intelectualmente. Numa outra encarnação, já existiu um Observador, uma revista onde colaborou Vitorino Nemésio, "de antes" (do imediatamente antes) do "25 de Abril" cujos exemplares, comprados pelo meu Pai na altura, guardo. Este novo Observador começou bem apesar do "acordês". Não se pode ter tudo. Boa sorte.

Nem tudo foi mau

João Gonçalves 6 Fev 14



O uso da capa de um exemplar do DN indispôs a detentora do jornal com a editora do livro. Independentemente disso, a resolver porventura em outra sede, o conteúdo deste decerto contribuirá para tentar perceber o denominado PREC e o papel conspícuo de algumas pessoas "conhecidas", por exemplo, por mais "nóbeis" motivos. Muito antes do PREC, todavia, o tradutor e editor José Saramago prestou bons serviços à cultura portuguesa como Jorge de Sena atesta em carteio vário da época. Falta, pois, publicar, também em livro, a correspondência Sena-Saramago. Nem tudo foi mau.

 

Fiquei com curiosidade quando, numa conversa entre Mário Crespo e Maria João Avillez na sicn (onde esta "analisou" um a um os escolhidos para o novo Governo, não se poupando em acrisolados "elogios" aos recém chegados: um era "sage", outro um "desequilibrado emocional" mas com muito a dar à pátria, um terceiro que sabe "da vida" como ninguém e um quarto de que não retive o delíquio) foi mencionado um trabalho do hebdomadário Expresso, de Abril de 1992, de que Avillez, apesar de à altura colaborar com o dito jornal, não se recordava. Fui pesquisar, dado o meu apreço pela memorabilia jornalística em papel. E encontrei os vestígios que reproduzo. Basta dar um toque nas imagens para ampliar e ler.

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Leve, amena, superficial

João Gonçalves 13 Nov 12

Entre outros, ando a ler o livro de Vargas Llosa A Civilização do Espectáculo, da Quetzal. Llosa é um homem que participa activamente nos debates contemporâneos sem a soberba de outros escritores que receberam o Nobel da literatura. Não segue a correcção política e isso, por vezes, vale-lhe o epíteto de reaccionário ou liberal o que na cabeça de determinados analfabetos é a mesma coisa. Em matéria de comunicação social e cultural, Llosa intui perfeitamente o que se passa sem se exceder em derrames inúteis. «Por iniciativa própria, o jornalismo dos nossos dias, seguindo o mandato cultural imperante, procura entreter e divertir informando, com o resultado inevitável de fomentar, graças a essa subtil deformação dos seus objectivos tradicionais, uma imprensa também light, leve, amena, superficial e que entretém, a qual, nos casos extremos, se não tiver à mão informações desta índole para relatar, ela própria as fabrica.»

Prosa culta

João Gonçalves 12 Nov 12

Independentemente de quaisquer outras considerações, mais uma vez o Jornal de Angola dá-nos um bom exemplo de como o jornalismo pode contribuir para a solidez da língua portuguesa sem pruridos "acordográficos" ou complexos de outro tipo. «Camões, faminto de tudo, até de pão, na hora da partida desta vida, descontente, ainda foi capaz de um último grito de amor. Morreu sem nada, mas com a sua ditosa e amada pátria no coração. Ele que sofreu as agruras do exílio e foi emigrante nas sete partidas, escorraçado pelos que se enfeitavam com a glória de mandar e a vã cobiça, morreu no seu país. O mais universal dos poetas de língua portuguesa deixou-nos uma obra que é o orgulho de todos os que falam a doce e bem-amada língua de Camões. Mas também deixou, seguramente por querer, a marca das elites nacionais que o desprezaram e atiraram para a mais humilhante pobreza. O seu poema épico acaba com a palavra Inveja. Desde então, mais do que uma palavra, esse é o estado de espírito das elites portuguesas que não são capazes de compreender a grandeza do seu povo e muito menos a dimensão da sua História. Nós em Angola aprendemos, desde sempre, o que quer dizer a palavra que fecha o poema épico, com chave de chumbo sobre a masmorra que guarda ciosamente a baixeza humana. A inveja moveu os primeiros portugueses que chegaram à foz do Rio Zaire e encontraram gente feliz, em comunhão com a natureza. Seres humanos que apenas se moviam para honrar a sua dimensão humana e nunca atrás de riquezas e honrarias (...) “De sorte que Alexandre em nós se veja,/ sem à dita de Aquiles ter inveja.” Estes são os dois últimos versos de Camões no seu poema épico. Os restos do império, que estrebucham na miséria moral, na corrupção e no embuste, deviam render-se à evidência. Angola não é um joguete! Nós somos Aquiles! Tão grandes e vulneráveis como ele. Mas não tenham Inveja do nosso êxito, porque fazemos tudo para merecê-lo.»

A síndrome fatal da redacção única

João Gonçalves 4 Nov 12



«A maioria dos portugueses informa-se pela TV. A queda de tiragens da imprensa, sendo a principal excepção o CM, indica que muitos portugueses não podem pagar ou não sentem os jornais que temos como "seus". Assim, os jornalistas deveriam reflectir sobre as suas próprias responsabilidades na crise da imprensa. Seria bom que a Conferência dos Jornalistas, no dia 24, não iludisse essa questão, ficando-se por lamúrias e reivindicações. Cada vez mais portugueses prescindem de comprar jornais por acederem a informação de forma quase gratuita na TV e na Internet, considerando-a suficiente para o nível de cidadania que se atribuem: por considerarem que alguns jornais pouco acrescentam ao que já leram ou ouviram ou por apenas reproduzirem valores hegemónicos dos poderes; por os jornais não lhes proporcionarem, por norma, informação que considerem valiosa. A maior parte da informação repete-se de media em media. Por isso, ganhou importância o espaço de opinião dos media: é dos poucos conteúdos em que cada um deles se distingue. No debate [Prós e Contras de dia 29 de Outubro, na RTP] , referiu-se que os blogues não são jornalismo, o que é verdade: mas encontramos neles e noutros sites na Internet, quer muita informação que os media não divulgam apesar de verdadeira e relevante, quer análises muito interessantes. Os jornais que fazem jornalismo alternativo ao da TV e atendem ao interesse geral são aqueles que têm resistido mais à crise e ao desinteresse dos cidadãos. Só vejo dois caminhos para os jornais: cobrarem pelos conteúdos na Internet e, em alguns deles, deixarem de escrever só para os amigos e procurarem com coragem informação alternativa à das TV.»

 

Eduardo Cintra Torres, CM

Ersatz

João Gonçalves 12 Ago 12

Passar um dia sem ler um jornal faz quase tão bem como beber litro e meio de chá de folha de abacateiro.  E parece que não perdi nada.

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