O
governo de Sarkozy não seguiu os conselhos dos beatos portugueses e dos
candidatos a beatos. Não se consome, em França, a notável tese dos bons rapazes apesar de Rousseau. Em compensação, em Portugal sobram teóricos que, como a história doméstica nos tem abundantemente demonstrado, dão lições ao mundo sobre tudo e sobre nada. Nenhum deles quer saber da realidade. As suas lustrosas cabeças frequentam outras alturas a aspiram à beatitude social e cultural. Carregam, vergados, todo o lixo ideológico que em parte alguma do globo resolveu um só dos seus complexos problemas. Apesar de especialistas em "problematizar", os nossos teóricos distinguem-se tipicamente pelo irrealismo e pela irresponsabilidade. O nomadismo é um belo sinal de desconforto e de inadaptação. Mas nenhuma "especificidade" pode ser fechada num aquário sem água, para gáudio dos teóricos, quando o desconforto é geral e a inadaptação persiste em nome da ladroagem mais reles e primitiva por causa de uma coisa tão simples como a sobrevivência. Aí, é forçoso que sobrevivam de outra maneira ou aprendam a tal e não como rasura ou falha nossa. É esta a lição de superioridade da civilização em que fomos criados e que está a desaparecer à conta de muito do seu "iluminismo" de pacotilha. Tenham juízo.
Eu creio que nesta estória dos ciganitos e ciganões, o caro J. Gonçalves labora em erro!!
Não se trata de apreender a poesia da notável tese dos bons rapazes, mas apenas de ajuizar a boa dose de desconfiança com que vemos, hoje (mesmo sem saber se amanhã serão outros, caso a moda pegue), irmãos ciganitos serem tratados! E não consta que sejam despachados por ordem de um Tribunal, com certidão de uma qualidade, nem que os despachados sejam, para além de ciganitos, ciganões!! Eu, pelo menos, aprendi assim, mas há quem, no Burundi, aprenda de outra maneira!!
Um bem haja para si e veja lá bem a coisa, com calma e prudencia como lhe é costume!!