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portugal dos pequeninos

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A RAINHA GERAL DA REPÚBLICA

João Gonçalves 3 Ago 10


Num país que não fosse latino-americanizado e em que a palavra democracia não denotasse um travesti da dita em versão traveca do Fogueteiro, um PGR que concedesse uma entrevista destas, das duas uma. Terminava a entrevista a dizer que se ia embora (o mais sensato) ou as duas entidades responsáveis pela sua nomeação reuniam-se para o remover (o mais higiénico). Como não ocorre nenhuma das duas hipóteses, a única conclusão verosímil é que o regime vê vantagens em manter o senhor conselheiro Pinto Monteiro por razões que só a malinha de mão da rainha de Inglaterra deve conhecer. Que nos diz ele que não soubéssemos já? Que manda, há mais de quatro anos, numa estrutura que não domina (a tal das marquesas, dos duques e das duquesas a que aludiu quando tomou posse). Pelo contrário, ele é uma "vítima" dominada pela estrutura. Umas vezes a estrutura é hierarquizada, outra vezes não é - conforme dá mais jeito - e Pinto Monteiro, em vez de se queixar de si, queixa-se do poder político que não coloca em ordem uma estrutura que, segundo o conselheiro assume, é quem acaba por a manipular. É neste contexto que se deve entender a prorrogação do mandato do vice-PGR, amigo pessoal do PGR, cujo limite de idade legal para permanecer no cargo foi prontamente ajustado ad hominem pelo dito poder político. Ou a agenda permanentemente fracassada do DCIAP. Em suma, Pinto Monteiro é uma ficção a sério num país que não pode ser levado a sério.

Adenda: «A Procuradoria entrou em decomposição e que o procurador-geral, Pinto Monteiro, é neste momento uma figura a mais na nossa justiça, incapaz de pôr ordem na casa. Tal como a procuradora, Cândida Almeida, que absurdamente deixou que o inquérito terminasse havendo diligências a fazer. Para nós, somos tentados a pensar que o Freeport nunca existiu, como se dizê-lo fosse agora uma fatalidade que exibe a nossa culpa. A reunião com a Câmara de Alcochete que primeiro não existia mas que afinal depois existiu, não se sabe a pedido ou em benefício de quem, o primo, o tio, os e-mails, o dinheiro que veio mas que ninguém apurou para onde nem porquê, os off-shores que não respondem, as perguntas por responder, os documentos que se perderam, não aconteceu nada e podemos esquecer tudo aquilo que nos pareceu ser esturro. E isto que escrevo não é sobre Sócrates, vítima, admito, de muita coisa mas vítima também de si próprio, mas sobre o sentimento de injustiça que transformou a nossa vida pública num meio irrespirável e vergonhoso. Estamos quase no domínio do ministério da verdade de Orwell, que reconstruía a memória e exclamava "a ignorância era força". Mas a ignorância não é força.» (Pedro Lomba, Público).

Adenda2: No mesmo Público, o avô cantigas Vital Moreira escreve uma prosa deletéria pró - "Deus Nosso Senhor". E sentencia: «p
orventura desde Afonso Costa, nenhum governante foi tão sistematicamente vilipendiado como ele.» Que belo exemplo e que magnífica comparação. Assim fica tudo mais claro.

27 comentários

De Zé Luís a 03.08.2010 às 12:53

Bom retrato e, infelizmente, a imagem do regime. Pobre e rançoso.

De Anónimo a 03.08.2010 às 13:36

Qualquer destes vultos citados no Post e nas adendas poderia ser alvo de um artigo começando exactamente como Salazar escreveu quando, em jornais católicos, desancava a 1ª república: "Fosse o Dr. Afonso Costa uma pessoa inteligente..."
Assim poder-se-ia ter:
"Fosse o Dr. Vital Moreira uma pessoa inteligente..." ou,
"Fosse o Primeiro Ministro uma pessoa séria..." ou,
"Fosse o Dr. Pinto Monteiro uma pessoa competente..."

Ass.: Besta Imunda

De Aires Vilela a 03.08.2010 às 14:11

Um dia se fará a lista das nulidades que, aos mais diversos níveis, seguraram no poder um governo manifestamente prejudicial ao País, chefiado por um pacóvio sem vergonha.
Entre outras figuras e figurinhas, lá estarão o sr. Pinto Monteiro e a D. Cândida, novos maquiavéis à moda do Minho (como o outro, que ainda mexe...), mas também uns figurões social-fascistas pretensamente reciclados como o miserando Avô Cantigas, ora amesendado em tacho europeu.
Quem viver verá, porque Deus não dorme...

De Lamas a 03.08.2010 às 14:12

Isto é a prova que o problema está no PGR e não no Ministério Público em geral como muitos dos “tudólogos” querem fazer crer.
Os Ricardo Costa do burgo atiram-se aos procuradores como gato a bofe, esquecendo-se que todos os dias, centenas de procuradores por este país fora vão cumprindo a sua função em milhares de processos.
O problema é quando chega aos detentores do poder.
Aí emperra tudo, sendo o grande emperrador o PGR e seus vices.
Depois é fácil mandar a culpa para cima dos desgraçados dos procuradores.

De Anónimo a 03.08.2010 às 14:37

Mas alguém sabe se o PGR Pinto Monteiro é ou não primo do Sócrates?

De Fado Alexandrino a 03.08.2010 às 14:39

Aguardemos mais uma machadada com a sentença do caso Casa Pia.
Coitado do Bibi vai levar por conta de todos.

De Anónimo a 03.08.2010 às 14:57

Quando é para ridicularizar o Poder, lá vem a Rainha de Inglaterra ...
O Poder da Rainha, como o de todos os Reis e Rainhas da muito antiga Europa Civilizada é, acima de tudo, um Poder Simbólico. É uma função extraordinariamente importante para os Povos que não enjeitam a sua longa História e não é por acaso que permanece na mais antiga democracia contemporânea.
Quanto ao PGR, coitado, o que pode ele fazer no meio de um sistema político completamente desacreditado ? Mas porventura há ainda quem pense que esta coisa tem conserto ?

De Ritinha a 03.08.2010 às 15:10

O Rei Momo acha-se Rainha de Inglaterra?
Será por isso que já não lhe achamos graça nenhuma?
No princípio, quando ele disse que era escutado, ainda nos rimos, como nos rimos das pessoas inconsequentes, e entretanto ele foi almoxar. À tarde já não tinha graça.

De floribundus a 03.08.2010 às 15:41

mais um velhinho incontinente
que necessita frequentar o 'fraldário'

se é um dos comissário politico do pm
tem obrigação de o dizer

De Manuel Brás a 03.08.2010 às 15:53

Nova figura deste regime...

Em estado de decomposição
e sem ponta por onde agarrar,
assim fica a justificação
de que há muito para enterrar.

São tantos casos fracassados
por intervenções lamacentas,
nestes anos tão repassados
de políticas pardacentas.

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