
Depois de tanto derrame sobre listas de deputados, o realismo manda que se diga que as mesmas não interessam para nada. O Parlamento é, de longe, o órgão eleito mais desprestigiado do regime. São os próprios deputados - pelas suas renúncias, pelas suas faltas, pelo seu desprezo pela função, pela manifesta ignorância - os primeiros a não dar o exemplo. Salvo raras excepções, um deputado português é alguém escolhido pelo respectivo líder partidário para se sentar ou levantar quando o líder o mandar sentar ou levantar. Muitos passam pela legislatura sem abrir a boca, sem uma intervenção escrita, sem um propósito declarado, sem, em suma, cabeça. São colocados neste ou naquele círculo eleitoral, não porque tenham algo a ver com o mesmo, mas porque o líder e o partido assim o entendem. Agora que toda a gente está de olho nas listas da dra. Manuela, convinha perguntar às Federações do PS se estão contentes com as listas que o admirável líder impôs. Reina, aliás, sobre as listas do PS um comprometedor silêncio enquanto que, ainda Manuela não revelou as suas, já anda a ser amplamente zurzida pelos papagaios do costume. A 27 de Setembro ninguém vai querer saber de cabeças, de corpos ou de rabos de listas para nada. O Parlamento transformou-se num monumento que o regime ergueu à insignificância. A 27 de Setembro, aqueles que se arrastarem até às cabines de voto, só devem pensar no seguinte. Estamos melhor do que estávamos da última vez que votámos para eleger as senhoras e os senhores deputados da nação? E alguém, dos que os mandam sentar e levantar, merece alguma maioria absoluta? Ou, no limite, um voto?
Uns: Que culpa tenho eu que uma série de burros tenham votado no sokas em 2005? Não se via logo que aquilo era um vigarista de 1ª? Será que vale a pena arrastar-me até aqui para correr com estes palhaços?
Outros: Em 2005 votei no sokas. Votei? Acho que sim, não me "lembra" bem.. Porquê, pá? Será que devo votar nele outra vez? Ou não? Ou sim? Ou talvez?
Receio que "isto" continue entregue à bicharada...
PC