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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A EVITAR

João Gonçalves 13 Mai 10


O novíssimo "bloco central" protagonizado pelo admirável líder e pelo neófito Passos, reles aprendiz de feiticeiro (o Prof. Nogueira Leite nem precisa esperar por Passos - pode ir, de novo, para ajudante de ministros socialistas, algo que lhe assenta tão bem como lenços na lapela do casaco), também se reflecte em coisas como esta e esta. Parafraseando outros "delgados" tempos, Sócrates está candidato a primeiro-ministro coca-cola e Passos a qualquer coisa mas em light. Ambos cheios de corantes e conservantes, naturalmente. A evitar.

Adenda: Quando estas gloriosas e patrióticas "medidas" forem ao parlamento, vamos ver até onde desce a curvatura da espinha dos deputados do PSD. E Passos, se ainda tem cara, devia aparecer para se explicar. Ninguém votou no PSD em Setembro para ouvir conferências de imprensa de Sócrates cujos guiões são escritos a meias com o PSD.

SEGUIR EM FRENTE

João Gonçalves 27 Ago 09

Deus Pinheiro foi ministro da educação do "bloco central" de Mário Soares nos idos de oitenta. É natural que defenda outro, agora liderado pelo PSD. Com o devido respeito - e mesmo partindo do pressuposto que o PS se livra do "bando de Sócrates" - não é solução. Sabe-se que, enquanto o regime for o que é, esse "bloco" subsistirá em muitos lados. No sector empresarial público, em empresas privadas, nos "clubes" ditos de reflexão, nas casas destes e daqueles, no Estado. É um vício do regime que impede clareza na nossa vida pública. Na sua proverbial ingenuidade, Deus Pinheiro imagina - é só mais um - que tal "solução" salva o país. Não salva. O menos mau que pode sair das eleições de 27 de Setembro é um governo minoritário de Ferreira Leite que confronte o Parlamento com as suas responsabilidades. Depois de quatro anos de AR maioritária e politicamente nula, sempre é um recomeço. Depois há Cavaco. Para que se devolva um módico de sanidade a isto tudo, uma vez terminado o primeiro e único mandato funesto do pretty boy, Cavaco não deve recear intervir. E por intervir não quero dizer governar ou dar orientações políticas que esta Constituição do impasse não lhe permite. A experiência do Chefe de Estado, aliada à prudência da sua personalidade, vão ser fundamentais nos próximos meses. Deus Pinheiro veio do passado para falar em passado. Direito dele. Todavia o que mais precisamos, depois deste interregno pouco sério, é seguir em frente.


Adenda: Tenho muito defeitos e, infelizmente para os tempos e para as gentes que correm, uma boa memória. Deus Pinheiro sucedeu, no IX governo do dr. Soares (83-85), a Seabra (o especialista em Barthes) como ministro da educação. Ora vejam lá.

A FIGUEIRA REVISITADA

João Gonçalves 8 Mai 09

A tagarelice em torno do "bloco central" - uma falsa questão que, levantada agora, tende a esbater a natureza conflitual que caracteriza a democracia a sério, sempre feita de rupturas, de clareza e de distinções - só vai acabar no dia em que o Prof. Cavaco Silva explicar que o facto de defender a estabilidade governativa e a conjugação de esforços partidários contra a crise, não está propriamente a advogar uma coligação partidária específica e, muito menos, uma coligação entre dois partidos que tendem a substituir-se um ao outro na governação e não a unir-se. A frase é longa de propósito.

Adenda: No Expresso da Meia-Noite, a preclara Teresa de Sousa afirmou que o Presidente Eanes, em 1983, não era adepto da "democracia civilista" no mesmo sentido em que o era o seu herói Soares. Teresa de Sousa é um bom exemplo (em mau, naturalmente) do que é a língua de pau do "bloco central". Esquece-se que, sem Eanes, ela nunca teria escrito as trivialidades que aprecia escrever sobre a Europa e a democracia. E que, sem Eanes, se calhar o seu herói jamais teria sido Chefe de Estado. Teresa de Sousa é uma espécie de Júlio Dinis do jornalismo "consensual". Escreve de leve e pensa de leve.

REPRISE

João Gonçalves 31 Ago 08

Juro que este post não se destina a agradar aos "camaradas" algarvios. Nem o José Apolinário, que conheci no MASP-1, nem o Gonçalo Couceiro, director regional do ministério da Cultura, precisam de "agrados". Sucede que, por uma vez, não estou de acordo com Vasco Pulido Valente. VPV critica, no Público de hoje, a directa dependência da figura do secretário-geral da segurança interna da figura do primeiro-ministro, por um lado, e o "controlo" que aquela figura vai exercer sobre todas as polícias, por outro. Também é chamado à colação o "chip" que os automóveis terão de exibir como "prova" de que as liberdades já não são o que eram. Nisto tem razão, embora, como lembra no artigo, todo o "ocidente" dito democrático tenha, depois de Setembro de 2001, preferido viver a liberdade em segurança quando não mesmo sacrificar alguma liberdade em prol da segurança. Por cá é tudo infinitamente mais leve e, sobretudo, repetitivo e inconsequente. Sócrates não inventou a roda. Mário Soares, pai da pátria e insuspeito na matéria, quando presidia ao "bloco central" de 83-85, criou o "serviço de informações da República", o "SIRP" - com dois "ramos", um civil e um militar - na sua (ele era então 1º ministro) dependência. Manifestou-se a indignação habitual, agravada pela proximidade do "25 de Abril". Apenas dez anos separavam a data gloriosa desta ignomínia. Soares, o PS e o PSD foram na altura amplamente zurzidos na praça pública e nos jornais por causa deste inopinado "regresso ao fascismo". Todavia, o "fascismo" não regressou. O "sistema", como uma ou outra nuance, serviu até agora sem grandes protestos. E serviu mais cinco chefes de governo, entre os quais dois socialistas e Cavaco. Mais. O mesmo Soares que sustentou politicamente o "sistema" foi eleito presidente da República - e com votos da mesma gente que exigira a sua cabeça em nome do putativo "regresso ao fascismo" que ele promovera através do "SIRP" - cerca de ano e meio depois do episódio. VPV admira-se com o silêncio de um Mário Soares aparentemente feliz com um Sócrates que "não erra". Queria que ele dissesse o quê?

O PRAZER DE LER

João Gonçalves 10 Abr 07


Na TVI, Miguel Sousa Tavares largou uma interessante ponderação. O procurador-geral da República, quando a D. Carolina escreveu aquele livro sobre a flatulência do sr. Pinto da Costa, disse publicamente que o mandou ler e até nomeou uma equipa para tirar as devidas ilações das memórias azuis da senhora. Agora, o mesmo PGR acha que o tema UnI/diplomas é irrelevante para os mesmos efeitos. O "pacto" sobre a justiça frutifica.

OS SALAZARINHOS

João Gonçalves 9 Fev 07

E, já agora, também não aceito lições de "modernidade" vs. "conservadorismo" vindas do secretário-geral do PS a propósito de quem vota "sim" ou "não" no referendo. Quem pratica o autoritarismo mais sofisticado e "democrático" do mundo e que, como notou oportunamente o António Barreto, é o ser político mais artificial que o regime gerou, não me ensina coisa alguma nem me manda pensar. Se não fosse o voto de muitos "conservadores" cuja inteligência insulta, o senhor engenheiro estaria agora a negociar com este e aquele para aprovar as suas "medidas" ditas "reformistas" e "modernas", coisa que só faria bem à sua cabeça autoritária. O Fernando Dacosta é que tem razão. Não há meio de nos livrarmos dos "salazarinhos".

Adenda da noite: Muito justamente, o Pedro Correia lembra que a negra lei que este PS tão duramente atacou durante a campanha - a alteração de 1984 em vigor - partiu do...PS. Todavia, nesse tempo o PS estava vivo, não é verdade, Pedro?

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