Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Por uma questão de vergonha e decência

João Gonçalves 10 Fev 12

«Como de costume, os militares começaram agora com exigências de puro carácter corporativo: promoções (sempre essa velha questão), saúde, equiparação de facto ao funcionalismo civil e outras queixas do mesmo teor. Mas nós sabemos que das reivindicações profissionais, na aparência inócuas, se passa depressa para a política. Foi assim no "25 de Abril", para não falar do longo cadastro do século XIX e do século XX. Fatalmente, a carta "aberta" que a Associação de Oficiais escreveu esta semana ao ministro da Defesa, além de se imiscuir em assuntos claramente fora do seu papel e competência (como o escândalo do BPN) e de sugerir a demissão de Aguiar-Branco, seu chefe formal, reclama para si o estatuto de "insubmissa" e de participante activa na vida pública do país, e não hesita em denunciar os "criminosos desmandos" do poder. Ora isto é intolerável. A Força Armada, se não for, como sempre em toda a parte o Estado a obrigou a ser, "uma força essencialmente obediente", acaba por se transformar numa série de bandos partidários, incompatíveis com a legitimidade e com a ordem democrática que dela deriva. Quando um "comunicado da Associação de Praças" declara que "já lá vai o tempo em que os responsáveis governamentais mandavam os militares ficar nos quartéis" ou a Associação de Sargentos se resolve dirigir directamente ao primeiro-ministro, porque acha inútil o diálogo com o ministro da Defesa, chegou a altura de pôr um fim expedito a veleidades, que, pouco a pouco, enfraquecem os fundamentos do regime. Não porque haja o menor risco de uma ditadura militar. Mas por uma questão de vergonha e decência.»

 

Vasco Pulido Valente, Público

5 comentários

De cumprir-seportugal a 10.02.2012 às 18:38

Angelo Ochoa ‎...um capitão de exécito ao tempo de marcelo caetano auferia tanto quanto meu pai que deus há ao tempo técnico verificador de 2ª classe para fiscalizar o das finanças chamado 'imposto de selo' mais me confidenciou pai meu que o passado então vinte cinco de abril a coisa dos capitães suviu upa upa e ele que se reformou e não se deixou chantagear para fazer escritas de empresas que lhe ofereciam chorudas cifras para 'contornar a lei ele dixit eu ficou-se com a tuta e meia / expressão de sebastião da gama. hoje sei que se encarreirasse para militar ou para direito auferiria bem mais do que os dduzentos mil mes que e vao inteirinhos para obras pagas a calcetadores pedreiros carpintareiros pintores e canalizadores. é obtra!!! vai sem correcção ortográfica este mue comment, joão.

De Isabel Metello a 10.02.2012 às 21:47

Passando a citar dois dos seus lemas:

“Somos poucos mas vale a pena construir cidades e morrer de pé” Ruy Cinatti

«Também D. Pedro V, no fundo, não se importava muito com os homens da sua época; exceptuando muito poucos, sabia serem uns cretinos da pior espécie.»

...só tenho a perguntar :) Decência e vergonha na cara, num país tendencialmente constituído por invertebrados corporativistas reticulares (em todas as áreas, incluindo as que prestam juramento perante a Bandeira Nacional e juram defender Direitos Inalienáveis, tantas vezes, só de forma sofista???!!!), que saneiam, arbitrariamente e à la carte, Gente de Carácter que cumpre as suas funções e/ou missões, de forma recta, em nome de Valores Intemporais como a Justiça, a Verdade, a Igualdade, a Liberdade, só porque misturam ódios pessoais com avaliações objectivas e justas???!!! Pleaaaase, temos todos de rever a Utopia de Thomas Morus ou então aprimorar a Visão ou mesmo rinoceronticamente lutar contra a barbárie que é esta espécie de nação no limbo, onde a hipocrisia, a maldade, a bestialidade e a falta de carácter são mato (expressão moçambicana que significa abundam...:) e proliferam de forma pandémica...Aí está, parafraseando Antero de Quental, "As Causas da Decadência" desta nação à deriva e desvitalizada. O que urge? Uma revolução sociocultural, uma limpeza estrutural e não maquilhagens só para Inglês ver...

De Joaquim Amado Lopes a 11.02.2012 às 01:12

Se esta situação fosse tratada como é suposto, resolvia-se rapidamente o problema de excesso de oficiais e sargentos nas Forças Armadas.

E não concordo com o Vasco Pulido Valente. Quando "associações de militares" acham ser seu direito enquanto tal envolverem-se em questões de política nacional e tomarem posições públicas sobre decisões políticas do Governo, o risco é precisamente de uma ditadura militar.

Se há requisito para se ser militar é precisamente a obediência aos órgãos de soberania.

De Marão a 11.02.2012 às 11:33

Entre os que apoiem uma ditadura e os amigos da democracia parece que afinal há militares de sobra. Estão todos dispensados, que legitimidade para brandir armas temos nós, mesmo equipados de sacholas e aguilhadas . Mas antes, temos á disposição uma arma letal, sem cheiro a pólvora, para pôr o pessoal político em sentido. Boicote geral a eleições por simples e esmagadora ausência nas urnas e enquanto não parissem uma lei eleitoral que ponha fim ao indecoroso exclusivo partidário na acção e representação política dos cidadãos. Veríamos então como descalçavam a bota.

De Bmonteiro a 12.02.2012 às 18:57

Uma grande confusão...habitual entre os indígenas e chefes da tribo.
Ministros e Secretários a primar pela ignorância (desconhecimento, natural);
Cultura formalista, capaz de impedir Ministro e CEMGFA de almoçar e trocar impressões em clima de confiança;
Cultura corporativa, nas FA como na Justiça & Outras;
Irrealismo, consciência social reduzida, imaturidade ou irresponsabilidade dos altos responsáveis.
Manifestações de militares na rua: algum PM ou MDN, "exigiu" dos generais CEM que tratassem de fazer por acabar com elas?
Doenças do regime: a exploração dos acontecimentos pelos OCS;
A importância exagerada dada a algumas palavras do MD (pouco felizes);
1990: acabado o Pacto de Varsóvia, quase nada de significativo parece ter sucedido nas FA em Portugal.
Não admira, com partidos e governos dominados pela cultura política das Juventudes Partidárias;
Como pela preguiça, absentismo, desinteresse dos 230 magníficos da AR.
Somas assim.


Comentar post

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Últimos comentários

  • Gabriel Pedro

    Meu Caro,Bons olhos o leiam.O ensaio de Henrique R...

  • Maria Petronilho

    Encontrei um oásis neste dia, que ficará marcado p...

  • André

    Gosto muito da sua posição. Também gosto de ami...

  • Maria

    Não. O Prof. Marcelo tem percorrido este tempo co...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, no meio da abundante desregulação ...

Os livros

Sobre o autor

foto do autor