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portugal dos pequeninos

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“O país mais homossexual do mundo”

João Gonçalves 14 Ago 22

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Quatrocentas páginas. O mais curioso, pela chatice, é a obsessão dos perguntadores pela pergunta “culta”, isto é, “deixa-me lá mostrar ao Cesariny que sei tudo sobre surrealismo e, mesmo assim, quero que ele repita”. E ele repete praticamente em todas as entrevistas o mesmo sobre o “grupo”, a emergência do “grupo”, o esfarelamento do “grupo”, a pintura e a poesia, e isto e aquilo. Pena não ter ficado uma resposta tipo “e por que é não vai perguntar ao caralho?”. Dito isto, há verdadeiras “iluminações” em frases soltas de algumas respostas e aí, sim, vão “navios de espelhos”. Como sobre Pessoa, que apesar da sua grandeza “não saiu da mesa do café”. Ou a sexualidade. “A Grécia foi um amor que eu tive com um moço” Depois a PIDE, por causa de uma carta do moço (Carlos Eurico da Costa) que estava na tropa, entrou “na cama connosco. E assim começou Roma: mais sexo do que amor”. Prossegue. “Nem imagina a quantidade de pessoas que eu fiz. Dados os resultados concretos, troquei a Grécia por Roma. Sabe o que eu quero dizer? Há o Eros mental e depois há o que se espalha pelo corpo, que é outra coisa. Rapazinhos por dia, dois, marinheiros, três”. Com Salazar, “Portugal era o país mais homossexual do mundo. E não era só a Marinha. O 25 de Abril, com a libertação dos homossexuais, também libertou a Marinha desse hábito. Passaram a considerar-se uns homenzinhos que não fazem essas coisas. Agora fazem entre eles ou com um tenente qualquer”. Na página 376 está uma fotografia legendada “MC e João Grosso na estreia de Um Auto para Jerusalém, 2002”. Nem uma coisa, nem a outra. Não é o Grosso, é o Diogo Doria. E não é no D.Maria, que nessa estreia estava eu.

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