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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Há 121 anos nascia o Doutor Salazar, como recordou um leitor. Ressuscitasse ele hoje, aqui e agora e, no mínimo, morreria imediatamente de susto. Disse a Franco Nogueira, quase no fim, que isto "estava bom para safados". Vê-se.

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UM SALAZAR VERMELHO

João Gonçalves 24 Jan 10


O António, que colabora neste blogue, ofereceu-me um busto vermelho como os três da foto (ele tem um azul). O seu autor é Francisco Mota Ferreira. Salazar - é bom afirmá-lo no ano do folclórico centenário - era um republicano. Católico, aceitou, ao contrário de outros católicos monárquicos, ser deputado após as "legislativas" de 1921. De resto, como correspondência recentemente editada evidencia, Salazar até enviou retratos para passes de comboio a que teria direito como deputado - e "que me estão fazendo muita falta" - designadamente porque prometeu "acompanhar um amigo num passeio pelo Minho que me ficará muito caro se nessa altura não tiver o passe". Entretanto ocorreu mais uma peripécia sanguinária típica da 1ª República - a mais famosa que incluiu o assassinato de António Granjo e de outras luminárias do regime - e as "Câmaras" foram dissolvidas. Às legislativas que se seguiram já Salazar não quis concorrer. Mesmo assim, ainda escreveu ao colega Lino Neto que "é quase para mim um ponto de honra (...) ir ao Parlamento". Não foi, contudo. Sabia (continua na carta) que "o mundo não nos foge": "se tiver de ser político, tenho tempo ainda de o ser e talvez mau". Um cínico, este Salazar. Sempre impiedoso com os "nossos pobres monárquicos".

SALAZAR POP

João Gonçalves 20 Nov 09


Por aqui cheguei aqui. Estes "salazarinhos" - o termo é do Fernando Dacosta - são muito mais interessantes que os actuais de carne e osso. Têm, por assim dizer, carácter.

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UMA BIOGRAFIA POLÍTICA

João Gonçalves 29 Out 09


A biografia política da foto deveria ser rapidamente traduzida para português. As sensatas declarações do seu autor - e a reacção paternalista dos nossos historiadores de serviço ao século XX e XXI, os enfatuados Rosas e Costa Pinto, que ainda nem sequer leram o livro ("com mérito e que merece todo o respeito") - acerca do seu trabalho e do objecto dele só o recomendam. «Se Salazar se transformou em presidente do Conselho foi acima de tudo porque desempenhou a missão com que foi incumbido, impondo-se aos seus rivais pela competência técnica.» Realmente incompreensível face ao critérios de "imposição" em vigor de que temos tido nos últimos dias, aliás, fartos exemplos. E, depois, há a prudência e o bom senso de Filipe Meneses, uma coisa que os nossos venerandos académicos da história contemporânea dificilmente entenderão. «É difícil um homem com 40 anos resumir, analisar e dar sentenças sobre a vida de um homem que se manteve política e intelectualmente activo até aos 79.» Chapeau.

A FORÇA MORAL

João Gonçalves 17 Out 09


«Não tem comparação possível. O Marcello [Caetano] era um homem competente, bem intencionado, com um programa progressista para o país, mas não tinha a força moral de Salazar. O Salazar era, realmente, um caso à parte.»

José Hermano Saraiva, Sol

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NÃO TRANSIGIR

João Gonçalves 13 Set 09


«Não corre, não foge, não agrava, não transige.» Sei que isto é de Salazar, em 1932 (não é de 58 ou, pior, de 68, momentos que porventura já não seriam os seus), e é dito assim para poupar às vestais inconsequentes e nulas o trabalho do tradicional rasganço das roupinhas. Mas nem tudo que vem de Salazar tem de ser necessariamente mau. Nem tudo.

O GRANDE ADOPTADO

João Gonçalves 25 Ago 09


Mário Crespo passa a vida a levar o Prof. Adriano Moreira aos seus telejornais. Dá-me ideia que, se o Doutor Salazar fosse vivo, também seria convidado de Crespo. Com a vantagem de termos um original que, bem ou mal, nunca tergiversou. Adriano Moreira é um caso sui generis na vida pública contemporânea. Tudo lhe aconteceu cedo ou tarde de mais. Esteve, muito novo, detido no Aljube o que lhe valeu as graças eternas do dr. Soares. Isso não impediu o Doutor Salazar de o escolher como secretário de Estado e, depois, como ministro. Do Ultramar. Durou pouco na sequência de um périplo ao autre-mer que não agradou ao então presidente do conselho. Podia ter sido o "delfim" até porque, a avaliar por um texto de Vitorino Magalhães Godinho escrito na altura em que Moreira o varreu do seu Instituto da Junqueira- a ele e a outros como Jorge Dias -, possuia todos os "requisitos". O que lhe sobrava em manha, faltava-lhe, segundo o maroto do Godinho, em "ciência". No Instituto (parece que é uma maldição da casa) comportou-se sempre como um supra-Salazar. Assim se manteve até ao "25 de Abril" altura em que, como era de esperar, sofreu uns safanões. Tudo passou, porém. Moreira filiou-se no CDS onde chegou a presidente. Adoptou a democracia e a democracia adoptou-o a ele. É tão consensual e venerado como um monumento nacional. Convence pela retórica sempre luminosa. Aquando do apoucamento das universidades por este governo - em especial por este nulo Gago do superior - não poupou na crítica. É um sobrevivente da nossa e da sua história. O que não é pouco.

SALAZAR E OS SALAZARINHOS

João Gonçalves 13 Ago 09


Há dois dias, num artigo de propaganda metido do seu "diário da manhã" (o único, aliás, que é complacente e manso com a ERC), o secretário-geral do PS falava de "salazarismo" e de "salazarentos" a propósito da oposição. Sucede que Sócrates, para recorrer à terminologia do meu amigo Fernando Dacosta, é o perfeito exemplar dos "salazarinhos" que o regime de Abril inventou. E também sucede que Salazar, de certeza, dispensaria os bons ofícios de criaturas como o referido secretário-geral. É que nem sequer para lhe abrir a porta do carro servia.

É MENTIRA?

João Gonçalves 24 Jul 09


Não quero que falte nada ao João Galamba. Aliás, fico sempre embevecido quando pressinto que a inteligência emotiva se sobrepõe a tudo o mais. O seu recente "psismo", não passa, aliás, disso. Outro dia comparou-me à melancolia eslava - feroz, fria, silenciosa e aparentemente indiferente - de uma famosa personagem de Dostoievsky. Até me babei. Agora é o Doutor Salazar, a três dias do aniversário do seu passamento. O João não deve ter lido bem isto. «Salazar apareceu depois da ditadura da República - contra ela -, ficou à frente da sua durante quase meio século, gerou toda a oposição ao Estado Novo, desde o PC até à oposição "burguesa" - a do exílio e a das prisões - e "fermentou" as Forças Armadas da "guerra colonial" que o derrubaram depois de morto. A diferença entre Salazar e as "elites" ditas democráticas é que, sendo todos manhosos, a manha de Salazar não lhe "puxava" para a trafulhice e para a cupidez insaciável. O século XX, português e político, foi o século de Salazar. E a estupidez revolucionária de apagar vestígios em pontes, estátuas e ruas não rasurou a coisa.» É mentira?

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