O primeiro-ministro apresentou o "Programa de Simplificação Administrativa e Legislativa" que leva um nome parecido com o de um detergente para a loiça, "Simplex 2006". O "programa" é manifestamente louvável e, na sua generosa intenção, prevê um conjunto de medidas que, a ser posto em prática, deixa muito do Estado à porta dos cidadãos. Aliás, Sócrates socorreu-se de uma expressão feliz quando esclareceu que a "grande ambição deste programa" era "pôr fim à era do Estado desconfiado que fiscaliza todos os actos e que acredita existir uma solução burocrática para cada problema". É pena que este zelo verdadeiramente liberal do chefe do governo não seja prosseguido noutras coisas e que, em tantos aspectos das nossas vidas pessoais e profissionais, continuemos a ser tratados como perfeitos idiotas por quem exerce um qualquer módico, mesmo que miserável, de autoridade. Não é por causa destas 333 "medidas" que vamos deixar de olhar para o Estado sem desconfiança. Com a nossa maldita tradição, jamais o Estado poderá ser um "parceiro" confiável e estimável. Existe por detrás de tudo uma "máquina" alimentada por homens e mulheres que não estão dispostos a, do pé para a mão, abdicarem das suas pequeninas prerrogativas e dos seus pequeninos poderes. Nessa matéria, o "Simplex" é, seguramente, demasiado simples e porventura ingénuo. Sobretudo quando vê nos dados electrónicos e na Internet a varinha mágica para combater a burocracia. Será que os cérebros do "Simplex" estão mesmo certos do país em que vivem? Esperemos para ver, como dizia o cego.
deixem-me rir....