Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

 

Há vinte e cinco anos, neste dia, Herbert von Karajan recebia uns empresários japoneses na sua casa na Áustria. Viram-no morrer com um ataque cardíaco fulminante. Afirmá-lo como "um dos maiores dirigentes de orquestra de tal e tal" seria uma grosseria imperdoável. Karajan ainda viveu o suficiente na era que transforma burgessos em génios, e génios em burgessos, pelo que deve evitar-se qualquer confusão. Tal como para Cioran Deus seria sempre uma entidade de terceira categoria se não tivesse existido Bach, a música do século XX (e vindoura) não teria sido a mesma - isto é, os compositores e os seus intérpretes - se não tivesse existido Karajan. Intransigente, despótico e autoritário, como lhe competia, traçou a bissectriz ideal entre o pathos e o bathos das suas interpretações. Arrancou às orquestras, e aos intérpretes que dirigiu, sonoridades e fulgurâncias que a maior parte das suas gravações, audio e audiovisuais, preserva. "Manipulou", com uma inteligência musical única, as partituras até ao limite, razão pela qual alguns "puristas" o detestavam e a ele preferiam, por exemplo, um Böhm supostamente mais "certinho". As "integrais" das sinfonias de Beethoven são caprichosamente distintas: não é o mesmo ouvi-lo com a Philharmonia Orchestra ou com a Filarmónica de Berlim nos anos 50, 60 ou 80. Também por causa de uma ainda menina "imposta" como solista a esta Orquestra - Anne Sophie Mutter -, os músicos da BPO e Karajan romperam uma jornada gloriosa de afortunada cumplicidade aparentemente só retomada quase no fim. De Salzburgo a Viena, de Berlim à América, de Beethoven a Brahms, de Dvorak a Holst, de Verdi a Puccini, de Mozart a Donizetti, de Wagner a Strauss, Karajan deixou nos palcos e nos estúdios um legado indisputável, sem epígonos. Músico completo e perfeccionista, cedo absorveu o poder da imagem como demonstrou recentemente um documentário do canal ARTE . Fisicamente baixo, com uma voz roufenha, amante de castelos, aviões, carros e de mulheres mais jovens, o Maestro não era sobretudo "demasiado humano". Uma coisa é certa. Estava para além do bem e do mal e não se confunde com a enxovia generalizada em que tudo se tornou. Quem se habitou a amá-lo desde cedo, não pode escolher melhor companhia. A obsessão feliz pela imagem passava por querer "perpetuar-se" como parte dessa lux aeterna que ilumina a noite do mundo das nossas vidas. Teve todo o direito.

Grandeza

João Gonçalves 13 Jul 13

 

Herbert von Karajan dirige a abertura de O Navio Fantasma, de Richard Wagner

Majestático

João Gonçalves 5 Abr 13

 

«Ocorre hoje o 105º aniversário do nascimento do maestro Herbert von Karajan, um dos mais notáveis chefes de orquestra do século XX. De ascendência greco-macedónica, nasceu Karajan em Salzburg, cidade do então Império Austro-Húngaro, tendo recebido o nome de Heribert, que mais tarde transformou para Herbert. Revelando-se um menino-prodígio ao piano, cedo enveredou pela direcção de orquestra, tendo dirigido, apenas com 21 anos a Salome, no Festspielhaus de Salzburg. Entre 1929 e 1934 foi Kappelmeister no Stadttheater de Ulm. Em 1934 dirigiu pela primeira vez a Orquestra Filarmónica de Viena e de 1934 a 1941 foi director musical do Teatro de Aachen, começando a ser convidado para a regência de orquestras no estrangeiro. Em 1937 dirigiu pela primeira vez a Filarmónica de Berlim e o Fidelio na Staatsoper de Berlim. Em 1938 assinou um contrato com a Deutsche Grammophon, empresa para a qual haveria de gravar dezenas de obras, num total estimado de mais de 200 milhões de discos. Membro do partido Nazi, Karajan manteve-se em Berlim durante a guerra, e ainda dirigiu um concerto em 18 de Fevereiro de 1945, após o que partiu para Milão, onde se instalou, com a protecção do celebérrimo maestro italiano Vittorio de Sabata. Em 18 de Março de 1946, a comissão para a desnazificação ilibou-o de qualquer culpa nos crimes do regime derrotado, reassumindo Karajan a sua carreira e dando, nesse ano, o seu primeiro concerto pós-guerra com a Filarmónica de Viena. Dirigiu igualmente no Scala de Milão, apoiou a formação da Philharmonia Orchestra de Londres e regeu no Festival de Bayreuth em 1951 e 1952. Em 1955 foi nomeado director vitalício da Orquestra Filarmónica de Berlim, sucedendo a Wilhelm Furtwängler. De 1957 a 1964 foi director artístico da Ópera de Viena. Ao longo da sua carreira, dirigiu óperas e concertos em quase todos os grandes teatros do mundo. Em 1968 regeu dois memoráveis concertos no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.»

 

Júlio de Magalhães, Do Médio Oriente e Afins

MOZART

João Gonçalves 5 Jan 12



Mozart. Requiem. Herbert von Karajan. Wiener Philharmoniker. Wiener Singverein. Anna Tomowa-Sintow, Helga Müller Molinari, Vinson Cole, Paata Burchuladze. 1986.

GRANDEZA OU O ENSINO DA ALTURA

João Gonçalves 30 Out 11



Estava aqui de volta de alguns livros e pego nas Crónicas no Fio do Horizonte, do Eduardo Prado Coelho. Reúne algumas crónicas do Público sob aquele título. Assisti à apresentação do livro (dia 7.10.04: sei-o porque foi no D. Maria e, a seguir, houve a estreia de No Papel da Vítima e o bilhete está dentro do livro) feita pelo José Manuel Fernandes, à altura director do jornal. Gosto muito deste pedaço que contrasta perfeitamente a grandeza declinada no clip com quase tudo (todos) o resto. «Michaux: "Sempre que a gente esquece o que são os homens, caímos na facilidade de lhes querer bem". Felizmente, há os ingénuos. São eles que nos ensinam a altura.»

DOIS GÉNIOS

João Gonçalves 9 Ago 10



Verdi, Il Trovatore. Callas,
Karajan. Teatro alla Scala.

GRANDEZA

João Gonçalves 9 Mai 10



MOZART, "DON GIOVANNI", Abertura. HERBERT VON KARAJAN, WIENER PHILHARMONIKER.

VERDADEIRAS NOVAS OPORTUNIDADES

João Gonçalves 2 Mai 10



Herbert von Karajan dirige a Berliner Philarmoniker em Meditation, da ópera Thaïs, de Jules Massenet. Anne- Sophie Mutter, a solista, tinha então treze anos.

«PER ME GIUNTO»

João Gonçalves 7 Fev 10



Este clip do Don Carlo, de Verdi, é uma homenagem à coragem, à amizade, à fidelidade e à fraternidade. É provável que não se entenda bem nos dias de hoje. Nenhuma delas. Piero Cappuccilli, José Carreras. Herbert von Karajan. Festival de Salzburgo. 1986.

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Últimos comentários

  • Gabriel Pedro

    Meu Caro,Bons olhos o leiam.O ensaio de Henrique R...

  • Maria Petronilho

    Encontrei um oásis neste dia, que ficará marcado p...

  • André

    Gosto muito da sua posição. Também gosto de ami...

  • Maria

    Não. O Prof. Marcelo tem percorrido este tempo co...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, no meio da abundante desregulação ...

Os livros

Sobre o autor

foto do autor