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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Disposto a tudo

João Gonçalves 22 Fev 15

 Um conselheiro nacional do CDS escreveu uma carta aos companheiros (não sei se é assim que eles se tratam entre eles). Provavelmente não valerá de nada num partido unipessoal em que o líder define, em exclusivo, quem é quem e onde é que pode ser alguma coisa. Portas "acumula" a função de presidente do partido com todas as outras funções do partido. É o mais antigo dirigente partidário no activo descontando a pequena intermitência do sr. Castro. Talvez por ter pensado um bocadinho neste caldo cujo futuro assenta, no essencial, num passado autosuficiente e autocomplacente - os três ou quatro acólitos directos do chefe limitam-se a alimentar acefalamente este estafado egocentrismo - e numa lata infinita, o militante colocou pelo menos as suas mãos na ferida narcísica nunca assumida. "Quando foi chamado a reformar o Estado não estava lá", "nunca o CDS pareceu estar, como devia, confortável nesta coligação”, foi obrigado "a meter as suas ideias na gaveta, depois de terem perdido parte das suas competências ou de terem de nomear boys para cargos da administração pública quando haviam jurado que jamais o fariam”, "deve ser, na verdade, muito desconfortável! Mesmo para o presidente do partido que, apesar de tudo, logrou ver reconhecido o seu lugar na sequência do seu próprio pedido de demissão", etc, etc. O conselheiro revela adequadamente o "estatuto" deste, afinal, velho CDS na coligação depois da farsa do "irrevogável": disposto a tudo para sobreviver.

A mão que acerta o relógio

João Gonçalves 3 Fev 14

Como é que se "garante", por parte do partido do relógio, a "coesão e solidez" da coligação para usar termos caros ao Senhor Presidente da República? Como é que se "vende" aos incautos que, lá dentro, há lobos maus e capuchinhos vermelhos, Mefistófeles e Margaridas, forças boas e forças más? Colocando coisas destas nos jornais.

A via espanhola do dr. Portas

João Gonçalves 1 Fev 14

O senhor vice PM foi produzir um auto-elogio numa coisa do PP do sr. Rajoy. Em espanhol, e em português entremeado com espanhol, o dr. Portas abundou no nosso alegado "milagre" desta vez sem referir o glorioso ano de 1640. Na primeira fila, Rajoy aplaudia e acenava com a cabeça. A mesma que ajudou a "derrubar" o director do jornal El Mundo. O antigo jornalista Paulo Portas devia escolher melhor as suas companhias para arengar.

Nada de novo

João Gonçalves 6 Mai 13

 

Segundo Joaquim Aguiar - que a tvi24 convidou para comentar "a quente" a intervenção dominical do dr. Paulo Portas -, o CDS é um partido "detonante". Aguiar, suponho, queria dizer que o partido em causa tem feito o papel de "charneira" profissional (para usar o termo de Marcelo) do regime. Livre de grandes preocupaçoes ideológicas - a retórica democrata-cristã e do quase monopólio da "sensibilidade social" é apenas isso mesmo, retórica -, o CDS cedo aproveitou as brechas que o regime lhe abriu. Não esteve formalmente nos governos provisórios mas o seu líder, Freitas do Amaral, integrou o conselho de Estado de Spínola desde o primeiro dia. Menos de dois anos após a consagração da legitimidade democrática com as eleições de 1976, o CDS foi o primeiro partido a integrar aquilo que hoje, muito prosaicamente, por aí se denomina "arco da governação" com o PS. O partido de Freitas celebrou um "acordo de incidência parlamentar" com Soares que viabilizou o II Governo Constitucional. O "acordo" incluiu, naturalmente, a presença de membros do CDS no Governo. Por exemplo, o MNE, Sá Machado, era militante centrista. Durou pouco. Logo em 1979, o mesmo CDS e o mesmo Freitas negociavam com Sá Carneiro a AD na sequência do falhanço dos governos ditos de iniciativa presidencial. Com a morte do presidente do PSD, Freitas afastou-se do primeiro governo Balsemão e deixou lá o CDS com um pé dentro e outro fora. Balsemão, num dos raros momentos de eficácia política do seu consulado, "exigiu" a presença de Freitas no seu segundo e último executivo. Todavia, Freitas agarrou-se a um resultado autárquico sofrível para a coligação e deu-a praticamente por extinta. Eanes convocou eleições em 1983 que deram origem ao "bloco central", com o "arco" reduzido ao PS e ao PSD. O CDS estava, ao fim de quatro anos de partilha de poder, ora com o PS, ora com o PSD (e pela primeira vez no ambiente democrático pós-76), fora do dito "arco". A emergência de Cavaco em 1985 e, especialmente, as maiorias absolutas de 87 e 91 do PSD remeteram o CDS para a irrelevância política. Salvou-se a eleição para o parlamento europeu de 1987 com Lucas Pires que corria em pista própria, apesar do símbolo ser o do CDS. Freitas regressaria para prodigalizar a famosa "teoria da equidistância" (estava pronto para se aliar ao PS de Sampaio ou ao PSD de Cavaco) o que lhe valeu 4% dos votos e uma valente humilhação. Ao aproximar-se o final do "cavaquismo", o CDS passou a manifestar-se com mais sucesso por via indirecta. O semanário O Independente fazia as vezes do combate do "partido do táxi". Vieram Manuel Monteiro e, finalmente, o seu criador, Paulo Portas. Monteiro retomou as "boas práticas" de 1978, no Hotel Tivoli, com o novo PM do PS, Guterres. Guterres reinava sobre os escombros do "cavaquismo" (o novo CDS/PP famosamente não apoiou a candidatura presidencial de Cavaco, em 1996) e precisava "passar" orçamentos. Ainda o "guterrismo" ia a meio e já o criador de Monteiro, num célebre congresso em que fez uma entrada teatral agarrado a uma pasta castanha de executivo, varreu o "monteirismo", literalmente e em directo, de cena. Salvo o curto interregno do abnegado Ribeiro e Castro, Portas nunca mais largaria o pódio do Caldas. Pelo caminho trucidou, também em directo e a cores, uma AD de oposição com Marcelo, e esperou por 2002 quando Durão Barroso convidou o CDS para o governo. Com a actual, celebrou três "alianças" de governo com o PSD. Ainda tentou dar a mão ao "socratismo" minoritário de 2009, mas a coisa borregou. Por consequência, o dr. Paulo Portas do domingo passado deve ser "lido", tal como a tese de Joaquim Aguiar, à luz deste longo lastro de "sobrevivências", "distâncias", "equidistâncias" e "proximidades". Nada de novo.

Estados gerais e barulhos

João Gonçalves 13 Dez 12

 

A meio de Setembro último recomendei a partir daqui a realização de uma espécie de "estados gerais" da maioria. Em vez disso, a maioria tem optado por atomizar o debate, seja sob a forma dos órgãos institucionais de cada um dos partidos que a integram, seja através de declarações avulsas de membros qualificados do PSD e do CDS. Não creio que a via do "recadismo" simples ou da ambiguidade calculista constituam propriamente um debate político. Quando muito servem para emitir barulhos mas, como se aprende em qualquer livro de filosofia da linguagem, barulhos famosamente não são linguagem (na circunstância, política) e só servem para o propósito que denotam - fazer barulho. O país merece mais e precisa de melhor. Por isso repito o que escrevi em Setembro. Esta maioria democrática não é apologista do pensamento único. Encontrar-se consigo mesma, encontrar-se com o país e encontrar-se com alguns daqueles que, das esquerdas e das direitas ou independentes sem partido, possuem pensamento próprio, só pode fazer bem à coligação e ao governo. A maioria, parafraseando Harold Bloom, precisa libertar-se do jargão.

Coordenações

João Gonçalves 22 Set 12

Pedro Santana Lopes recorda aqui o coordenador geral da AD de 1979-1980, o saudoso Francisco Lucas Pires, a propósito do recém instituído "conselho para a coordenação da coligação" (a designação podia ter sido mais feliz). E acrescenta que «esta nova entidade pode ser útil, se bem gerida e, nas actuais circunstâncias, se dispensar presidências» pois «quanto mais informal, melhor.» Tem razão. A coordenação política do governo é outra coisa.

«AGORA OU NUNCA»

João Gonçalves 20 Mar 11

Portas, apesar de ser o dirigente partidário mais "antigo" em funções, sempre foi "geneticamente contra o poder". Honra lhe seja feita.

CONTRA A DIREITA DO "PERDOA-ME"

João Gonçalves 19 Mar 11

A derradeira coisa que o país precisa é de uma "direita" chorona, mesmo pequenina, com delíquios "corin tellado" em estilo "perdoa-me".

SÓCRATES AGRADECE

João Gonçalves 6 Fev 11


No Dia do Senhor, apareceu a dra. Cristas do CDS a sugerir "rescisões amigáveis" na função pública. Cristas é cada vez mais o dr. Silva Pereira de Portas uma vez desaparecido o dr. Nobre Guedes para uma vaga oposição interna. O CDS, pelos vistos, não resistiu em cair na armadilha de Sócrates que apontou o dedo à "direita" em matéria de despedimentos na administração pública, jurando não tencionar fazer um. O PSD apressou-se a garantir que nunca falou em tal. Tudo visto e ponderado, Sócrates (em campanha interna circunstancial e externa permanente), depois de ter apoucado a função pública o mais que pôde, surge agora como o campeão da sua defesa. Isso vale votos e, apesar do descalabro, as sondagens - que lhe dão na orla dos 30% - confirmam-no. Sócrates fez o mal e a escaramunha mas emerge como a "barreira" contra um mal maior. O CDS devia ter escolhido outra ocasião para abrir a boca e deixar um sorriso na do 1º ministro. Não era má ideia poder fazer-se igualmente "rescisões amigáveis" com alguma da "direita" que temos.

O MAIS VELHO E O "NOVO" CICLO

João Gonçalves 29 Jan 11


O matusalém do CDS, o dr. Portas, quer ir rapidamente para o governo. Falhado Sócrates, Portas vira-se agora para Passos Coelho a quem sugere um "movimento político" que os abranja e a "independentes". Da última vez que Portas "participou" numa AD pré-eleitoral, em 1999 com Marcelo, bastou uma entrevista sua na televisão para acabar rapidamente com ela (e com Marcelo). Só em 2002, depois de umas eleições que deram Barroso à frente mas em minoria, é que Portas se tornou indispensável para viabilizar um governo de "direita" que durou pouco mais de dois anos. E não foi por sua causa, diga-se a bem da verdade, que a coisa borregou porque Portas apreciava (e aprecia) o poder nem que fosse às cavalitas de Barroso e, depois, de Santana ou de outro do PS. Todavia, a reeleição de Cavaco não "abriu" nenhum "ciclo político" novo como Portas veio a correr sugerir na noite do passado domingo. Nem tão pouco despertou em Passos Coelho quaisquer pressas apesar de já estar aberta a "montra de vaidades" ministeriáveis. E, depois, Portas é a pessoa menos indicada (parece um "sempre em pé" da "direita", há mais tempo no activo partidário do que Jerónimo de Sousa ou Louçã) para vir falar em "novo ciclo" precisamente por ser o mais velho em exercício em vários "ciclos". Como bastas vezes aqui escrevi, Sócrates tem todas as condições políticas internas (o resto ninguém sabe) para terminar a "sua" legislatura. Alguém da "direita", no seu perfeito estado mental, está interessado em pegar nisto agora ou a curto prazo, com mais ou menos "movimentos"? Julgo que não.

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