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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Motivações, segunda parte

João Gonçalves 21 Ago 12

O Rui Ramos decidiu perder algum do seu tempo a responder a este "historiador" que "escreve quinzenalmente" no Público. Não valia a pena. Já nem tive paciência para ler a segunda "tranche". Há muitos anos, apesar da juventude relativa do homem, que nada de novo ou estimulante intelectualmente entra ou sai de cabeças como as dele. Para recorrer aos termos de Miguel Tamen, não são definitivamente amigos de objectos interpretáveis. Não elaboram porque alguém, muito antes deles, já tinha elaborado e, para eles, de forma definitiva. Adoram atribuir linguagens aos outros - sobretudo, como no caso manifesto de Ramos, absurdas e erradas - que os outros tipicamente não usam nem nunca usaram. Seguem uma vulgata com uma espécie de olho ciclópico cego no meio. O Rui termina o artigo com uma conclusão óbvia: «Esta não é uma polémica historiográfica ou uma questão de opiniões. É um simples caso de difamação pessoal.» Antes que o Carlos Vidal apareça aqui a "defender" a sua dama, salvo seja, a "academia" personificada na maravilhosa loffica pessoa contra o sempre atroz fantasma de Salazar, e com a devida vénia, fica o texto do Rui Ramos na íntegra.

 

«Publicou o jornal PÚBLICO, nos números de 2 e 16 de Agosto, dois artigos de um seu colunista quinzenal a acusar-me de ter dito, na História de Portugal de que sou autor com Bernardo de Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro, que a ditadura de Salazar não era uma ditadura, mas um regime democrático e pluralista, e que a melhor solução política para o Portugal de hoje é uma ditadura fascista como a de Salazar (há obviamente uma contradição nestas duas acusações, que parece ter escapado ao autor delas). Para "provar" tais calúnias, são-me atribuídos argumentos que nunca defendi e deturpado o sentido de frases e de pedaços de texto, grosseiramente mutilados e manipulados. Darei alguns exemplos. É dito ter eu afirmado que Salazar não era uma "personagem ditatorial", no sentido em que não era um ditador e o seu regime não era uma ditadura. Nunca, como é óbvio, disse isso: o que eu digo, a p. 639, é que Henri Massis, ao visitar Salazar em 1938, notou que "nada tinha de uma personagem ditatorial" (a expressão não é minha, mas de Massis), no sentido em que projectava uma presença muito diferente do ditador típico da época, como Mussolini, o que não quer dizer que Salazar não fosse um ditador (como até Massis o considera, aliás). De resto, chamo por todo o lado ao Estado Novo uma "ditadura". É dito que eu considero o Estado Novo um regime absolutamente idêntico à monarquia constitucional do século XIX. Nunca, como é óbvio, disse isso: o que eu digo, a p. 632, na linha de vários historiadores e juristas de diversos quadrantes ideológicos, é que o Presidente da República - só isso - faz lembrar, na constituição formal do Estado Novo (muito diferente da efectiva), o rei da monarquia constitucional, o que não é a mesma coisa que dizer que a ditadura salazarista é igual ao regime liberal do século XIX. É dito que eu considero o Estado Novo um regime que não se distingue das democracias ocidentais do pós-guerra, quando o que eu digo, a pp. 667-670, é que a Guerra Fria levou as democracias ocidentais a tolerar e a enquadrar ditaduras como a de Salazar, cujas semelhanças com a Itália fascista noto a p. 638 (cito-me: "Em 1940, o Estado Novo lembrava em muitos aspectos o Estado fascista italiano"). É dito que eu faço a história da ditadura de Salazar sem jamais mencionar a censura, a PIDE, a tortura, etc. - quando, a páginas 654 e 694, descrevo o funcionamento da censura; a pp. 650 e 695, os recursos e os métodos de actuação da PIDE; a p. 651, cito o número de presos políticos, o número de mortes no campo de concentração do Tarrafal e o uso generalizado de torturas como a "estátua"; a p. 695, atribuo o assassinato do general Delgado à PIDE; a p. 673, refiro o sistema de penas de prisão renovadas por decisão do Governo ("a confirmação de que o arbítrio pessoal dos governantes substituíra qualquer procedimento judicial") e as exclusões políticas no emprego; a p. 652, cito uma carta impressionante de José Marinho, de 1937, que bem revela o peso opressivo da ditadura salazarista sobre o quotidiano. É dito ainda que escondo a violência colonial, quando a verdade é que afirmo que, sob a ditadura de Salazar, tal como sob regimes anteriores, as populações das colónias estavam "à mercê da administração" (p. 659), prosseguindo uma análise de pp. 563-565, em que enfatizo a dimensão violenta da colonização em África. Podia continuar. Não me parece que valha a pena. O resto é deste mesmo quilate. Recorrendo a tais métodos, e com a desfaçatez com que são usados neste caso, seria possível "provar" que qualquer pessoa é "fascista". Permito-me convidar os leitores do PÚBLICO, sejam quais forem as suas convicções, a ler os capítulos sobre o Estado Novo na História de Portugal, quer na edição de livraria da Esfera dos Livros, quer na edição que está a ser distribuída gratuitamente pelo semanário Expresso. Não é uma obra perfeita. Terá limitações e defeitos. Mas estou certo de que nenhum leitor de boa fé, por mais que discorde das minhas interpretações, poderá dizer que derivam de "ideias fascistas". Há sete anos que escrevo semanalmente na imprensa e participo regularmente em programas de televisão. Os leitores do PÚBLICO puderam ler-me durante três anos, todas as semanas, entre 2006 e 2009. As minhas orientações e pontos de vista não são segredo. Toda a gente que me leu ou ouviu sabe que não tenho qualquer simpatia por ditaduras, sejam de direita, de esquerda ou do centro. Em tudo o que disse e escrevi sobre a ditadura salazarista, em publicações académicas ou na grande imprensa, em aulas ou em palestras, nunca deixei a mais ligeira dúvida sobre a natureza opressora e asfixiante do regime. Não por facciosismo, mas porque o regime era mesmo assim. Podia citar aqui o primeiro estudo académico que publiquei sobre o salazarismo, em 1986, na revista Análise Social, n.º 90, pp. 109-135 (disponível online). Mais eis, por exemplo, excertos do que escrevi no Expresso, suplemento Actual, 24 de Julho de 2010, pp. 8-13: "Quando comparamos a ditadura salazarista com as suas contemporâneas, quer na década de 1930, quer na década de 1960, a contabilidade repressiva é modesta. (...) Mas não nos devemos enganar. A ditadura de que Salazar esteve à frente desde 1932, quando assumiu a chefia do Governo, foi mesmo uma ditadura, com censura, tortura nas prisões, penas indefinidas e discriminações políticas. Pareceu "moderada", porque, como explicou Manuel de Lucena, era meticulosamente "preventiva". Todos em Portugal estavam à mercê do poder, sem real protecção jurídica. (...) Nunca houve dúvidas de que (a ditadura) podia ser implacável. Deixou morrer três dezenas de anarquistas e comunistas no campo do Tarrafal, em Cabo Verde, entre 1936 e 1945. Perseguiu e exilou o bispo do Porto, encobriu ou não investigou o assassinato do general Humberto Delgado por agentes da PIDE em 1965"...  Como é possível alguém que leu isto dizer que eu "nego" a ditadura? De facto, as acusações que me foram feitas são tão absurdas que não deveriam merecer resposta. Esta não é uma polémica historiográfica ou uma questão de opiniões. É um simples caso de difamação pessoal. Mas, publicadas num jornal como o PÚBLICO, tais calúnias e falsidades poderão ter deixado perplexos alguns leitores que ainda não conhecem o livro. Para esses, e só para eles, escrevi estas notas. Para os que leram o livro de boa fé, mesmo sem concordar, não creio que sejam necessárias.»


Foto: Meios e Publicidade


Adenda: Este post do Miguel Castelo-Branco


Adenda2: Um "retrato" do fabuloso académico Loff por António Araújo. Apetece dizer - como o António Barreto uma vez disse de Sócrates - que não sei se Loff é fascista. Parece, mas, sinceramente, não sei.

23 comentários

De Isabel Metello a 21.08.2012 às 13:45

Oh, estou desapontada com Rui Ramos, não por explicitar o que escreveu, mas por denominar como fascista um regime autoritário (Franco empilhava corpos em Badajoz ou onde quer que lhe conviesse, mas claro que a PIDE e o Tarrafal foram tb atrozes, mas fico sempre a matutar como é que houve um exilado que não foi expropriado por um Estado tão "ditatorial"- se fosse o Marquês de Pombal, o Franco ou o Pinochet matar-lhe-iam a família toda e ficar-lhe-iam com todos os bens. Tb me escapa como tantos "resistentes" de "famílias bem" escaparam ao Tarrafal, pois não estou a ver o KGB ou mesmo a polícia política do regime de Pinochet deixar escapar alguém que se atrevesse a esconder-se numa pensão da Duque de Loulé- até é aristotelicamente inverosímil!
Logo, poderemos, então, pensar em vários graus de ditadura e di-lo quem Ama a Liberdade de Expressão e de Acção e tb a Isenção- detesto facciosismos conjunturais, embora respeite e admire opiniões contrárias à de moi-même, se bem fundamentadas! Engraçado, mas a experiência de vida ensinou-me (talvez pela falha do raciocínio indutivo:) que tantos, mas tantos, "democratas" abrilistas ferrenhos que por aí ainda sobrevivem e pululam no fausto são do mais autocrata e despótico que existe, actualizando a auto-citação de Rui Ramos (ainda não li a obra :) na "p. 673, refiro o sistema de penas de prisão renovadas por decisão do Governo ("a confirmação de que o arbítrio pessoal dos governantes substituíra qualquer procedimento judicial") e as exclusões políticas no emprego". Mas isto não poderia descrever tb o status quo do pós-25/74? Então e os saneamentos por José Saramago no Jornal de Notícias? Então e esse m.o. sempre actualizado até hoje, valorizando, por sistema, a mediocridade endogâmica em desprimor do mérito, uma das cruciais "causas da decadência" deste canto ibérico? E as perseguições, por vários motivos congeminados à la carte, em vários campos sociais e contextos, se algum poderoso reticular estiver envolvido? E a anulação dos Direitos mais Básicos de tanta gente só porque confronta um ser dessa espécie sacralizada pelo vil metal?
E reforço, sou anti-qualquer tipo de ditadura, oficial ou dissimulada, creio piamente na Liberdade de Expressão e de Acção e no debate polilógico, com base numa argumentação sólida, mas abomino a hipocrisia, logo não distingo, estruturalmente, a censura dos media da altura da dos de hoje, apenas creio que se tornou menos básica, mais sofisticada e mais afoita à promiscuidade entre campos sociais, que não só os outrora político-económicos. Em suma, ficou (quase) tudo na mesma ou pior, dado que o m.o. estrutural manteve-se, com Raras e Digníssimas Excepções, tornando-se muito pó-modernamente letal, embora, mais colorido! Alguém me poderá dizer que, na grande maioria dos media, se um dos jornalistas resolvesse insurgir-se contra o agenda setting do Master Dixit não seria logo afastado? Outro alguém me poderá explicar as estatísticas relativas a casos criminais envolvendo figuras públicas poderosas que, não raro, mesmo com as investigações judiciárias a comprovar o contrário, são da forma mais escabrosa arquivados, prescritos ou alvo de absolvições ? Alguém me poderá explicar como é que um miúdo é morto a tiro por um PSP, por furto, e grandes criminosos que destroem Vidas de Crianças não levam nem com uma pena em cima?! E isso é sinónimo de estarmos num Estado de Direito Democrático?
Obrigada, tal ajudaria muito a um distanciamento narrativo colectivo para nos situarmos! Mais, não compreendo que pessoas ditas "cultas" denominem como "fascista" um regime autoritário (o fascismo é laico e digo "autoritário" pois estou-me a lembrar da ditadura no Chile, do regime de Franco, do regime soviético (incluindo a ex-RDA e a STASI) e até das carnificinas no Zimbabwe pelos capangas de Mugabe entre outros holocaustos ).E porquê? Porque a História tem muito a ver com Justiça e Ética Analítica, com inevitáveis comparações!
Quanto à morte de Humberto Delgado é estruturalmente similar à de Sá-Carneiro- alguém foi responsabilizado mesmo com confissões públicas? E por que é que os PJ dos grandes casos são sempre arrumados? Estou-me a lembrar do refrão :) "deixa-me rir, essa história não é tua (...)"...

De Nuno Castelo-Branco a 21.08.2012 às 14:05

Os "cientistas da história" loffeireiros e adjacentes, são precisamente os mesmos que miram a passagem do homem sobre o planeta, como uma mera contabilidade de sacas de lentilhas, número de burros, bilhas e bois à disposição de rendeiros e "massas", sejam lá elas o que forem. Claro que a isto há a acrescentar umas centenas de inconvenientes páginas arrancadas aos livros, fotos retocadas, "métodos dinâmicos de reeducação" em paragens longínquas e uma preocupante questão: bem vistas as coisas, como é que hoje em dia, alguns ainda se atrevem a comparar a passagem de Catarina de Áustria pelos assuntos do Estado, com a imorredoura obra patriótica de Catarina Eufémia?

O problema com Rui Ramos é mais simples: tal como o recentemente falecido José Hermano Saraiva, é um comunicador nato. Quando surge na pantalha, poucos mudarão de canal e isso é o que irrita muita gente. Aliás, os loffeireiros estoriadores são os primeiros a grudarem-se aos minutos em que RR ocupa o ecrã. Talvez o fetichismo chegue ao ponto de o gravarem em DVD.

De Carlos Vidal a 21.08.2012 às 23:01

(Oh meu caro amigo, sabia que há regras para se colocarem vírgulas?)

De Nuno Castelo-Branco a 23.08.2012 às 16:48

Falou-se da piramidal Catarina Eufémia e pronto, já está... Caro Vidal, não se rale demasiadamente com as minhas* vírgulas mal colocadas, pois eu cada vez mais me borrifo para regras. Nem sequer me preocupo com revisões de texto. Há quem por aí quem de fato nos obrigue a factos consumados. Não lhe parece bem pior?

*não, não tenho qualquer tipo de pretensão, não sou aquilo que por aí se designa de intelectual, etc. Dou a minha opinião como é do meu inteiro direito. Disso não prescindo enquanto tal for permitido, claro.

De Carlos Vidal a 23.08.2012 às 20:35

Não tinha reparado nisso, na menção a Catarina Eufémia. Mas, da sua parte, é uma referência de muito mau gosto. Era uma mulher, uma camponesa, foi assassinada. Deixou família, tem descendentes. Gozar com mortos que deixaram mais solitários os seus entes é de mau gosto. Não deve ser muito humano. Eu não faria isso nem com um rei (entidade que abomino, como sabe). Passar bem.

De Nuno Castelo-Branco a 24.08.2012 às 16:16

E se fosse um Catarino Eufémio, homem e camponês? Qual seria a diferença? Lembro-me logo daquele tipo de notícias em que um locutor de ar severo, perora sobre um atentado que matou 150 pessoas, entre as quais se encontravam cinco mulheres. E se as mulheres fossem do tipo "kapo" Anna Pauker e os restantes 145 entes fossem prisioneiros, homens agrilhoados? Qual seria o critério do politicamente correcto? Diga lá, ficarei esclarecido.
Se me passou pela cabeça o nome da ilustre alentejana , isso deve-se à exaustiva utilização de C.E. - aproveitamento, costuma dizer-se - por alguns. Faltando um Stakhanov, sempre se arranjou qualquer coisa. As religiões são mesmo assim. Um assassinato ou uma execução, consistem precisamente na mesma coisa. Sou um daqueles talassas muito ancho por ter sido a "omminosa Monarchia" a colocar um ponto final na senda da Pena de Morte em Portugal. Por sinal, quando cheguei à Metrópole (1974), bastas vezes ouvi gente que a altos berros reclamava a sua restauração. Talvez o Carlos ainda se recorde disso.

De Carlos Vidal a 25.08.2012 às 00:53

Recordo-me apesar de não ter idade para tal, mas não me oponho nada à pena de morte para monarcas. São alvos legítimos.

De A a 22.08.2012 às 16:35

Você é um idiota Nuno Castelo Branco

De Nuno Castelo-Branco a 23.08.2012 às 16:43

Obrigado pelo elogio, um anónimo sempre é um anónimo.

De A a 24.08.2012 às 10:58

Você não tem nível nenhum, Nuno Castelo Branco. É a idiotia em pessoa.

De Carlos Vidal a 21.08.2012 às 16:37

Trata-se de um artigo sem alma, fraco e débil (é a mesma coisa?), defensivo, muito defensivo e medroso. Justificativo, o que é pior: eu não sou isto nem isto nem isto, por amor de Deus leiam-me, etc., etc..... Recorre a um texto de 1986 (que li), um bom texto aliás.... mas de 1986 !!!!! Volveram trinta anos, agora, no presente, é que são elas! Recorre a um argumento rasteiro - acusa o adversário de difamação (suponho um acto judicial subsequente), o argumento dos impotentes. É a vida. Ah, a "academia". Eu sé a defendo porque, pelo menos desde os tempos heróicos do surrealismo (bons tempos, grandes nomes, em Portugal também), desde aí que a "academia" é o saco de pancada mais fácil de utilizar. Mas a que propósito vem aqui parar a "academia"?

De João Gonçalves a 21.08.2012 às 19:59

É simples, Carlos. No outro post V. começava assim: «V. não gosta mesmo da Academia. Vá lá saber-se porquê.» É muito previsível. Cps. JG

De Carlos Vidal a 21.08.2012 às 22:59

Tenho uma ideia disso, sim. Acho que escrevi isso. Mas não me recordo bem porquê.
Não teria sido porque o meu caro terá escrito que a obra ou história de Ramos supera a produção ou a academia? A sério, não me lembro por que motivo defendi a academia. Talvez porque o ataque à academia num outro texto seu não viesse a propósito ou porque terá sido demasiadamente previsível. É que a academia até é uma coisa séria e exigente. E quando se leva aquilo a sério, a coisa é deveras desgastante e uma pessoa não gosta de determinados comentários. Só isso, problema meu.

De Nuno Castelo-Branco a 23.08.2012 às 17:00

Caro Carlos, a propósito de academia, decerto já terá escutado alguns disparates e assistido pessoalmente a atitudes menos próprias dos ditos académicos e daqueles que normalmente os rodeiam como aspirantes a "engraxates". Pois bem, há uns bons anos, numa aula de medieval na FLL, a douta senhora que palestrava, dizia com o ar mais sério deste mundo que o monarca X tinha sido o primeiro a "bater moeda com a sua esfinge". Como encartado idiota que sempre fui e serei, tentei fazer passar a diferença entre uma efígie e uma esfinge. A fulana não atingiu e ainda por cima quis achincalhar-me diante da turma. Fiquei com a estranha sensação de estar perante alguém que não fazia a menor ideia acerca do significado daquele grande monólito sito no parque temático de Gizé. Garanto-lhe, é verdade.
Nada que não ficasse resolvido antes do início da aula seguinte, através do recurso a uma fotocópia em tamanho A3 colada no quadro e que recorria a um dicionário.
Repito, Faculdade de Letras de Lisboa, anos 80. Que tal? Episódios deste tipo na "Academia", há-os aos pontapés e então nos dias de hoje, com os belos exemplares com que deparamos dia sim-dia sim no noticiário, o quadro não é dos melhores.

De Vortex a 21.08.2012 às 19:38

o meu filho, mulher e dois sobrinhos acabam de regressar de 3 semanas na China (Pequim, Xangai, etc).
nunca comeram tanto 'pastel de nata' feito localmente, fornecidos em caixas com a indicação de 'produto de Portugal'

De Passaroco a 22.08.2012 às 01:56


Gostei muito da elegância e do tom assertivo do artigo-resposta, sem dúvida ao nível distinto do seu autor. Obviamente esta matiz cordial e benigna, branda, intelectualmente honesta, cuja correcção elevada o tal espingardador nem mereceria, não poderia ser apreciado por quem se entrincheira, por quem se partidariza facilmente, por quem vê tudo a preto e branco. Por quem, no fundo, bem vistas as coisas, não parece viver na liberdade das ideias claras.

De Joao Sancho a 22.08.2012 às 18:06

Secundo completamente este leitor.

De Passaroco a 22.08.2012 às 19:28

Queria dizer : "(...) Obviamente este matiz cordial e benigno, brando, intelectualmente honesto, cuja correcção elevada o tal espingardador nem mereceria, não poderia ser apreciado por quem se entrincheira, por quem se partidariza facilmente, por quem vê tudo a preto e branco.(...)".
Muito obrigado pela generosidade, em especial ao J.Gonçalves pelo excelente blog.

De José Pedro a 23.08.2012 às 04:19

Em pleno Agosto e com mil e tantos quilómetros de praias admira-me o porquê de se comprar um jornal (público) com tão baixa (ou fraca) carga mineral sem ser para atear a brasa e realizar uma bela grelhadela!

De Ricardo Monteiro a 23.08.2012 às 17:12

Tanto um como o outro são fraquinhos e adeptos do "photoshop da História".

De amendes a 24.08.2012 às 14:11

Juro pelas alminhas... por estes dois que a terra há-de comer, que imediatamente de torno devoto comunista, quando um cabrão desses me explicar as diferenças entre:

PIDE- KGB- STASI
CASTRO (s)/ LENINE / STALINE/MAO e SALAZAR
TARRAFAL - SIBÉRIA
GUERRA COLONIAL - INVASAO DA POLONIA E CHECOLOSVASQUIA

Força camaradas.... com ou sem virgulas virgulem! Vigaristas!

De Nuno Castelo-Branco a 24.08.2012 às 16:04

Pois, mas por aqui a idiotia tem um nome. No seu caso, nem isso tem, A.A. (anti-aéreo?)

De amendes a 24.08.2012 às 17:56

Fale claro e mije á parede... tenho a impressão que V, Ecia é um dos tais pseudo-intelectuais de merda... Não percebi patavina do cabrão do seu comentário.

Explique-se car... o que é essa merda de AA?

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