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portugal dos pequeninos

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Os intermediários

João Gonçalves 16 Fev 15

Sempre, enquanto cristão, procurei "dispensar" os intermediários. No meu "tempo útil" contam-se cinco Papas até ao presente: Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II, Bento XVI e Francisco. Dos cinco apenas Bento XVI  e intermitentemente João Paulo II me "confirmaram" na fé. Era muito novo no pontificado de Paulo VI, um intelectual solitário, e demasiado céptico nos dos outros dois. Li Ratzinger de fio a pavio e considero-o, de longe, o mais sólido daquele grupo. A sua renúncia foi um rude golpe, espiritualmente sentido, apesar.de ter ficado ciente de que ela, de alguma forma, representou uma extraordinária reafirmação de fé: "Eu venci o mundo". Bento VI apontou à Igreja o caminho da rocha sobre a qual ela foi edificada. Não apreciava o "espectáculo da fé" ou o proselitismo macaqueado em torno dela e, por consequência, não transigiu no essencial. Aos olhos da "correcção" e do "mercado da opinião pública", Ratzinger não passava de um "conservador" empedernido que não "acompanhava" os tempos e as "modas". Para mais, supunham, "encobria" a parte doente na Igreja e no Vaticano, em especial, quando fez exactamente o oposto. O seu sucessor, nessa matéria, não deu início a nada que Raztinger não tivesse consumado. Francisco outorgou este fim de semana o barrete cardinalício a uns quantos clérigos. Entre eles encontrava-se Manuel Clemente, o "prémio Pessoa" do patriarcado de Lisboa. Em matéria de cardeais-patriarca, "convivi" com quatro, este incluído. O mais preparado de todos era, de longe, Manuel Gonçalves Cerejeira. António Ribeiro "apanhou" a transição de regimes e, sendo um fruto "mediático" vindo da RTP a preto e branco, acabou discreto e timorato. Policarpo comportou-se sempre mais como um alto dignitário do regime do que propriamente da Igreja que procurou "integrar", sem fazer grandes "ondas", naquele. E em Manuel Clemente luzia desde cedo a mesma terrena "tentação" a qual, finalmente, consagrou-se em Roma. Mas os "tempos" correm de feição para estes intermediários do Vaticano a Lisboa. Não tenho idêntica certeza quanto à fé.

3 comentários

De eirinhas a 16.02.2015 às 18:39

Com alguma frequência,via e ouvia D.Clemente nas televisões.Achava demasiado para o meu gosto.
Quando deste sofrimento dos doentes em macas,gostava de lhe ter ouvido uma palavra! Será que estive distraído?

De fado alexandrino a 17.02.2015 às 19:11

Grande post.


Sempre, enquanto cristão, procurei "dispensar" os intermediários.


É raro ler-se isto, vindo de um intelectual
Eu como cristão sempre dispensei a Igreja que considero ao nível de um Ministério com um Ministro, Secretário de Estado e depois toda a tralha inerente à gestão de formidável máquina burocrática.
Até têm um banco e naturalmente um Ministro das Finanças.
Não elegi nenhum deles e todo aquele aparato considero-o não só imoral como até obsceno.
As vestimentas e o folclore destinado a aturdir as massas há muito que deviam estar ao nível das perucas do Luís XVI.
Quando preciso, e preciso muitas vezes, falo directamente com o Pai.
Continuarei.

De Luis a 20.02.2015 às 02:30

Recuso-me igualmente a ser intermediado por qualquer representante de qualquer dos três ramos do Cristianismo. Não sou sócio de nenhum clube cristão, todos arrogando-se donos da Verdade.  Sou um cristão que se rendeu à Palavra viva dos evangelhos e à Luz que emana de Cristo. Quando tenho de orar sigo os passos do Mestre e faço-o em privado, longe de grinaldas e das luzes do circo.

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