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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O "arco" no seu labirinto

João Gonçalves 21 Fev 15

 

Não acompanho a "tese bipolarizadora" do autor - na substância equivale a uma mera mudança, ou nem isso, nas mãos que embalam o "arco da governação" que persistiria inerme - porque, ao contrário do que aconteceu nesta legislatura, espero que a próxima tenha duas partes e seja menos "simplificada": uma turbulenta e animada pelo atomismo dos resultados eleitorais e uma segunda, negociada e ponderada, que reflicta politicamente mais as necessidades do país do que as das suas estafadas "elites". De resto, Pacheco Pereira "bate no ponto". «Aquilo que se tem chamado a “ditadura dos mercados” é a forma moderna de fusão dos interesses económicos com a política, que já não permite a caricatura dos capitalistas de cartola, senhores do aço e das fábricas de altas chaminés, mas sim os impecáveis banqueiros e altos consultores vestidos de pin stripes, assessorados por uma multidão de yuppies vindos das universidades certas com o seu MBA, que num qualquer gabinete do HBSC movem dinheiro das ilhas Caimão para contas numeradas na Suíça. Entre os perdedores não está apenas quem trabalha, no campo ou nas fábricas, ou a classe média ligada aos serviços e à função pública, mas estão também os interesses económicos ligados às actividades produtivas, ao comércio que ainda não é apenas uma extensão de operações financeiras, e à indústria. A rasoira que tem feito na Europa, usando com grande eficácia as instituições da União Europeia, não é da “política” em si, porque o que eles fazem é política pura, mas sim de qualquer diversidade política, tendo comido os partidos socialistas ao pequeno-almoço, com a ementa do Tratado Orçamental. É por isso que, nestes anos do “ajustamento”, o PS foi muito mais colaborante no essencial do que os combates verbais pré-eleitorais indiciam, com os socialistas europeus domados pelos governos do PPE como se vê na questão grega. Os partidos socialistas e sociais-democratas têm de facto a “honra perdida”. O PSD penará por muitos anos o ter-se tornado não apenas um partido do “ajustamento”, mas o partido do “ajustamento”, o mais alemão dos partidos nessa nova internacional política dos “mercados”. Fez o papel que o CDS sempre gostaria de ter feito e desagregou-se em termos ideológicos, perdeu a face e a identidade. O seu destino próximo será recolher os votos necessários para manter uma frente conservadora, muito à direita, com um CDS que por si só não tem os votos necessários para governar. É mais instrumental do que confiável pelas mesmas elites que ajuda a servir, que consideram a sua partidocracia como muito incompetente, e perdeu há muito o mundo do trabalho, as universidades, a juventude estudantil, os genuínos self-made men

2 comentários

De Rocco a 22.02.2015 às 08:44

Então e o Vasco Pulido Valente? Publicou um comentário sobre funcionalismo público, que é o pedregulho que não deixa a Europa desenvolver-se, a Europa não aqueles países onde se criou uma massa de penduras que continua a considerar-se uma casta, vá-se lá saber porquê... Que é do Vasco Pulido Valente?

De eirinhas a 22.02.2015 às 11:28

Desamarrem-nos estes grilhões.Os políticos e altos quadros da Administração,segundo li, ganham mais hoje do que em 2011! Só estes,todos os outros,ou ganham menos ou nada!Há pouco,li o Dr.Vital Moreira queixar-se de que espera, há uma data de meses, pela sua carta de condução renovada! Também já me tocou. Um velhote da aldeia que se queira proteger deste frio agreste e pretenda cortar um pinheiro tem de preencher um formulário electrónico sem saber o que é um computador!E,ainda assim,tem uns determinados meses,e só nestes,o pode fazer. Aquele transmontano que quis limpar um caminho teve de enfrentar uma desproporcionada multa em relação à falta cometida!Aliás,esta desproporção,segundo os queixumes diários,fez-se norma!Ainda há dias o primeiro ministro tecia elogios aos privados pelo ajustamento-desenvolvimento!Parece que o sector público não desempenha funções de Excelência,desde a saúde à justiça,segurança,etc.

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