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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Na segunda parte do livro "A democracia no seu momento apocalíptico", de M. M. Carrilho, que vinha a ler aqui desde a semana passada, estes transes das esquerdas autóctones, e do PS, em particular, encontram-se particularmente bem pensados (da perspectiva do autor que ainda é militante socialista de base), subtraindo-os ao circunstancialismo oportunista e tacticista dos protagonistas, e integrando-os numa visão mais alargada do impasse democrático geral, coetâneo do progresso do autoritarismo. Isto é, e como revela a forma de divulgação das sondagens e dos "estudos de opinião", cada vez mais as escolhas são de governantes e não de projectos ou de ideias (erosão ideológica, na expressão de Carrilho). E cada vez mais os governantes sucumbem, ou a sua cibernética político-partidária de apoio, diante do guiché de atendimento ao ilimitado individualismo que vocifera na longa fila de espera alimentada, há anos, pelo extremismo de centro que, entre nós, já foi do Bloco ao praticamente extinto CDS. O conceito porventura mais inovador neste livro de Carrilho é o deste aparente paradoxo, o extremo-centro, que domina a política nacional e europeia, em geral, o mais perigoso e o mais dissimulado de todos os extremos. Para dourar a pílula demo-liberal, certamente, como se a democracia - ou o indivíduo - fosse eterna. Num momento em que tudo interage com tudo (J. M. Júdice na apresentação do livro), estranhamente, ou talvez não, vivemos um tempo de ignorância (Carrilho), e persistimos felizes com isso no nosso "infotretenimento" (idem). É a "era das geringonças", no feliz neologismo de Carrilho a partir de Vasco Pulido Valente, denotada na sondagem aludida. "Era" em que as performances se sobrepõem aos programas, os interesses às ideias, o estilo à substância, o conectivo ao colectivo, o societal ao social, o consumidor ao cidadão, o indivíduo à pessoa, o global ao nacional. E é assim, "ora em júbilo, ora em depressão", que cá vamos. Não sei se cantando e rindo.

https://www.jn.pt/opiniao/joao-goncalves/o-impasse-democratico-e-a-era-das-geringoncas-15218818.html

 

 

 

1 comentário

De marão a 04.10.2022 às 07:39

INDUÇÃO CULTURA TUGA 
Gritem, esfolem-se, sofram e morram, que a nossa burocracia não quer saber de carências gritantes e dramas lancinantes, e muito menos de misérias expostas, doenças agudas e fome envergonhada. 
Tudo isto calibrado em sintonia com a postura e desempenho de qualquer viciado serviço oficial de catálogo, que em vez de ajudar na solução de problemas palpáveis individuais ou coletivos, nos inferniza a vida complicando mesmo o que é simples, nem que para isso se inventem descabidas exigências processuais. 
A nossa alta figura presidencial vendo tudo isto correr a seus pés, vai assistindo tão amorfo como palavroso, quedando-se no triste papel de guardador de podre sistema que impunemente vai alimentando.

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