
Alguns prosélitos e prosélitas costumam "acusar-me" de "salazarista". Vou tentar não os desiludir. A
SIC escolheu um imberbe para dar corpo e voz ao antigo presidente do conselho numa daquelas múltiplas
estúpidas "mini-séries" com que as televisões, de vez em quando, entendem "rever" a história do país. Desta vez tratou-se da "vida privada" de Salazar. A "tese" é primitiva. No fundo, e apesar de "ascético" e "casto", o homem apreciava o chamado belo sexo e teria tido umas quantas "amantes" e candidatas a "amantes" que muito suspiraram por aceder à altivez distante da criatura. Quem pretender estudar seriamente o Estado Novo e o seu principal mentor não precisa da vida "íntima" de Salazar para nada. Sobretudo porque Salazar fez sempre questão de dela nunca transpirar mais do que ele pretendia que transpirasse. E era, de facto, muito pouco. A jornalista francesa, a condessa não sei das quantas ou filha do dono da quinta são pormenores perfeitamente desprezíveis na consideração da dimensão política do homem. Aliás, qualquer
parvenu deste regime dava, nessa matéria, para construir verdadeiras telenovelas mexicanas apesar de me repugnar a manipulação da vida privada para fins políticos. Salazar consolava-se aparentemente com a "prata da casa" e não precisava de ir à sucapa ao estrangeiro, por exemplo, para se aliviar das suas putativas "fantasias". Pelo menos nisso, era um homem comum. Ora uma das características da democracia é justamente a vulgaridade, uma vulgaridade "ampliada" diariamente pelas televisões e pelas revistas
trash. Por isso, não tragam - até porque não vale a pena - a memória de Salazar para esse peditório. Teria muitos defeitos, mas vulgar, como esta gente, nunca foi.
e veja porque Salazar faz falta