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portugal dos pequeninos

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É isto

João Gonçalves 28 Jun 12

Estava a ver a chegada dos rapazolas da selecção e deparo com o artigo semanal de M. M. Carrilho no DN. É isto, de facto. «O desporto condiciona hoje o imaginário de todos os povos do planeta, impondo-lhes um conjunto cada vez mais uniforme de representações a partir das quais eles concebem quase toda a sua existência. Como oportunamente o explicou Robert Redeker, é no desporto que se concentram em mais alto grau os factores de uma tal uniformização: o consumo desenfreado, o fetichismo das marcas, a pressão publicitária, o culto dos ídolos, a submissão aos media, a sloganização da linguagem, a histerização das multidões e o fanatismo da performance. Convergência que torna o desporto, e particularmente o futebol, no catalisador de uma humanidade cada vez mais unidimensional. (...) A grande transformação em matéria desportiva [deu-se] em meados do século XX, com dois acontecimentos: por um lado com o aparecimento da televisão, por outro lado com a emergência dos tempos livres. Foi esta convergência, do desporto com a televisão e com o lazer que definiu o fenómeno desportivo como hoje o conhecemos. Convergência que produziu um fenómeno de identificação cada vez maior entre as massas e o desporto, que toma a sua forma mais comum e mais intensa no futebol. Pode-se pensar, e com bons argumentos, que a identificação de qualquer selecção desportiva e dos seus resultados com qualquer tipo de desígnio nacional não passa, na verdade, de um ritual mais ou menos oportunista. Pessoalmente, nunca identifiquei nenhuma dessas selecções com a minha pátria, talvez porque tenha uma ideia demasiado exigente e valiosa do meu país, na variedade dos seus cientistas, desportistas, médicos, escritores, pintores, engenheiros, gente comum, etc., para o fazer.»

2 comentários

De Sc a 29.06.2012 às 04:24

Acabei de ler pela última vez o Carrilho. Impossível ler em "acordês".

De DSC a 30.06.2012 às 14:01

Por mais consideração e estima que se tenha dos nossos escritores, poetas, cientistas, etc, não há espaço para considerar como pátria desportistas que representam Portugal nas mais altas competiçoes, seja o Euro, O mundial de atletismo, Tour de France, etc?
O desporto é assim que a modos que o parente pobre de todas as áreas mencionadas?

Nunca pensei ver por aqui tanta arrogância. É pena, mas também só custa a primeira vez.

Cumprimentos,
DSC

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