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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU



Uma entrevista perspicaz do José Medeiros Ferreira, fora do "registo papagaio loiro" em vigor, sobre nós e a Europa. «O mapa cor-de-rosa é assim: nós temos de ter uma política realista de negociação. Eu nunca teria posto a negociar com a troika um ministro como Vítor Gaspar, saído da dogmática do BCE. É um colonizado, viu a revelação, soube a catequese, já estava com o lacinho da comunhão. Interiorizou aquilo até ter percebido que estava errado, como escreveu na carta de demissão. Um bom negociador seria o ministro da Saúde, Paulo Macedo. Ou uma pessoa como Bagão Félix (...). Paulo Portas não é um bom negociador, quer é chegar à conferência de imprensa e dizer umas coisas... O facto de ele ter recuado na demissão de MNE retirou-lhe toda a credibilidade. [Mas ele recuou e avançou]. Não avançou nada, ficou sem aparelho. Uma pessoa que é ministro dos Negócios Estrangeiros, que tem um aparelho no Palácio das Necessidades que é um dos melhores corpos do Estado em Portugal, vai ficar pendurado no palácio das Laranjeiras sem um aparelho próprio? Está tudo dito sobre a capacidade negocial que vai ter com a troika. Pode fazer chantagem... Mas como já fez uma vez, com as "linhas vermelhas", e recuou... Quando [a troika] o viu, lá perceberam logo que ele é um franguito, vai dar para assar durante um certo tempo (...) [Estamos preparados para negociar um bom programa cautelar?] Não, é por isso que defendo uma mudança de Governo. E a negociação devia acontecer depois de eleições. [Já podíamos ter tido eleições.] Esse impasse deve-se inteiramente ao professor Cavaco Silva, que estimou mal os tempos para a negociação portuguesa. Achou que isto ia lá com este Governo, o que é um erro de estimativa que lhe pode ser fatal e para Portugal também. Este Governo já não tem capacidade negocial, anda a reboque de tudo (...) Neste momento, temos de ser grandes negociadores dentro da Europa e ter algumas propostas. E ter uma política externa virada para as nossas alternativas, dos EUA à China, ao Brasil e a Angola. [Isso não está a ser feito?] Está, à nossa maneira, uma maneira ad hoc e com muitos ruídos e atrapalhações pelo meio. [Não andamos a confundir política externa com um caixeiro-viajante?] A política externa tornou-se um bocadinho isso. Eu sou um empirista. Tenho um certo receio de coisas como a exploração da plataforma continental [extensão submarina do continente europeu quanto à qual Portugal está a negociar direitos nas Nações Unidas]. Sou a favor, mas desconfio de que nos vamos perder outra vez num oceano de nada, com muita retórica. É isso que nos desvia. [E dentro da Europa?] Temos de ter um parceiro forte, que me permita estar à vontade com a Espanha, mas que esteja um bocadinho mais longe e seja mais forte. Os EUA, a Grã-Bretanha, se fosse mais pró-europeia, a França, se existisse. [Disse que não imagina Portugal a sair sozinho do euro. E se fossem vários países a sair ao mesmo tempo?] Nessa altura, Portugal era capaz de ser amparado para não sair. [Mas o caminho continua a ser estar no euro?] Eu acho que nós, neste momento, temos duas moedas. Houve um regresso clandestino do escudo. Temos é de criar condições para que a zona euro seja uma zona de crescimento. Se isso for feito, vale a pena continuar. Se não for feito, significa que as consequências da saída e as consequências da manutenção serão uma questão da oportunidade. [Que Europa vai sair desta crise?] Durante uns tempos, vamos viver numa União Europeia residual. Depois, logo se vê. Se resolverem a crise do euro, dá um passo em frente. Se ficar assim-assim, ela estagna.»

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