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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

APENAS HOMENS

João Gonçalves 18 Fev 09


A propósito da tagarelice originada pela moção do admirável líder - naquela parte destinada precisamente ao ruído - muito disparate será produzido nos próximos tempos. Detesto o aproveitamento da sexualidade para efeitos políticos e, por isso, critico abertamente os "associativismos" sexistas, feministas ou gay. E oponho-me ao uso do termo casamento para same sexers porque, por mais que isso incomode, o conceito foi pensado e desenvolvido para outra coisa. Se não fosse assim, o PS do bonzinho Guterres, em 2001, tinha ido até ao fim (refiro-me à "semântica") quando legislou sobre uniões de facto, maioritariamente heterossexuais, aliás. Uma vez resolvida a questão "semântica", vamos ver quantos "casais" que hoje andam para aí de bandeirinha na mão se irão efectivamente casar. De outra banda, mas certamente por causa disto, o cardeal Saraiva Martins, nas já famosas "conferências do casino da Figueira da Foz", afirmou que "a homossexualidade não é normal". Seria esdrúxulo pedir ao cardeal Martins que lesse os clássicos. Ou, pior ainda, Gore Vidal. Fora casos do foro criminal ou patológico, a sexualidade não possui quaisquer antecedentes ou consequências "normativas". É irrelevante para o andamento do mundo o que é que dois adultos fazem um com o outro entre portas. Se desejam procriar, façam favor. Se querem outra coisa, façam favor também. É evidente que a Igreja não pode ter outra posição "doutrinária" ou "valorativa". No limite, ética. E não ignora, de certeza, que no seu seio há milhares e milhares de católicos que não perdem um minuto a pensar na "normalidade" ou na "anormalidade" da sua sexualidade. O factor "culpa" que afirmações como as do cardeal Saraiva Martins introduzem no relacionamento afectivo e sexual, são tão desagradáveis como as que reclamam visibilidade política para a "esfera" privada. Até porque, por mais voltas que se dêem, a homossexualidade - tal como a Igreja a breve trecho - deve habituar-se a viver em minoria, sem preconceito ou espectáculo. Como disse Joseph Ratzinger, há tantos caminhos para Deus como há homens. Homens complexos, felizes ou infelizes, sós ou acompanhados, mas nunca "normais" ou "anormais". Apenas homens.

24 comentários

De douro a 18.02.2009 às 15:05

A este seu post, tiro-lhe o meu chapéu.

De Miguel Neto a 18.02.2009 às 15:06

Mais uma vez, estou totalmente de acordo. Não preciso, não tenho e não quero saber o que se passa na intimidade entre pessoas adultas e livres ou quais as suas escolhas e preferências sexuais. Não acho que isso seja uma Qualidade ou Defeito de Carácter. Noto também a ironia de ver o casamento, tão atacado, tantas vezes, por tantas razões, por muitos "sociais-fraturantes profissionais", ser hoje defendido por eles.

Outra nota tem a ver com o facto da Igreja se dirigir ao Homem, quer esteja aqui ou num local ermo da Amazónia, seja ele erudito ou analfabeto, de hoje, de amanhã ou de há 2.000 anos atrás.

De Leonor A. Matos a 18.02.2009 às 16:18

Como crente numa entidade ou inteligência superior já há muito que percebi que Deus adora sexo!

De Anónimo a 18.02.2009 às 17:35

MUITO BEM VISTO JG:pensar no assunto da maneira que aqui fazes, foi a melhor forma de eu própria entender quão bizarro é andar todo o mundo politiqueiro preocupado em tratar publicamente o que é TÃO (mas TÃO mesmo!)PRIVADO!!!
Diria mais,nunca se viu coisa mais "paneleira" do que querer-casar-«coisas»-iguais...
Os ingleses é que resolveram bem a questão:casam-se as "pilas" com os "pipis" e emparceiram-se(de "parcerias"):«pilas com pilas» e «pipis com pipis».
E mai nada!
Marezia.

De Tino a 18.02.2009 às 18:48

A estatística mostra o que é a norma.

Sobre se é ou não normal, depende do que se entenda pela palavra.

De jpt a 18.02.2009 às 19:04

V. é mesmo antipático

De Anónimo a 18.02.2009 às 19:53

Citando o exemplo dado pelo cardeal com o Génesis, poderemos então concluir que, todos aqueles que optem por não usar de todo a sua sexualidade, como faz o Sr. Cardeal, não fazem uma opção normal, porque a mesma recusa um bem e uma ordem dadas por Deus!

Gostaria no entanto de dizer ao Sr. Cardeal, na minha autoridade de homem casado e pai de filhos, que anormal é alguém atirar-se do alto de um prédio pretendendo voar. Tudo o resto que um homem consegue fazer de acordo com a sua natureza, só pode ser normal.
Xico

De Lura do Grilo a 18.02.2009 às 20:28

Dou razão ao Cardeal Saraiva Martins.
A união homossexual encerra um não objectivo é um beco sem saída. Dali nada irradia e nada se cria. É a morte em vida.
Fazer disto um casamento não vale a pena.

De Fado Alexandrino a 18.02.2009 às 22:05

Não me quero, porque não tenho categoria, meter-me nestas discussões.
Para mim normal é a maioria e logo uma minoria é anormal.
Não é normal morrer-se de cancro, não é normal um fulano dar um tiro noutro, nem é normal o incesto.

Não estou a fazer juízo de valores.
Portanto ser gays ou lésbica ou transexual ou pedófilo ou necrófilo ou outro desvio (lá está, por algum motivo usam este termo) qualquer é anormal.

De Anónimo a 18.02.2009 às 22:23

Fado Alexandrino,
Acredite que é normal morrer-se de cancro...
E não, todos os que votaram contra Chavez na Venezuela, não são anormais...
Quanto à "anormalidade" de Alexandre ou de Adriano, a humanidade tem uma dívida enorme...
Xico

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