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portugal dos pequeninos

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A gala dos emigrantes famosos

João Gonçalves 22 Dez 13

 

Algumas "elites" e os nababos do costume promovem amanhã, sob o altíssimo patrocínio do regime (PR, Governo e, se bem entendii, com o dr. Seguro a título de correcção política ornamental), um "conselho da diáspora" para a glória exterior do egrégio portugalório. Pessoas estimáveis que se safaram lá fora - desde o actor Joaquim de Almeida a um familiar Espírito Santo, passando por "brilhantes" executivos anódinos que, pelos vistos, para o serem tiveram de sair da paróquia - constituem a coisa e juntam-se, um dia antes do horrível natal, para nos mostrar (e ao mundo que incompreensivelmente nos ignora) que há portugueses "bons" que dlilatam brilhantemente este lugar deletério junto dos países que os acolheram (ou que eles, muito adequadamente, escolheram para se verem livres disto). Mas esta conversa - a da boa "diáspora" contentinha consigo mesma - é uma léria que funciona em circuito fechado e porventura a despropósito. Porque se o senhor a ou a senhora b são bem sucedidos e, nesse sentido, exemplares e susceptíveis de poderem ser exibidos como troféus dos novos lusíadas para efeitos "gold import-export" tão ao gosto das mistificações patrioteiras do senhor vice PM, é preciso não esquecer os cem a cento e vinte mil "forçados" recentemente à saída e que, decerto, não cabem num evento glamoroso como este, estilo "gala dos emigrantes famosos". Só para "estudar" estes 120 mil era preciso, pelo menos, um semestre e não é certo que os presentes na "gala" oficiosa apreciassem o convívio ou as conclusões. Como escreve Vasco Pulido Valente, «o Conselho da Diáspora está ansioso por impingir Portugal como uma colónia de primeira classe. Resta saber como se fará essa subtil operação de charme. Londres tem o Big Ben a City e a vida fascinante da família real; Paris tem o Louvre e a Torre Eiffel; e Roma tem o Coliseu. Mas nós só temos o pénis de João Cutileiro, entre duas colunas triunfais que não significam nada e alguns metros do Algarve, que a construção civil ainda não arruinou de todo: para emblema, não parece grande coisa. Nem a nossa vida do dia-a-dia, mesmo no Porto e em Lisboa, é especialmente convidativa. A velha Lisboa, por exemplo, já não existe e a nova Lisboa não passa de uma mediocridade sem ordem ou alegria. A cozinha tradicional caiu a pique com a falência das pequenas tascas da Baixa e do Bairro Alto. Claro que um investidor não vem cá por prazer. Vem pela estabilidade do poder político; pela solidez do regime fiscal; pelo equilíbrio financeiro, pelas leis laborais ("flexíveis", evidentemente); e pelo funcionamento regular e rápido da justiça; e pela ausência de burocracia. Mas basta abrir um jornal ou ligar a televisão para se perceber que nesta base o "produto" Portugal ou, como explicam algumas notabilidades da Diáspora, a "marca" Portugal não irá provavelmente pôr o mundo em delírio. O respeito dos que nos conhecem (e dos que não nos conhecem) depende da ordem, da eficiência e da sensatez com que soubermos tratar dos nossos problemas. Não depende de vagas conversinhas de "iluminados". O que Portugal é não muda com um bocadinho de public relations, por boas que sejam.»

4 comentários

De monge silésio a 22.12.2013 às 23:53

Por vezes este País levanta-se e esquece a estrumeira a que se vota.
As elites criam tretas (há exceções ... mas não andam na SeteMais ou na TVe por regra são pessoas odiadas).

As elites tugas que se amontoaram de business e parceria com o Estado, que falam de plástico quando aludem a ação, que correm medalhadas no dia 10, descendem do que levou o país à bancarrota: o cultivo pela Europa, o horror ao trabalho e ao engrandecimento do préstimo, o cultivo do adjetivo e do advérbio, a covardia e a visão curta.
Desde o Joe do BCP que se sabe que meter aqui dinheiro é derretê-lo porque é preciso olear a máquina do pensionista ao tiranete local, a não ser que se garanntam negócios com o Estado e se dê entrevistas de elogio ao grande timoneiro português: o PS-PSD.

As próximas gerações saberão desta aprender uma lição: no Estado, poucos, ...poucos portugueses.

De Vortex a 23.12.2013 às 09:33

Caro Irmão
aproveite a o conceito de Natal para esvaziar alguns problemas.
fiz isso com receio de me tornar excessivamente obsessivo.
2 observadores à mesma janela nunca podem ver a mesma paisagem.

a diasporra é com a dona cunha o melhor que sempre tivemos e a Unesco não as reconhece como património

De franbcisco cruz a 23.12.2013 às 11:56

Onde este homem já vai desde que lhe tiraram os "víveres"!

De Pedro a 23.12.2013 às 23:35

Já lá vai o tempo em que tivemos boa imagem lá fora. Depois do disco riscado do Passos Coelho a repetir que "tínhamos que empobrecer", que "estávamos a viver acima das nossas possibilidades" que a prioridade nacional era pagar aos credores, passando a imagem de um povo atrasado, gastador, preguiçoso? Ai agora querem virar o disco?! Tá bem, tá

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