
Nunca é demais lembrar e homenagear o Presidente Ramalho Eanes que comemora hoje, dia 25, setenta e quatro anos. Sobretudo nestes dias cinzentos, preenchidos com gente cinzenta, ora de plástico, ora de plasticina, por sinal os piores. E em tempos de incerteza rapace, de insegurança e de enorme fragilidade ética. Repito, pois, o que escrevi noutra ocasião. Conheci o Presidente Eanes em 1980 e posso considerá-lo um amigo da mesma maneira que a História, um dia, o recordará como um dos grandes amigos do país e um herói da democracia, nas palavras de Jorge Miranda. Eanes gostou sempre mais desta terra do que ela, alguma vez, gostou dele. Este Portugal de pequeninos oportunistas e de parvenus não merece homens de carácter como Ramalho Eanes. Atípico - não jacobino nem "educado" na oposição "intelectual" pequeno-burguesa e da classe média alta ao "Estado Novo", como Cunhal ou Soares, ou "liberal", como Sá Carneiro -, "formado" para a democracia no "terreno" duro de África onde aprendeu a ser um patriota sem se tornar reaccionário, refractário aos ditames e aos jargões do regime que ajudou a construir depois do "25 de Novembro", discreto, solitário e irrepreensível em matérias de interesse público, o Presidente Eanes é um exemplo que deve ser constantemente celebrado. Parabéns.
Nunca é tarde para aprender e reconhecer.
Depois destes dez comentários, pouco para acrescentar.
Lamentar apenas, que o seu exemplo, de simplicidade, sobriedade e austeridade, tão pouco tenha servido de lição ás espécies de elites políticas que temos aturado. Os novos ricos do regime.
Não falando do que ele aturou, nos meus dois anos de testemunho próximo.
Num lugar tão pouco propício a poder dar uns murros na mesa.
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