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"Os tempos são ligeiros e nós pesados porque nos sobram recordações". Agustina Bessa-Luís
João Gonçalves 21 Dez 12
Estava a andar a pé, por acaso ao sol, à hora prevista para o fim do mundo. Aparentemente, como se constata pela circunstância de estar a escrever este post, o mundo não acabou. Coisa bem distinta é ter acabado, há muito, o mundo tal como o conhecíamos. Ou, mais adequadamente, como o conheci e me preparei para ele. Enquanto prosseguia esse não evento finalista, no parlamento português decorria o derradeiro debate quinzenal com o Governo. Trata-se de uma invenção cuja paternidade é atribuída a António José Seguro ainda nos idos do "kim-il-socratismo". À partida não se pode retirar mérito à "teoria". O pior tem sido a "prática". A proximidade entre debates banalizou-os e acentuou a irrelevância do exercício a não ser a benefício da estatística democrática. O país, suponho, ignora-os. Os deputados não ajudam. E a redução dos membros do Governo presentes a dois ou três ministros e a outros tantos secretários de Estado também não. O parlamento - que, nos termos da Constituição revista em 1982/83, juntamente com o primeiro-ministro, passou a ser o "centro" do nosso sistema político -, persiste em evidenciar-se perante a opinião pública como um lugar onde a conversa democrática se confunde despropositadamente com um ambiente de tagarelice, lérias, lamúrias e larachas (os termos são de M. M. Carrilho) a que o "povo" é alheio. Como se isto não bastasse, algumas comissões parlamentares "prolongam" aquele ambiente nos seus trabalhos. Recentemente uma delas ouviu cerca de meia dúzia de pessoas por causa de umas imagens que terão sido cedidas às autoridades policiais. Resultado? Um relatório? Recomendações? Não. Um processo disciplinar a um dos depoentes e a suspensão da sua relação laboral com a empresa respectiva por causa do que esteve a dizer na comissão. E uns quantos putativos procedimentos judiciais contra outros depoentes pela mesma razão. Não, não é o fim do mundo. Mas já estivemos mais longe disso.
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