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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O que falta em autoridade nas escolas, nas ruas (salvo na obsessão persecutória contra os condutores de automóveis na cidade), nas famílias - em suma, a falta de uma coisa que um jurista famoso apelidou de sentimento jurídico colectivo - sobra em propaganda destemperada, em criancismo brutal, em engraçadismo idiota. A violência evidenciada alarvemente na internet é um sintoma demasiado burgesso disso. Quando a correcção política e social sai do papel e pára em pessoas (não exactamente em pessoas, antes em pedragulhos com olhos) desfaz-se o mito do "bom rapaz" e do "bom selvagem" alimentado desde sempre pela pior filosofia política, a do optimismo antropológico, que consegue, até, descortinar crianças num boi, numa vaca ou num penedo. É indispensável baixar a idade da imputabilidade penal. Se os monstros e monstras têm idade suficiente para "brincar aos médicos", para vadiar em vez de ir à escola, para incomodar os outros com a sua grosseria de bando, então não são eles quem está "em risco", essa desculpa "democrática" inventada por brigadas "multidisciplinares" e "comissões" criadas a torto e a direito para nada. Quem está em risco é a sociedade. E a possibilidade de uma ideia cada vez mais reduzida de civilização.

SUGESTÃO DE TERTÚLIA

João Gonçalves 30 Ago 10


Quando é que a esquerda modernaça - para variar do Gatto Pardo ou dos hotéis da Avenida da Liberdade - organiza uma tertúlia na Quinta da Fonte, a Loures, para celebrar os esplendores do "multiculturalismo"? Convém proteger a jugular com encharpes "griffadas", o cheiro que não suportam com chanel 5, não levar os blackberry e os i-qualquer coisa e evitar saltos altos. Nada de decotes ou vestidos Prada a imitar batas a cinco euros. Em caso de aflição, podem sempre distribuir livrinhos sobre bairros problemáticos, editados pela tinta da china, e aulas de poesia da quetzal entre os tiros e a competente queima de viaturas. No fim, limpem as mãos aos "contratos locais de segurança" do famoso dr. Pereira.

DA AUTORIDADE ENQUANTO METÁFORA

João Gonçalves 6 Jul 09

Ia dizer qualquer coisa sobre os tiros perpetrados sobre dois agentes da PSP, na Amadora, mas o Tomás Vasques (insuspeito, ao contrário de mim, aos olhos da"esquerda" dos coitadinhos dos bandidos e ladrões) já disse o que havia a dizer. Há mais de um ano, e agora no livro ali à direita, recordei uma evidência aparentemente inalterada. «Os palhaços da "esquerda baixa" que se "indignam" com a "violência policial" deviam meditar - se é que têm cabeça - no que se passa na nossa "livre" sociedade. Tão "livre" que a ideia de "agente de autoridade" arrisca tornar-se pura metáfora.» A metáfora, pelos vistos, continua.

LIXO IMPORTADO

João Gonçalves 19 Set 08

Para que servem presentemente os serviços de informações? Quando penso que Rui Pereira já mandou neles, enfim. Todavia, entre outras coisas, deviam servir para prevenir bandos como o alegado "primeiro comando de Portugal", um bando criminoso constituído essencialmente (ou exclusivamente) por brasileiros. Não tenho nada contra os brasileiros em abstracto mas tenho tudo contra a presença em Portugal de mais criminosos para além dos inevitáveis domésticos. O SEF e os serviços de informações estão a trabalhar mal. Entra quem não deve e permanece quem não podia ter entrado. Abertos sim, mas não tão escancarados.

FINALMENTE

João Gonçalves 4 Set 08

O Ângelo Correia conseguiu dizer qualquer coisa de jeito, na Visão: «Há [uma relação entre crime e imigração] na medida em que se nota a presença, sobretudo, de máfias de leste e brasileiras.»

SUMÁRIO

João Gonçalves 29 Ago 08

Desculpar o criminoso, culpar a sociedade e desprezar a vítima. O Paulo Portas resumiu bem a coisa.

"O QUE É QUE SENTIU?"

João Gonçalves 28 Ago 08


O senhor conselheiro Pinto Monteiro anunciou a criação de umas "unidades especiais" dentro de quatro DIAP's, salvo erro, para "combater" a criminalidade violenta. O senhor dr. Rui Pereira, o MAI, anunciou uma alteração à chamada "lei das armas" no sentido de "facilitar" a detenção, seguida de prisão preventiva, dos malandrins apanhados em delitos com recurso a armas de fogo. Estes melancólicos gestos burocráticos raramente resolvem alguma coisa. A PGR habituou-se a "responder" aos apertos com papéis e "grupos de trabalho". E o governo legisla sempre mais um bocadinho. Não é por acaso que, ao perguntarem na televisão a um cidadão de Odivelas "o que é que sentiu" quando teve uma pistola apontada à pinha num café perto de casa, ele tenha respondido que só lhe ocorreram duas "ideias". A primeira, que dava jeito haver polícias por perto. A segunda, porventura consequência da primeira, a pena que sentiu por não ter uma arma na mão como o assaltante. É aquela coisa chata da vida ser sempre mais rica do que a nossa imaginação. A nossa, a do PGR ou a de um ministro.

ENCARNAÇÕES

João Gonçalves 28 Ago 08

A propósito disto, só queria recordar ao Eduardo duas coisas. O PS, na encarnação Guterres e quando Costa, o actual e irrelevante presidente da CML, era ministro da Justiça, "reformou" o processo penal no sentido de agravar as medidas de coacção. As cadeias encheram-se a seguir de presos preventivos desde - ironias do destino - deputados da nação até vulgares ladrões de bicicletas. Na dúvida, prisão preventiva. O PS, na encarnação Sócrates e com outro Costa na Justiça, voltou a "reformar" o processo penal para o "aliviar" da "dureza" da medida máxima de coacção. O resultado imediato foi a soltura de muitos presos preventivos, rapaziada que, de certeza, é mais dada a entrar numa gasolineira aos tiros do que nas "novas oportunidades". O problema é dos criminosos, de quem aplica a lei ou de quem, consoante a "encarnação" e os "tempos", a faz e desfaz?

(IN)SEGURANÇA INTERNA

João Gonçalves 26 Ago 08

Fora o PS, o resto do regime manifestou a sua perplexidade acerca das novas leis da segurança interna e da investigação penal. Os juízes até acham que foi violado o princípio da separação de poderes e que o futuro secretário-geral da coisa será um mero delegado político ao serviço da maioria de circunstância. Apesar de tonto, o PS não irá certamente indicar para o cargo um dos seus eternos "disponíveis". Deverá ficar por conta de um magistrado disposto ao "sacrifício", independentemente da magistratura (MP ou judicial) a que pertença. A esquerda - o PS, em particular, porque já leva, entre Guterres e Sócrates, uns bons anos disto, para não falar dos "idos de 80", com Soares, onde foi concebido o "sistema" em vigor na dependência do premier -, com os seus "observatórios", não se dá bem com a segurança interna. Os resquícios ideológicos e os preconceitos "culturais" tolhem-na. E existe uma retórica "apaziguadora" que passa a vida a esbarrar com a realidade. Legislar infinitamente não resolve um átomo dos problemas. Nunca se legislou tanto em matéria de justiça e segurança interna e vejam onde (não) chegámos. Este episódio é apenas mais um capítulo na triste biografia do legislador anónimo. A realidade segue, impiedosa, esta noite.

PELO SIM, PELO NÃO - 2

João Gonçalves 26 Ago 08

Não compre uma, não.

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