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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Igual a si próprio

João Gonçalves 12 Abr 15

 

Em inglês, numa entrevista televisiva gravada algures, António Guterres despediu-se das eleições presidenciais de 2016. Em todo este equívoco acabou por não estar à altura do que esperavam dele: no PS e, pelos vistos, no país. Permitiu que a nomenclatura "costista" andasse ainda mais torturada e baralhada do que já andava. E ignorou olimpicamente os "sinais" das sondagens que o davam como imbatível. Escolheu, e é um direito seu, uma outra vida fora de uma política doméstica cada vez mais mediocratizada. Nunca seria, claro, um bom batalhador por uma nova República. Mas, dentro do enquistamento sistémico em vigor, ainda era apresentável. Entretanto foi a Évora imagino que, para além da parte privada da coisa, em missão. Alguém precisava dizer duas ou três coisas a Sócrates com um módico de autoridade. Desde logo que as procissões "socráticas" de alguns dos agora, de novo, dirigentes do PS não ajudam Costa. Sobretudo não ajuda não estarem calados. Depois é preciso que a "politização" do processo judicial, por tabela, não acabe por prejudicar o mesmo Costa. Finalmente é preciso convencer Sócrates e os "dele" que, se calhar, o PS terá de apoiar alguém para Belém que "omita" o antigo líder. Mesmo sem ser candidato a candidato, Guterres foi igual a si próprio.

4 comentários

De Marquês Barão a 13.04.2015 às 00:40

Se bem me lembro foi ainda no tempo de Guterres escrevi isto:
-Sociedade Portuguesa hoje
Analfabetismo funcional; in(cultura)/ignorância; apatia cívica/irresponsabilidade; ilusão/aparato/ostentação; irracionalidade/inversão de valores; indigência mental/anestesia colectiva; ensino postiço e inconsequente; autoridade tolhida e envergonhada; justiça sinuosa e selectiva; responsabilidades diluídas e baralhadas; mediocridades perfiladas e promovidas; capacidades trituradas e proscritas; sofisma institucionalizado.
-Quês e porquês
Maleita atávica e condicionamento manipulado pelos poderes instalados; negligência paralisante no dever de participação; vício embriagante na desculpa cómoda do dedo acusador sempre em riste. Culpar D. Sebastião, o padeiro da esquina ou dirigentes de ocasião é nossa mestria e sina nossa. Culpados somos todos nós, acomodados na obsessão estéril de celestiais direitos. Também é com a nossa apatia pelos valores de intervenção e cidadania, que somos conduzidos repetidamente para o conhecido pantanal. Os nossos governantes são o reflexo e extensão da gente que somos, mas valha a verdade em escala cujo grau de refinamento, incapacidade e subversão de interesses colectivos ultrapassa os limites da decência. Que o actual 1º ministro em vez de esbracejar governe e em vez de iludir assente, invertendo essa carga em desequilíbrio e remetendo para as calendas a política de feirola de contrafeitos.
-Receituário extraviado
Cabe cultivar que ao cidadão comum não deve competir apenas votar ciclicamente em deputados acorrentados pela disciplina partidária. Na sociedade como nos bancos da escola, acautelar conceitos/aulas de civismo e cidadania, o que é liberdade, democracia, educação e compostura. A televisão pública como veículo que molda, não pode servir só para futebol, novelas e propaganda oficial. Não basta compor a rama, é preciso cavar a terra e aconchegar os tomates. Por hora o circo ameaça continuar, mas que o tempo (grande mestre) se encarregue de nos despertar enquanto é tempo. A nós, suporte colectivo de tragédias e façanhas, competirá sobretudo intervir responsável e interessadamente no que a todos diz respeito, não concedendo carta branca ao desbarato para o traçado do caminho, ao círculo restrito de políticos abengalados.

De Barrete Verde a 13.04.2015 às 08:54

Tem cuidadinho, filho da puta. Pode ser que um dia sejas apanhado. 

De fado alexandrino a 13.04.2015 às 22:55

Como?
Nunca se sabe onde anda, tanto pode estar em Cascais, como na Etiópia, em Chicago como no Suriname, com a Jolie ou sozinho.
Parece-me uma tarefa votada ao insucesso, mas enfim vocês lá sabe.
Um ataque de um louco nunca pode ser evitado.

De António Maria a 13.04.2015 às 11:33

Interessante análise.

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