Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Montini

João Gonçalves 19 Out 14

 

Quando visitei os sepulcros papais por baixo da Basílica de São Pedro, surpreendeu-me o despojamento do túmulo de Paulo VI. Uma laje branca, rasa, que destoava da maior parte das sepulturas que a rodeavam. Aquela discrição "era", de facto, a melhor representação eterna do Cardeal Montini. Cresci com Paulo VI e habituei-me a associar a figura do Papa à austeridade e ao comedimento. Paulo VI, apesar dessa imagem, estava perfeitamente ciente do mundo que o rodeava e angustiava. Beatificá-lo decerto seria a derradeira coisa que desejaria. Esta banalização de beatos e de beatas não me parece que fortaleça por aí além a fé. Cada vez mais a fé é algo que se vive sozinho, fora dos "reality shows" em que se tornaram as "jornadas" disto e daquilo e as visitas papais. Independentemente do papel "político" e "social" que Paulo VI, o homem que concluiu o Vaticano II, desempenhou sem espalhafatos, a sua "lição" humana e religiosa é sobretudo a da vivência sólida e solitária da fé. O que não queria dizer, antes pelo contrário, que a Igreja se fechasse ao mundo e vice-versa. Leia-se, por exemplo, os seus "diálogos" com Jean Guitton. Em muitos sentidos, Montini era muito mais "moderno" que os que se lhe seguiram. Apenas não fazia disso um ariete. Veio a Fátima por ocasião do cinquentenário das aparições, sem passar por Lisboa, e "obrigou" Salazar a ir lá ter com ele. Por trás daquele ar frágil, escondia-se uma rocha: a mesma de Pedro que ele honrou como poucos enquanto seu sucessor.

4 comentários

De PALAVROSSAVRVS REX a 20.10.2014 às 12:08

O Papa da minha infância. Tocou-me.

De José a 20.10.2014 às 19:24

Segundo Fernando Dacosta, durante esse encontro do St. Padre com o Dr. Salazar, terá dito Natália Correia: "Está-se a processar o verdadeiro milagre de Fátima: eles estão-se a matar!" Isto porque a reunião se prolongava muito para além do agendamento oficial. A ter sido assim, teve graça...  

De FranciscoB a 20.10.2014 às 22:18

Foi o grande cidadão de Praga, o hebreu Kafka, quem confidenciou ao amigo Gustav Janouch: «Cristo é um abismo de luz. É preciso fechar os olhos para não nos precipitarmos nele.»

De Rui Moringa a 20.10.2014 às 22:39

Bom texto, excelente reflexão.<br /><br /><br />Grato,<br /><br /><br />Rui Moringa

Comentar post

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Últimos comentários

  • Gabriel Pedro

    Meu Caro,Bons olhos o leiam.O ensaio de Henrique R...

  • Maria Petronilho

    Encontrei um oásis neste dia, que ficará marcado p...

  • André

    Gosto muito da sua posição. Também gosto de ami...

  • Maria

    Não. O Prof. Marcelo tem percorrido este tempo co...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, no meio da abundante desregulação ...

Os livros

Sobre o autor

foto do autor