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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

«Sem o império (sob o nome de "federação" ou qualquer outro) não existe Rússia; existirá provavelmente uma infindável e mortal desordem. E, se o Ocidente começa a roer as margens do império, não há maneira de a longo prazo o centro perdurar. Putin e Medvedev sabem isto por experiência e por tradição. Não é razoável pensar que assistam tranquilamente ao desastre ou que se iludam, como Gorbatchov, sobre a bondade intrínseca do mundo.O abjecto fim do comunismo inspirou o Ocidente a exportar, ou a impor à fraqueza da Rússia as regras de uma civilização que não é a dela e que, de resto, a sua natureza não lhe permite aplicar. O Ocidente principalmente não percebeu que, para a Rússia, uma verdadeira democracia e uma verdadeira economia de mercado eram um puro suicídio. Agora, as circunstâncias mudaram. Putin restabeleceu a autocracia e o petróleo e o gás reforçaram a "federação". As tropas que entraram na Abkhásia e na Ossétia do Sul são um sinal. O sinal de que o império não continuará a consentir no que toma (e, com perspectiva da Geórgia na NATO, acreditem que toma) por uma ameaça às suas fronteiras. A América e a "Europa" não o devem ignorar. O mérito moral do episódio não interessa aqui. O que interessa aqui é a interpretação que Putin e Medvedev dão à estratégia do Ocidente.»

Vasco Pulido Valente, Público

9 comentários

De Planetas - Bruno a 29.08.2008 às 12:00

Um adjectivo, Gostei!!

De Cáustico a 29.08.2008 às 14:32

A Europa e a América têm de perceber, de uma vez por todas, que não podem querer impor à Rússia, e quem diz à Rússia diz a qualquer outro país, aquilo que não querem para elas. Depois não se queixem.

De Rui Fonseca a 29.08.2008 às 14:35

"O Ocidente ... não percebeu que, para a Rússia, uma verdadeira democracia e uma verdadeira economia de mercado eram um puro suicídio"

Este é mais um dos artigos que Valente Vasco escreve para garantir o recibo. Amanhã, à falta de melhor tema, com os mesmos pressupostos escreverá o contrário.

Porque não há nas suas linhas uma alusão, vaga sequer, da seu compromisso intelectual com um caminho.

A democracia e a economia de mercado não servem à Rússia. Pois muito bem. E o que pensa VV do que possa ocorrer nas relações entre a Rússia, que não pode embarcar nos valores das democracias burguesas, e a Europa e os EUA, que teimam em defender esses valores? Aceitar que se reerga um outro muro de Berlim?

Valente Vasco, a finalizar, remata para confundir, colocando a questão ao contrário : "O mérito moral do episódio não interessa aqui. O que interessa aqui é a interpretação que Putin e Medvedev dão à estratégia do Ocidente.»

Tem a estratégia do Ocidente que subordinar-se à interpretação que os russos dão dela, e portanto recuar, voltando à guerra fria, ou retomar o caminho interrompido da promoção das liberdades individuais em todo o mundo?

Aos costumes, Valente Vasco, disse nada.

De Anónimo a 29.08.2008 às 16:06

Uma análise realista. As coisas são o que são e é isso que conta.

De Anónimo a 29.08.2008 às 17:46

A história de colocar mísseis na República Checa e na Polónia para "nos" proteger dos ataques do Irão só poderia ter ocorrido a Bush e seus sequazes.

Como acreditaram que os Russos alguma vez se convencessem dessa argumentação? Não lembra ao diabo.

A Rússia continuará a manter uma órbita defensiva e é bom que o Ocidente não se intrometa nessa esfera, porque daí adviriam certamente maiores males.

Recomenda-se prudência e inteligência. VPV, cujas opiniões são de facto bastante oscilantes, neste caso está certo.

Aguardemos os desenvolvimentos da situação.

De Ritinha a 29.08.2008 às 18:58

De que raça serão os russos para que
"a sua natureza" não lhe permita aplicar as regras da civilização?
É que já li esta "moral da história" aplicada ao livro de aventuras "A Ilha do Dr. Moreau" (ou semelhante) em que um "cientista louco" dava inteligência e civilização humanas aos animais da sua ilha...
Concordo que o Vasco tenha escrito isto "para garantir o recibo" e nem sequer leu o que escreveu.

De Anónimo a 29.08.2008 às 20:28

Ó dr. Pulido, o senhor sabe qual é o problema da Rússia. É o mesmo que os crioulos têm em África, nem brancos nem pretos. E como a lampreia. Será carne, é peixe? A forma diz que sim, que é peixe, ao que sabe e o sangue, dizem que não. Que é carne. Pequim, Berlim... O que a Rússia quer, a de Putin, pelo menos, é conseguir aquilo que nunca teve. Uma identidade definida. E se para a conseguir for necessário adquirir "melanina" ou "sangue" no quintal dos vizinhos, vai fazê-lo. E nós somos o quintal. Nos extremos, puros, está a China e os EUA. Estamos fodidos.

De Anónimo a 29.08.2008 às 23:17

Andaram a espicaçar e a provocar o urso durante vários anos com escudos antimisseis, Kosovos,iraque,Nato- que já devia ter sido desactivada - depois perguntam porquê. Se Obama não ganhar as eleições, as trevas vão-se adensar com este mundo nas mãos do louco do Bush e da sua companhia de circo.

De Anónimo a 30.08.2008 às 02:52

Uma análise inteligente onde reitera teses que me parecem correctas.

dutilleul

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