Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A "situação"

João Gonçalves 14 Out 12

 

A sicn providenciou, aos espectadores com paciência para o efeito, uma entrevista com Jorge Sampaio. Sampaio veio integrar a vasta brigada de responsáveis pelo regime nas últimas décadas que anda a sais de frutos por causa da "situação". Independentemente da pertinência de algum do argumentário, a "situação" não nasceu de geração espontânea ou ontem à noite. Houve um "processo" - que começou no famoso "processo revolucionário em curso" de 74 e 75 - no qual praticamente toda a brigada esteve envolvida em momentos diversos. Mota Amaral, por exemplo, está sentado no parlamento desde 1969 e foi o único "sobrevivente" da ala liberal a aceitar lugar na lista da ANP, em 1973, quando Sá Carneiro, Balsemão e outros já tinham percebido que não valia a pena. Do PC ao PSD, do CDS aos "independentes", dos bloquistas ex-tudo aos lugares mais altos ou baixos do Estado, salvo os que entretanto morreram, chegámos aqui com todos. O regime resume-os a todos e todos resumem o regime. Nesse sentido, revelam-se mais "profissionais" do que a generalidade dos incumbentes que recusa a preeminência da política sobre outras ciências sociais com os resultados pouco auspiciosos que se anunciam. Não estou a manifestar nada que não proteste, incansavelmente, de segunda a sexta-feira junto de quem de direito. Por isso me custa um bocado ver Sampaio - que deu corpo político à execução liminar de uma maioria parlamentar em dois tempos, empossando um 1º ministro que não foi a votos e, depois, correndo com ele em momento mais adequado à sua "família" partidária - como mais um extraordinário "pensador" da "situação". Vasco Pulido Valente, após ter lido 1,6 kg da biografia de Jorge Sampaio, define-o. E, com ele, define a verdadeira situação.  «José Pedro Castanheira, com uma paciência sobre-humana, descreve os milhares de vezes que se reuniram, em casa deste ou daquele, para discutir a intriga do dia ou futilidades sem nome e sem propósito. Eram uma igreja. Ambiciosa, ainda por cima. Mas como Sampaio, num excepcional momento de franqueza explicou, 30 amigos certos valem bem três mil militantes na rua. E, nesse ponto, acertou: não mais que 30 amigos conseguiram que ele finalmente chegasse a Belém, onde a vacuidade final do grupo se manifestou em todo o seu esplendor.»


Este Sampaio, quase sempre ausente em parte incerta devido aos múltiplos afazeres internacionais, cada vez que aparece reforça a imagem imortalizada por Paula Rego. É um homem que praticamente não chega com os pés ao chão.

REDONDILHA

João Gonçalves 22 Mar 11


Faltava este e a "hecatombe". Não haverá cursos de 30 minutos contra o ridículo?

A PALAVRA PEQUENINA

João Gonçalves 4 Mar 11


O dr. Jorge Sampaio, representante da ONU para qualquer coisa e que presidiu a parte do descalabro presente, descobriu que Portugal está "em apuros". Sampaio, recorde-se, permitiu algumas das extravagâncias que nos conduziram até aqui. Permitiu que Guterres, gasto e sem chama, se arrastasse, de 1999 a 2001, no famoso "pântano" que ele próprio acabou por denunciar. A seguir, em 2004, designou o fugitivo Barroso uma "honra nacional" em Bruxelas e nomeou, para lhe suceder, um 1º ministro escolhido na secretaria partidária e não sufragado pelo país. Finalmente, farto dele e com luz verde do seu partido de origem, dissolveu uma maioria parlamentar e abriu o caminho a Sócrates. "Apuros" é, por consequência, uma palavra pequenina para descrever aquilo em que Sampaio, com muitos outros antes e depois dele, nos meteu.

SÓ FALTAVA ESTE

João Gonçalves 15 Jul 10


A redacção de Sampaio mais parece de um concorrente a porteiro da ONU do que de alguém que foi Chefe de Estado durante dez anos. Enquanto o regime não for presidencialista, arriscamo-nos a que os sucessivos detentores do cargo se enredem em "diagnósticos" e em trivialidades pastorais sobre a nação e os seu "futuro" quando, afinal, foram eles e a sua voluntária inépcia constitucional quem mais "garantiu" este presente contínuo e, no fim da linha, "este" Sócrates. «Os portugueses desejam e merecem melhor», escreve Sampaio com a candura de uma vestal. Pois claro. O senhor não teve dez anos para tratar disso?

SAMPAIO E A "QUALIDADE"

João Gonçalves 21 Abr 10


Um tipo acorda, normalmente mal disposto, liga o rádio e sai-lhe o dr. Sampaio em defesa da "qualidade" da democracia contra os "interesses corporativos". É coisa para dar cabo do dia até a um surdo. O único ex-presidente que não sofre de incontinência verbal é Ramalho Eanes. Os outros dois socialistas - que "apanharam" isto em velocidade de cruzeiro - julgam-se génios nacionais postos nos cornos da lua e, volta não volta, aí os temos com as suas vacuidades pseudo-subtis como se os dez anos que cada um presidiu a isto não tivessem chegado. Infelizmente o que os trinta e seis anos de regime produziram em matéria de elites são lugares-comuns ambulantes como estes. Uma vaga corda internacional que lhes deram permite que se exibam recorrentemente como os oráculos da Amadora para a política nacional. Ora se não há "qualidade" nesta porcaria - e se, pelo contrário há mais porcaria do que qualidade seja do que for - também a gente como Sampaio tal se deve. Bem como a prosperidade dos "interesses corporativos" que tem várias encarnações tais como o "filhismo", o "primismo" ou o "aparelhismo", tudo fruta podre do mesmo cesto. Por isso, dr. Sampaio, vá maçar outros que por aqui estamos relativamente cheios do vazio complacente que V. Exa. tão eloquentemente encarna.

A LERDICE DE ESTADO

João Gonçalves 21 Mar 10


Li aqui, na net, no site do Público, uma entrevista surrealista de Jorge Sampaio. Lê-se e pergunta-se (pergunto-me) como é que aquele homem pôde presidir a isto durante dez anos. O que diz sobre o governo Santana Lopes (a irresponsabilidade do que diz quando refere a sua "ansiedade" (sic) na altura), o que diz acerca dos poderes presidenciais e das "sereias do presidencialismo" (sic) e o que diz - ou não - sobre o estado a que tudo chegou e que resume em "dizer não a homens providenciais" e em dizer sim a "compromissos", no fundo, às suas "ansiedades", não revela um homem de Estado. Revela uma lerdice imperdoável.

ORAÇÃO DE SAPIÊNCIA

João Gonçalves 24 Jan 10

A Universidade de Coimbra prodigalizou um doutoramento honoris causa ao nosso dr. Sampaio. No acto, Sampaio manifestou-se incomodado com as permanentes mexidas na justiça. Disse que a sua suposta "reforma" é incompatível com imediatismos. E disse bem. Mas é "oração de sapiência" que Sampaio deveria ter proferido no Largo do Rato. O PS está quase ininterruptamente no poder vai para quinze anos, todos eles, com a excepção dos últimos, presididos por Sampaio. Nestes anos, o PS teve mais "políticas" para a justiça do que ministros. Nenhuma delas foi coerente com a que a antecedeu. E, na altura, Sampaio não se preocupou excessivamente com "imediatismos" ou com aquelas incoerências. O regime alimenta-se da instabilidade legislativa e da insegurança jurídica com as quais Sampaio conviveu, como PR, na perfeição. Queixa-se, agora, de quê?

A MARCA

João Gonçalves 1 Nov 09

Por falar em mortos, Jorge Sampaio - esse modelo de zombie político que começou a carreira nos muros da Alameda da Universidade a tartamudear e a dar aos pezinhos contra o regime - decidiu "recordar" as eleições de 1969, segundo ele, «uma marca em Portugal numa altura em que a oposição tinha uma perspectiva de trabalho conjunto». Passaram quarenta anos e ele, pelos vistos, persiste em fazer de Bourbon restaurado que, como explicava Talleyrand, nada esqueceu ou aprendeu entretanto.

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Últimos comentários

  • João Gonçalves

    Primeiro tem de me explicar o que é isso do “desta...

  • s o s

    obviamente nao é culpa do autor ter sido escolhi...

  • Anónimo

    Estou de acordo. Há questões em que cada macaco se...

  • Felgueiras

    Fui soldado PE 2 turno de 1986, estive na recruta ...

  • Octávio dos Santos

    Então António de Araújo foi afastado do Expresso p...

Os livros

Sobre o autor

foto do autor