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portugal dos pequeninos

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A saga de um pobre país

João Gonçalves 20 Set 12

 

O acrisolado amor dos portugueses pelo futebol tem-lhes sido devolvido em horas e horas de bola - na versão bola propriamente dita e nos debates "profundos" que se seguem - pelos canais de notícias, no cabo, das três televisões generalistas. Confesso que nunca imaginei que o futebol merecesse tanto empenho linguístico, tanto "saber", em suma, tanta conversa de chacha. Pobre país.

É isto

João Gonçalves 28 Jun 12

Estava a ver a chegada dos rapazolas da selecção e deparo com o artigo semanal de M. M. Carrilho no DN. É isto, de facto. «O desporto condiciona hoje o imaginário de todos os povos do planeta, impondo-lhes um conjunto cada vez mais uniforme de representações a partir das quais eles concebem quase toda a sua existência. Como oportunamente o explicou Robert Redeker, é no desporto que se concentram em mais alto grau os factores de uma tal uniformização: o consumo desenfreado, o fetichismo das marcas, a pressão publicitária, o culto dos ídolos, a submissão aos media, a sloganização da linguagem, a histerização das multidões e o fanatismo da performance. Convergência que torna o desporto, e particularmente o futebol, no catalisador de uma humanidade cada vez mais unidimensional. (...) A grande transformação em matéria desportiva [deu-se] em meados do século XX, com dois acontecimentos: por um lado com o aparecimento da televisão, por outro lado com a emergência dos tempos livres. Foi esta convergência, do desporto com a televisão e com o lazer que definiu o fenómeno desportivo como hoje o conhecemos. Convergência que produziu um fenómeno de identificação cada vez maior entre as massas e o desporto, que toma a sua forma mais comum e mais intensa no futebol. Pode-se pensar, e com bons argumentos, que a identificação de qualquer selecção desportiva e dos seus resultados com qualquer tipo de desígnio nacional não passa, na verdade, de um ritual mais ou menos oportunista. Pessoalmente, nunca identifiquei nenhuma dessas selecções com a minha pátria, talvez porque tenha uma ideia demasiado exigente e valiosa do meu país, na variedade dos seus cientistas, desportistas, médicos, escritores, pintores, engenheiros, gente comum, etc., para o fazer.»

O anti-herói

João Gonçalves 21 Jun 12

O treinador Paulo Bento não se distingue particularmente pela loquacidade. Mas, convenhamos, não precisa dela para nada.

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Somos assim

João Gonçalves 17 Jun 12

Não gosto de bola mas apercebi-me que, em pouco mais de 72 horas, Cristiano Ronaldo passou de besta a bestial. Diante da Dinamarca, Ronaldo foi apodado de tudo - mimado, egoísta, sem espírito de equipa, etc., etc., nada aliás que ele não seja. Perante a Holanda, o dito cujo marcou já que é, suponho, para isso que andam ali às voltinhas noventa minutos. Eis que regressou imediatamente o "génio" do madeirense e, por consequência, o nosso. Para a semana, volta tudo à estaca zero, Ronaldo e nós também. Somos assim.

O frenesim vazio

João Gonçalves 7 Jun 12

 

Ontem calhou ver o programa Prova dos Nove da tvi24. Mesmo na discórdia com ele, acompanhar a inteligência irónica do Medeiros Ferreira é um empreendimento cognitivo indispensável. Tal como apreciar a combatividade polémica do Pedro Santana Lopes, aparentemente "isolado" perante os seus interlocutores mas com uma não desprezível capacidade de "falar" ao telespectador. O pupilar do professor Rosas francamente não me interessa. Vem isto a propósito do texto do Medeiros no Correio da Manhã sobre a selecção que também foi tema no programa da tvi24. Não vale a pena disfarçar. Há um ambiente de mediocridade e de indiferença que rodeia os prolegómenos da exibição dos rapazolas que começa já no sábado contra a Alemanha. Por mais que os OCS, em particular as televisões, se espremam, o Medeiros tem razão. «Nesta fase de preparação, até à partida para a Polónia, houve mais ‘eventos’ do que concentração e treino. O treinador Peseiro teorizou a prática das folgas de Óbidos ao afirmar ontem que, para além da recuperação da forma dos atletas, pouco mais se pode fazer de útil nesses estágios com jogadores dispersos e saturados. Seja. Mas nesse caso, só se devia empregar um preparador físico e um especialista em tédio de grupo…» E Pacheco Pereira também. «A tempestade perfeita do futebol atingiu a SICN e todas as outras emissoras (a começar pela RTP que é suposto ser um "serviço público" e ter uma  programação distinta, mas que é a primeira a passar horas e horas de logomaquia futebolística...) . Por isso, os horários de todos os programas estão generosamente subvertidos.» Valerá a pena este frenesim vazio?

FORAM SEIS

João Gonçalves 12 Jan 12

Não gosto de bola. Mas achei alguma piada que o novo presidente da Liga Portuguesa de Futebol tivesse sido eleito à revelia dos três clubes santarrões que apoiavam o derrotado. Por um voto se ganha, por um voto se perde. Foram seis.

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O REGRESSO DO EMPLASTRO

João Gonçalves 15 Nov 11

O grande momento da noite televisiva transmitida a partir de Benfica foi, sem dúvida, o regresso do "emplastro". Lá andava ele a rondar todas as câmaras de todas as televisões, silencioso e estático, antes da coisa começar. Os adeptos ruidosos que aparecem a pular no fim, sem conseguir dizer coisa com coisa, têm algo a aprender com o nosso homem.

UMA LIÇÃO E UM AVISO CUMPRIDOS

João Gonçalves 14 Set 11


Sei perfeitamente que isto é de uma incorrecção política a toda a prova. Mas há muito tempo que não via a zona de Benfica tão "cercada" por automóveis estacionados nos locais mais inverosímeis por causa da bola. E, sobretudo, por tantos automóveis. Em Março de 1995, Pulido Valente prodigalizava - precisamente numa medonha quarta-feira "europeia" (que ironia, esta adjectivação) - «sob a ameaça de ser cercado por uns milhares de fanáticos e não poder sair para um jantar irresponsavelmente combinado para esta noite (eu regressava pacatamente para o meu, em casa)». Terminava com uma "lição"e um "aviso". Lição: «o futebol anuncia o futuro.» Aviso: «a «Europa» e o mundo levarão a nata e nós ficaremos com as sobras.» Anunciou. E levaram.

Detesto bola. Mas ainda consigo detestar mais os homúnculos que fazem da bola uma coisa lamentável e rasca. Apagar as luzes de um estádio com as condições técnicas como o do Benfica (seguido de sistema de rega activado) para apoucar o inevitável - a celebração da vitória do FCP - é uma javardice própria de incivilizados. Se fosse ao contrário, também era. Mas não foi. Um abraço aos meus amigos desta bancada.

A ESTACA

João Gonçalves 27 Jan 11

Gilberto Madail, ao arrepio do que tinha pensado (?) fazer, deverá recandidatar-se à federação da bola. Madail é um bom exemplo daquilo que é o pessoal do regime. Uma estaca em busca da mumificação em vida.

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