
O que agora mais me custa nas terríveis intermitências do sono é não encontrar o meu cão no silêncio da casa. Antes de o substituir por mais um comprimido, estive a ler a entrevista do Vasco Pulido Valente na revista com o mesmo nome. Uso o "do" porque, outro dia, ele proibiu-me de o tratar por professor (foi nessa qualidade que tropecei nele quando ainda tinha dezassete anos, na Católica) e exigiu "o" Vasco. Esta entrevista é das coisas mais notáveis que li dele, apesar das perguntas "pastosas" do entrevistador. O Vasco, entretanto, está para além de qualquer entrevistador. Estes anos - e outros tantos, de outros tempos e séculos, por causa da história - jamais serão devidamente entendidos sem se ler o Vasco. Sem se "ouvir" o Vasco. A vida dele é "tentar perceber" - e há melhor vida do que essa, por muito dolorosa que seja? - isto. Ainda não desistiu embora já não tenha paciência para "remastigar Portugal". Em poucas linhas, está lá tudo. Do génio - Eça - ao trash que é a designação que ele encontrou para este mundo em que quase tudo é quase já só sub-mundo: «a dimensão histórica das pessoas perdeu-se.» Umas páginas adiante, uma pequenina entrevista a um politólogo da moda, apresentado como "professor universitário e surfista", é elucidativa do que perdemos. Diz o Vasco que a sua voz é apenas uma "vozinha" que não dá para Verdi ou Wagner. Tomáramos nós ter esta "vozinha" do Vasco. Inconfundível e amarga, lúcida e sobriamente divertida, dada ao luxo da leitura e da escrita, bens escassos num tempo que é definitivamente da história. Vou-me deitar.
infelismente o nanismo dos pigmeus é muito mais escutado.
tenho cada vez menos vontade de viver neste caixote do lixo humano.
felizmente devo ser transparente porque niguém me vê. aprendi na tropa que o melhor é "ver sem ser visto" e que se "parte sempre do pior para o melhor"
os títulos de nobreza foram substituído por outros
esqueça o cão e os comprimidos «bons somente para vender». leia, oiça música, faça amor.
estou a trabalhar desde as 5h porque só durmo 4-5h/noite