O Professor Louçã, personagem que, passados tantos anos, continua a ser, no mínimo, inusitada, vê-se em maus lençóis. Julgando que a liderança de um partido e um assento na Assembleia da República lhe permitem fazer acusações graves sobre todos aqueles que pretende usar como marionetas do seu jogo propagandístico, acabou com as contas furadas. Paulo Teixeira Pinto
apresentou uma queixa-crime a propósito da acusação que Louçã lhe fez de
«conduzir um dos maiores escândalos da criminalidade económica em Portugal», feita num discurso em que se divertiu a atacar os monárquicos que fizeram uns desembarques há uns meses.
Este é apenas um caso. Haveria muitos outros que levariam, num país decente, ao levantamento de mais processos. Os discursos de Louçã, em matéria de ódio e apelo ao ódio, não são muito diferentes dos discursos da segregação racial ou da discriminação de homossexuais, habituais do outro lado do espectro. Louçã merece que este processo vá em frente. Merece que a AR levante a sua imunidade. A acção política não pode ser encarada como uma brincadeira em que cada um compete pela maior quantidade de lama atirada e não pode ser feita à conta de ataques gratuitos e infundados. É um belo começo de ano, este.