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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Ganhar juízo

João Gonçalves 8 Set 14

 

O único candidato verosímil que o centro-direita tem para apoiar (ele não precisa que o "apresentem", de babujar "apoios" ou, sequer, de esperar que o "informem": um Presidente segue sempre na frente e não atrás das cadeiras do parlamento ou dos governos) em 2015-2016 para Belém - Marcelo Rebelo de Sousa - foi muito claro no comentário televisivo semanal que deverá "largar" daqui a 7 ou 8 meses. É preciso acabar com o «discurso quadrado de execução orçamental» e «é tempo do PSD e CDS entenderem-se e passarem a ter um discurso conjunto de crescimento» que passe por, «se houver folga e parece que pode haver, dar um sinal no IRS». O dr. Passos, coligado ou não, experimente ir a eleições ferrado na "quadratura" da execução orçamental, e no défice, e vai ver o que lhe acontece. Que figura tem andado a fazer nos Conselhos Europeus? Até por ser insuspeito em relação ao CDS, acho que Portas não deve "largar o osso". As pessoas de facto não comem "eleitoralismo" mas não entendem como é que continuam as "folgas" de milhões nas rendas, nas PPP's e nos fornecimentos de serviços externos ao Estado, ou a entidades dele directamente dependentes como a RTP, e não há "folga" para calibrar racionalmente o nível de fiscalidade das pessoas singulares a roçar e, em alguns casos, a ultrapassar o puramente confiscatório. Até porque os famosos "sinais" são precários. Ganhem juízo.

Escolas primárias

João Gonçalves 2 Set 14

Parece que Pedro Santana Lopes, num canal de tv de que não disponho, sugeriu que as eleições primárias do PS pareciam uma "escola primária". Talvez. Mas as proto-primárias da "direita" para as presidenciais também não andam longe disso. Está-se na "fase" (para recorrer a um termo freudiano) de ver quem é que agrada mais ao senhor primeiro-ministro. De ver quem é que pode entrar no "quadro de honra" do dr. Passos através do dito e do não dito. O único, com todos os defeitos das suas qualidades e vice-versa, que já saiu (sem sair) dessa "gramática" é Marcelo. Até porque é o único que tem reiteradamente afirmado que não serve para "presidente parlamentarista". Libertem-se do paizinho, primeiro, e depois logo se vê.

À procura do candidato perdido

João Gonçalves 19 Jul 14

 

«O perfil do candidato às presidenciais de 2016 tem de ser o de um estadista, segundo os sociais-democratas. “Não pode ser uma pessoa que tenha pactuado com os branqueamentos que aconteceram nos últimos 30 anos”, disse ao PÚBLICO uma fonte do PSD. Um candidato que “esteja acima das suas ambições pessoais”, acrescenta a mesma fonte.» Esta "fonte do PSD" viverá em que planeta? Não há praticamente ninguém no PSD - tal como no PS, sobretudo, ou mesmo no CDS para já não falar, à sua medida, no PC e na extrema-esquerda "parlamentar" que desaguou no desmembrado Bloco - que não "tenha pactuado com os branqueamentos que aconteceram nos últimos 30 anos", seja a nível central, local ou regional. Todavia, convinha que a "fonte" esclarecesse o que entende por "branqueamentos". Dito assim, o que parece que a "fonte" está a sugerir é que não pode haver mais "Cavacos", mais "Sampaios" e mais "Soares" já que Eanes saiu de Belém no princípio de 1986. Dos putativos "interessados", é evidente que, sem um módico de "ambição pessoal", nenhum chega lá. Marcelo só apareceu no último congresso do PSD no Coliseu por causa disso e não para se aliviar com meia dúzia de graçolas. Barroso não pára de ir e vir, até mesmo a locais remotos da "província" para descerrar lápides com o seu nome, pelo mesmo precaucionatório motivo. Rio anda a ver se "cresce" do Porto para baixo, qual Fabrizio del Dongo perdido em plena batalha, e Santana Lopes, nos intervalos da sua boa prestação como provedor da SCML, não pensa muito legitimamente em outra coisa. De todos, Santana é, em certo sentido, o mais livre e o mais estimulante até pela maneira como aprecia "desconstruir" politicamente os restantes três. A sua maior limitação, quase do foro freudiano-político por causa do que aconteceu há dez anos, consiste em representar o PR como uma espécie de alto comissário do regime "subordinado" ao primeiro-ministro. Ora ninguém vota para eleger um mordomo. Mesmo assim, a entrevista que concedeu ao Expresso é muito inteligente - oxalá o PSD da "fonte" a "saiba" ler - e ajuda a colocar Santana num futuro político necessariamente distinto da aridez e da mesmice do presente e do passado do regime. Com a vantagem de, com a sua autenticidade tantas vezes ingénua e voluntarista, não ter de ir a correr "branquear" coisa alguma.

 

Foto: Luís Barra

EM DEFINITIVO

João Gonçalves 4 Dez 11



«Convém perceber que os fins de Sá Carneiro eram dois. Primeiro, levar a direita (o PPD e o CDS) ao poder e, segundo, acabar com a tutela militar a que Portugal estava submetido. Talvez seja inútil explicar que se o poder ficasse indeterminadamente nas mãos da esquerda que se opusera à ditadura, e só nas dela, não tardaria que se criasse a ideia de que não assistia ao PSD e ao CDS qualquer legitimidade para governar e o regime democrático ficava à partida liquidado. As maiorias de 1979 e de 1980 e a genérica moderação da AD (que se absteve de perseguir fosse quem fosse e respeitou meticulosamente a lei) legitimaram a direita em definitivo.»

Vasco Pulido Valente

FACTOS E IDEOLOGIAS

João Gonçalves 7 Ago 11


O Público em papel dedica duas páginas a uma coisa que intitula "redefinição da social-democracia é central para o futuro dos partidos socialistas europeus". O "empurrão" para o texto (de São José Almeida) é a mudança no cargo de secretário-geral do PS e os protagonistas do mesmo são "personalidades do PS que foram críticas de José Sócrates". Com o devido respeito pelas "personalidades" em causa (duas delas, aliás, são minhas amigas), a tão esperada "refundação" do PS (Mário Soares), avistada pelo lado teórico dela, mais parece um regresso ao passado doméstico do que uma preocupação genuína com o futuro da social-democracia. De facto, o PS, entre 1974 e 1976, estabeleceu-se cá dentro e lá fora como o partido epígono dos congéneres europeus, tivessem eles a designação de "socialistas" ou de "social-democratas". Soares impediu a filiação, desejada por Sá Carneiro, do então PPD na Internacional Socialista e entreteve-se a "denunciar" o "reaccionarismo" do homem (bem com a sua intermitente "loucura") pelo estrangeiro. O líder do PSD percebeu e exercício mas chegou a propor Belém a Soares, em 1976, e só com o desempenho político e governativo de 76 a 78 concluiu pelo rompimento com a menor veleidade de entendimento com Soares e o seu "sonho mexicano". O PPD/PSD acabou por se forjar em casa, sem complexos ideológicos. Menos de cinco passados sobre o 25 de Abril, Sá Carneiro, com Freitas do Amaral e os Reformadores, conduziu o centro-direita ao poder sem demasiados estados de alma. A história do PS daí em diante é conhecida. Sá Carneiro desapareceu tragicamente, Soares regressou para chefiar o "bloco central" que morreu às mãos de Cavaco - Cavaco retirou-lhe quaisquer veleidades de apropriação exclusiva do programa social-democrata graças, também, à entrada na Europa promovida pelo primeiro -, Guterres e os seus "estados gerais" só apareceriam dez anos depois e, em 2004, chegou Sócrates que triunfou pelas circunstâncias ocorrentes e em nome de um pragmatismo incolor e absolutista que durou seis anos, desertificando o partido, anulando-o. O PS descaracterizou-se ao ponto de o país, a 5 de Junho último, não o reconhecer. Nunca teve o monopólio da social-democracia porque, apesar das filiações e das amizades internacionais, a social-democracia, em Portugal, sempre foi como o cozido: é "à portuguesa". Cavaco Silva, por exemplo, fez mais pelo reformismo (a "matriz" social-democrata e não o "estado social" que é coisa que dá para tudo e para nada) do que anos e anos de "ideologia", fosse ela a do punho ou a da rosa no ar. Das seis "personalidades" escolhidas pela jornalista São José Almeida, quais é que são social-democratas? Ana Gomes? Manuel Alegre? Carrilho leu e trouxe o filósofo social-democrata americano Richard Rorty a Portugal e foi o único ministro da Cultura "reformista" do regime. Medeiros Ferreira levou-nos para a Europa, como MNE, e em nome da flexibilização do sistema económico e da evolução do sistema político, fez um acordo com Sá Carneiro em 1979 que permitiu alargar a base de apoio "reformista" da então AD. Em 2011, o PS - à semelhança dos homólogos europeus e extra europeus - deixou de ter o monopólio dos valores da "igualdade" e da "solidariedade". Pelo contrário, foram justamente partidos equivalentes europeus - e o PS de Sócrates - que mais contribuíram para "enterrar" os referidos valores, para excitar o "individualismo" e o "mercado" nas suas mais repelentes facetas e para diabolizar o Estado enquanto manifestação equilibrada de soberania e autoridade democráticas junto de uma sociedade dita civil que só se sabe emancipar nos livros e na retórica reivindicativa de dois ou três negócios florescentes. Os pobres ficaram mais pobres e os ricos ficaram mais ricos depois das terceiras, quartas e quintas "vias" socialistas europeias. E a vida das pessoas foi objectivamente puxada para baixo. Isto é um facto. Não é uma ideologia.

«Salazar, num momento de particular malevolência, observou que era tanto o amor dos portugueses pela democracia que, sempre que surgia um sarilho (por exemplo, uma crise financeira), nunca deixavam de exigir um governo “nacional”: ou superpartidário ou extrapartidário ou, pelo menos, de “concentração partidária”. Foi isso que exactamente fizeram ontem 47 luminárias da nossa praça, que numa linguagem mais moderada (ou mais disfarçada), como convém à época, apelaram ao compromisso, à concórdia e à mansidão dos portugueses, para que uma “maioria inequívoca” pudesse tranquilamente salvar Portugal. Estes grandes vultos vão de Adriano Moreira a Jorge Sampaio, de Artur Santos Silva a Eduardo Lourenço e de Freitas do Amaral a Mário Soares. Não falta por onde escolher. Entretanto, o político mais “desagarrado” do poder (desculpem a palavra) ia a Matosinhos tratar da sua periclitante situação. “O PS está todo comigo?”, perguntou ele. O PS estava fervorosamente, absurdamente, histericamente com ele. Este jornal classificou a coisa como “um extraordinário momento de propaganda”; e com razão. Não me lembro de ouvir nenhum primeiro-ministro pedir com tanto descaro num congresso a confiança pessoal, que Sócrates pediu. Ou, se por acaso me lembro, é melhor não infectar a ferida. De qualquer maneira, se o PS gosta de um autocrata, nada o impede legalmente de escolher um. Ainda por cima, aquele que tem uma máquina de campanha organizada e perfeitamente ensaiada e uma estratégia eleitoral que, talvez seja fraudulenta, mas parece eficaz. Claro que a um observador racional não custa ver a solução evidente para a terrível crise, que atormenta os 47 advogados do compromisso: uma coligação entre o PSD e o CDS, com listas conjuntas. Por um lado, há razões para desconfiar que, dividida, a direita (ou se quiserem a direita e o centro-direita) não irá conseguir a maioria absoluta e produzirá um parlamento tão instável e estéril como o último. E, por outro, subestimar Sócrates, que voltou ao seu velho papel de “animal feroz”, não é muito sensato. Uma forte e sólida aliança entre o CDS e o PSD estabeleceria uma certa confiança e ordem no Estado e no país, sem derivações suspeitas das regras da democracia e o conúbio torpe de gente que do coração se detesta. Pedro Passos Coelho precisa de perceber isto enquanto é tempo; e parar de uma vez com o joguinho interno em que se perde e nos perde.»

Vasco Pulido Valente, Público

QUE LINDO "MOVIMENTO"

João Gonçalves 26 Mar 11


O Expresso traz uma entrevista curta com Pedro Santana Lopes. Para utilizar uma expressão recentemente grata a Medeiros Ferreira, Lopes não sabe recolher a quartéis. A mini-entrevista é uma espécie de oferta de uma caixinha de After Eights a José Sócrates, um recuerdo de um "injustiçado" a outro "injustiçado". Sócrates destruiu Lopes na urnas, há seis anos, mais isso não interessa nada a Lopes. Sócrates, de mão dada com Constâncio, arrumou-o numa vasta prateleira de irresponsabilidade, mas isso agora também não interessa nada. Não. Para Lopes o que conta presentemente é estar contra os "seus" e "compreender" o sofrido Sócrates em regime demissionário e de gestão. Esta é a primeira parte patética da coisa. A segunda, é o "movimento (?)" que ele está a preparar e cujo destino não ser será difícil de adivinhar. Finalmente, Cavaco. Lopes odeia Cavaco (é um direito humano) e o momento em que refere o PR é aquele em que o delíquio por Sócrates (a "compreensão") se torna mais pungente. Porque é a "experiência comum" com Sócrates, a "tensão" com o PR, uma coisa que "tem de acabar na próxima revisão constitucional" pois, diz Lopes, "não há mais nenhum país em que o Presidente possa dizer mal do seu Governo." Lopes, um proto-candidato a Belém em 2016, parece almejar um PR cego, surdo e mudo, não apenas limitado pela actual constituição parlamentarista, mas um verdadeiro eunuco político nas mãos do caprichismo voluntarista dos primeiros-ministros. Que lindo "movimento".

CONTRA A DIREITA DO "PERDOA-ME"

João Gonçalves 19 Mar 11

A derradeira coisa que o país precisa é de uma "direita" chorona, mesmo pequenina, com delíquios "corin tellado" em estilo "perdoa-me".

PREPARAÇÕES E EXPERIÊNCIAS

João Gonçalves 22 Fev 11


Vejo Pedro Santana Lopes muito preocupado com a falta de experiência e a "impreparação" de Passos Coelho. Em apenas alguns dias, sugeriu por duas vezes que Rui Rio, graças ao seu já longo desempenho autárquico, sempre seria, a título exemplificativo, "diferente". Sou insuspeito em relação a Passos (é o que há) mas parece-me que, salvo numa ou outra infelicidade de formulação, tem sido sensato. Não tem pressa o que quer dizer que talvez, e para variar dos derradeiros anos, esteja mesmo interessado em "preparar-se". Rio perdeu a sua oportunidade quando desistiu para Ferreira Leite depois de ter dito "sim" (para além disso não é certo que consiga "crescer" do Porto para o país). E Ferreira Leite passou como passou o próprio Lopes, tendo servido de pouca coisa a "experiência" de ambos na hora da verdade. Mal vai entretanto um partido que não consegue libertar-se da "síndrome trituradora interna" face a um opositor tenaz como Sócrates. E que persiste, pela voz "autorizada" de ilustres militantes, nos tirinhos de feira destinados ao pé.

CRÓNICAS DE MORTES E VITÓRIAS ANUNCIADAS

João Gonçalves 7 Fev 11


Directamente da prestigiada democracia angolana que possui vasta parte da ex-Metrópole, o prof. Marcelo assegurou que o governo está "morto". Bastou uma entrevista radiofónica do líder do PC (quem diria) - na qual admitia votar favoravelmente uma moção de censura do PSD -para Marcelo endossar a Passos Coelho o papel de futuro (próximo) atestador do referido óbito. Hoje de manhã, pela fresquinha, a dra. Paula Teixeira da Cruz (nº 2 de Passos), também pela via radiofónica, não se mostrou tão segura acerca destas pompas fúnebres. E bem. A "direita", se fosse a curto ou a médio prazo para o governo, ia repetir, eventualmente com duas ou três almas novas apenas, o improviso de 2002/2004 que custou ao país estes anos de chumbo de Sócrates. Sabe-se que os Marcos - e, até, alguns intelectualmente a milhas dos Marcos mas com uma ambição parecida -, andam há muito a babar-se por todo o lado à espera da papinha e da prebenda. Sucede que não subscreveria assim tão rapidamente nem a morte anunciada de Sócrates nem a voracidade estúpida de algumas franjas da "direita" em regressar a um posto onde, da última vez, não foi feliz. E não estou a ver Cavaco interessado em começar um segundo mandato a gerir imediatamente uma crise política. Tem tempo.

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