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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

É a melhor designação para a nomenclatura "tgvista", abstracta e nebulosa, de apoio ao bardo Alegre a quem o futuro "objectivo" do país não interessa. E menos interessa a ele que apenas deseja ver "consagrada" a sua nula e vaidosa abstracção precisamente no auge de uma crise que por natureza, não entende nem ajudaria a ultrapassar. Porquê? É simples e o insuspeito Campos e Cunha, no Público, explica. «Se os deputados do BE e do PCP (e deputados do PS) votarem ao lado do Governo, ficam com a responsabilidade histórica da decisão. E decidem entre os projectos faraónicos hoje ou, em alternativa, mais pequenos projectos criadores de emprego e mais Estado social, daqui a poucos anos. Dos votos de cada um dentro de dias veremos as consequências, em 2014. Há poucos momentos tão determinantes quanto este. Em 2014, lembrar-nos-emos quem esteve, em 2010, com os mais desfavorecidos ou com os grandes interesses.»

O INSULTO AOS POBRES

João Gonçalves 20 Mai 10

Por falar em Estado mitómano - ou, mais adequadamente, em políticos mitómanos geralmente optimistas - ocorreu-me, a propósito daquela encenação tropical em torno de Lula e das suas brilhantes tiradas para "alavancar" (sic) a economia portuguesa, uma ideia do escritor católico Georges Bernanos: o optimismo é um insulto aos pobres.

FALTAM THATCHERS

João Gonçalves 9 Mai 10



O sr. Cameron, que deverá ser o próximo 1º ministro britânico, parece mais um daqueles produtos do "pingo doce venha cá" que comandam o mundo, uns brancos e outros mais escurinhos. Muito penteadinho, moderadamente redondo de corpo por causa das fibras e das bicicletas, repetidor de lugares-comuns que Blair aplaudiria, Cameron corporiza a moleza indistinta que caracteriza o presente mando global. Dantes, quem era das esquerdas era inequivocamente das esquerdas, e quem era das direitas, era, sem sombra de pecado, das direitas. Agora, os das direitas parecem envergonhados por se dizerem das direitas e os das esquerdas não descansam enquanto não copiam os piores tiques dos das direitas. Olha-se para as cimeiras europeias ou para as da Europa com os EUA e praticamente são todos iguais. Só quando estes se viram para a "emergente" China ou para a Rússia (esta já é "emergente" há muito tempo) é que se nota alguma diferença. Isto quer dizer que as democracias ocidentais, entregues a vulgares manequins irrelevantes, a nuvens de cinza vulcânica e a uma crise económica e financeira endémica, declinam. E até no declínio não revelam a grandeza de outros tempos e de outros declínios, por exemplo, tão maravilhosamente descritos por Gibbon. Pulido Valente sugere que falta uma Margaret Thatcher. Faltam muitas e em todo o lado.

A derrota das esquerdas governamentais europeias, particularmente a do infeliz sucessor do patético Blair pepsodent, Gordon Brown, vista por Medeiros Ferreira. Ele pede "ideias" como quem pede pão a quem fez da padaria uma barraca de farturas embebidas em óleo rançoso. Não vale a pena.

NÃO É?

João Gonçalves 2 Jan 10

«Alguns patetas, que devem ter dificuldade em encontrar a cabeça com as duas mãos, protestam inteligentemente contra os "tremendistas". O dr. Mário Soares (sempre uma alegria) chora dia a dia a "Europa" perdida (ou desencaminhada) e reza aos santinhos da sua desesperada devoção como Lula e Obama. E, segundo consta, uma facção lírica à fado de Coimbra continua ao vento à procura do pensamento. Mas, de qualquer maneira, um facto é certo: a crise de 2008 não produziu uma ideia. Basta ver Portugal. O Estado apodrece, como sempre historicamente apodreceu, com o défice do orçamento e a dívida externa. O regime político está paralisado e desliza pouco a pouco para o grotesco. O PSD não passa de um grupinho de coscuvilheiras, sem vergonha ou emenda. E o PS serve um optimismo lorpa a uma populaça céptica. Nem um arrepio perturbou a inanidade da nossa vida pública. A reorganização da direita? Qual quê? A reforma da esquerda? Nem pensar. Afinal, a julgar pela placidez da populaça e a resignação da classe média, a crise não existe. Como, de resto, se constatará em 2010. Não é?»

Vasco Pulido Valente, Público

OS COMPLEXOS

João Gonçalves 15 Dez 09


Nas eleições presidenciais no Chile, o candidato da "direita" ficou à frente mas é necessário uma segunda volta. Por cá, comentava-se isto como a primeira vez que a direita, depois de Pinochet, ganhava uma eleição. Dupla imbecilidade. Pinochet é atípico da direita. Foi CEMFA desse desgraçado herói das esquerdas, o sr. Allende, que derrubou da forma violenta que se conhece. Instaurou um regime para-militar que mereceu o apoio dos EUA. Seguiu políticas económicas liberais - daquelas que os nossos "liberais" amam desmesuradamente - e recuperou, robustecendo-a, a economia chilena. O que lhe sobrou em "liberalismo económico" faltou-lhe em liberalismo político. Condicionou a sua substituição o e foi "o" regime praticamente até morrer. Ou seja, não deixou sucessores. A direita que ganhou no domingo é outra coisa. Por consequência, o epíteto de "direita" com que os media pretenderam descrever uma continuidade em relação a Pinochet faz tanto sentido como os nossos pobres socialistas se referirem à direita portuguesa como se ser de direita fosse lepra e eles, esses navegadores oportunistas tipicamente "centralões" e negocistas, representassem "a" esquerda ou outra coisa qualquer.

A PALAVRA E O PALAVRÃO

João Gonçalves 24 Out 09

Na noite das autárquicas, em Lisboa, Ruben de Carvalho apareceu umas horas antes do edil Costa a congratular-se pela derrota da "direita". Produziu uma ataque gratuito e retroactivo à dita "direita" e a Santana Lopes, em particular, como nunca fez durante toda a campanha. Por instantes deixou de ser o Ruben civilizado e cosmopolita que não me desagradava para dar lugar a um Saramago de categoria idêntica à do original. Isto é, nenhuma. Agora, com o acordo celebrado entre o PC de Lisboa e o edil Costa para a gestão das freguesias e da assembleia municipal, tudo fica claro. No meio aparece essa patareca Simonetta que, parece, vai ser a presidenta da dita assembleia onde o PC fica com dois secretários da mesa (o que esta gentinha se torce por merdas destas). Simonetta é aquela extraordinária funcionária pública que carrega, aposentada, a cruz do Instituto Camões. Foi leal a vários amos, da direita à esquerda, e vê agora consagrada a sua carreira artística com esta sinecura política. Ora, que se dê por isso, a única tendência que se conhece à senhora é o contorcionismo. Ajuda para presidir a coisas esotéricas como assembleias municipais - onde, apesar de tudo, se deve exigir um módico de percepção política - mas não chega. Logo, o PC passa a mandar na assembleia municipal de Lisboa na qual terá a palavra e Simonetta o palavrão.
«E não excluo ninguém à esquerda que aceite um programa de governo assente nos melhores princípios reformadores do PS», escreve Medeiros Ferreira. Com o devido respeito e amizade, está equivocado. Este PS que vai a votos no domingo não tem propriamente "princípios". É uma amálgama de interesses difusos que giram em torno de um poder pessoal que, se desaparecer, deixa de servir. E, evidentemente, muito menos tem princípios "reformadores" ou outros quaisquer. Depois, só a generosidade do MF lhe permite descortinar nessa perigosa e metódica "igreja" que é o BE as "melhores" das intenções. Qualquer ligação ao dr. Louçã é um retrocesso civilizacional de proporções bíblicas. Não foi certamente para isso que o MF pediu, em nome de Portugal, a adesão à União Europeia, pois não?

BEAUTY AND THE BEAST

João Gonçalves 19 Set 09


Logo ao fim da tarde gravo um pequeno debate desta série com a Marta Rebelo depois de ter estado, na segunda-feira, com o Nuno Ramos de Almeida. A Marta foi várias coisas nestes quatro anos e meio de regime "socrático". Adjunta de um gabinete governamental, chefe de outro e, finalmente, deputada do PS. Esteve no lugar de Vera Jardim. Isto é, usada pelo "socratismo" e desprezada pelo mesmo "socratismo". É, por assim dizer e como tal me foi apresentada pelo Medeiros, uma promessa socialista. Para mim é já praticamente uma certeza. Lá a espero em Queluz.

Adenda: Os cinco debates anteriores estão em linha no Youtube em "combate de blogs".

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