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portugal dos pequeninos

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João Gonçalves 5 Jan 15

 

Em 1985, vésperas da mais disputada eleição presidencial em quarenta anos disto, os candidatos começaram a aparecer cerca de seis a oito meses antes da primeira volta de Janeiro de 1986. Freitas do Amaral foi o primeiro a lançar-se. No famoso congresso da Figueira da Foz, em Maio, Cavaco Silva declarou-lhe o acrisolado apoio do "novo" PSD - que, nesse momento, ainda estava coligado com Soares no "bloco central" - e Freitas, em cinco minutos no então Hotel Penta, afirmou ir "lutar com alegria pela vitória". Desfeito o "bloco" em Junho, com o governo em gestão até Outubro, Mário Soares foi em Julho ao Hotel Altis declarar-se candidato. Também veio Lurdes Pintasilgo (que esperou em vão pelo apoio de Eanes) e, no cair da folha outonal, Zenha emergiu e nele "convergiram" vários "ódios" o que lhe foi fatal aquando da escolha entre ele e Soares para uma segunda volta com Freitas. A direita tinha um candidato apenas. A esquerda e o centro-esquerda tinham três. Foi a última vez em que a fractura esquerda-direita se fez sentir. Soares ganhou a Freitas com os votos da esquerda toda e mais alguns social-democratas que, aliás, estiveram com ele desde o início. Desta eleiçõão presidencial resultaram várias coisas: o rápido desfazer do PRD de Eanes, que se empenhou em Zenha, dez anos de solidão política do PS que Soares "esvaziou" e a primeira maioria absoluta de Cavaco. Os protagonistas de então, derrotados ou vitoriosos, não se comparam aos de agora. Mesmo Cavaco, quando sair, será uma sombra do que representou durante a sua década em São Bento. Para lhe suceder já se ensaia um pequeno frenesim. Ao quinto dia de Janeiro, Pedro Santana Lopes chegou-se à frente sugerindo que, ao contrário do que sucedeu há trinta anos, a "direita" pode ter mais do que um candidato - ele e Marcelo. E que o "estimula" a eventualidade de ter Guterres do lado de lá porque é um nome "forte". Também considero a presença de Santana Lopes "estimulante" em qualquer acto eleitoral. É intuitivo (o mais parecido, por esse lado, com Soares à "direita"), polémico e audacioso. Todavia, e em relação ao papel do Presidente da República, Santana Lopes não só nunca conseguiu "libertar-se" da "ferida narcísica" deixada pelos eventos de 2004, com Jorge Sampaio, como passou, por causa dela, a defender uma espécie de "presidente parlamentar" ou "governamental" que jamais ponha em causa a extraordinária figura do primeiro-ministro em torno do qual toda a acção politico-institucional deve assentar. Algum direito constitucional chama a isto o "presidencialismo de chanceler" com a diferença, em relação ao Estado Novo dos últimos tempos, da eleição por sufrágio directo do Presidente. Por exemplo, praticamente desde meados de 2011 o incumbente tem, na prática, desenvolvido este "presidencialismo de chanceler": o PR "apagou-se" para o PM "brilhar". Sinceramente não vejo Santana Lopes a "apagar-se", seja quem for que estiver em São Bento, mas é isso que ele colocou em livro. Percebe-se, no entanto, que o homem veio para ficar (nem que seja a falar sozinho durante uns meses) neste território das presidenciais correndo o risco de criar um pequeno "pântano" em torno de si do qual, na hora da verdade, será mais difícil sair (os "dados disponíveis" revelam que Guterres abandonou airosamente o dele). Marcelo tem, sem ter, encontro semanal com esse território todas as semanas: ainda ontem o calendário que dissecou para Guterres era uma perfeita metonímia do seu. E Guterres provavelmente guardar-se-á, e bem, para o fim. Se forem dois ou três da "actual" direita a votos, e Guterres também, talvez haja uma segunda volta. Ou talvez não. Logo se vê.

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