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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

“Eu show Medina”

João Gonçalves 11 Out 22

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Percorro a jornalada - só no Público são 18 páginas- e vá de orçamento para trás e para diante. Um marciano julgaria que Fernando Medina é o novo Aladino, e não um antigo autarca da capital derrotado há apenas um ano. Articulistas de “direita”, Deus me perdoe, tremelicam de encómios ao “acordo” que Costa conseguiu arrancar dos pastelões da concertação social, agora exibidos pela propaganda socialista como os novos heróis do altar da pátria. A coisa não é para mil anos, mas é às postinhas de pescada para quatro. “Eu show Medina”, e uma mão lava a outra e os jornais e as tvs lavam tudo mais brilhante. O sr. D. Fradique é que os (nos) topava. Depois de várias peripécias para chegar a Lisboa por via férrea, vindo do Porto, e já à beira do Hotel Bragança a bordo de uma caleche cujo cocheiro lhe pediu "não menos de três mil réis" pelo transporte, Fradique Mendes é reconhecido pelo homem, "à luz do vestíbulo" que lhe batia na face. "Então, são três mil réis?", pergunta. Responde o homem: - Aquilo era por dizer...Eu não tinha conhecido o sr. D. Fradique...Lá para o sr. D. Fradique é o que quiser. Humilhação incomparável! Senti logo não sei que torpe enternecimento que me amolecia o coração. Era a bonacheirice, a relassa fraqueza que nos enlaça a todos nós Portugueses, nos enche de culpada indulgência uns para os outros, e irremediavelmente estraga entre nós toda a disciplina e toda a ordem. Sim, minha cara madrinha... Aquele bandido conhecia o sr. D. Fradique. Tinha um sorriso brejeiro e serviçal. Ambos éramos portugueses.”

A República ponto dois.

João Gonçalves 11 Out 22

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O regime actual nunca esteve tão próximo da corrupção moral e política da I República como agora. O PS, rapace e autoritário, domina o Estado e o país como o PRP fazia. O presidente não é "eleito" pelo Parlamento, e pelo partido dominante, mas está inerme como alguns dos seus ilustres antecessores citados, com a vantagem, meramente pessoal, de ir arejar frequentemente a sua impotência política para o estrangeiro. E o da Assembleia da República é um prepotente democrático que não tenta sequer a isenção política a que o cargo o obriga. Os episódios dos governantes "incompatíveis" passam pela "bimby" da ética republicana como cães por vinha vindimada. Esta "República ponto dois" está pela hora da nossa morte. Não, infelizmente, da dela.

https://www.jn.pt/opiniao/joao-goncalves/a-republica-ponto-dois-15237871.html?fbclid=IwAR0Ei3geMoO7V-5-wBSM-X1hHxAu0kd0Ymf5JIKHckqnu9-ae-2hYJwuU4s

 

Na segunda parte do livro "A democracia no seu momento apocalíptico", de M. M. Carrilho, que vinha a ler aqui desde a semana passada, estes transes das esquerdas autóctones, e do PS, em particular, encontram-se particularmente bem pensados (da perspectiva do autor que ainda é militante socialista de base), subtraindo-os ao circunstancialismo oportunista e tacticista dos protagonistas, e integrando-os numa visão mais alargada do impasse democrático geral, coetâneo do progresso do autoritarismo. Isto é, e como revela a forma de divulgação das sondagens e dos "estudos de opinião", cada vez mais as escolhas são de governantes e não de projectos ou de ideias (erosão ideológica, na expressão de Carrilho). E cada vez mais os governantes sucumbem, ou a sua cibernética político-partidária de apoio, diante do guiché de atendimento ao ilimitado individualismo que vocifera na longa fila de espera alimentada, há anos, pelo extremismo de centro que, entre nós, já foi do Bloco ao praticamente extinto CDS. O conceito porventura mais inovador neste livro de Carrilho é o deste aparente paradoxo, o extremo-centro, que domina a política nacional e europeia, em geral, o mais perigoso e o mais dissimulado de todos os extremos. Para dourar a pílula demo-liberal, certamente, como se a democracia - ou o indivíduo - fosse eterna. Num momento em que tudo interage com tudo (J. M. Júdice na apresentação do livro), estranhamente, ou talvez não, vivemos um tempo de ignorância (Carrilho), e persistimos felizes com isso no nosso "infotretenimento" (idem). É a "era das geringonças", no feliz neologismo de Carrilho a partir de Vasco Pulido Valente, denotada na sondagem aludida. "Era" em que as performances se sobrepõem aos programas, os interesses às ideias, o estilo à substância, o conectivo ao colectivo, o societal ao social, o consumidor ao cidadão, o indivíduo à pessoa, o global ao nacional. E é assim, "ora em júbilo, ora em depressão", que cá vamos. Não sei se cantando e rindo.

https://www.jn.pt/opiniao/joao-goncalves/o-impasse-democratico-e-a-era-das-geringoncas-15218818.html

 

 

 

Balázio

João Gonçalves 2 Out 22

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Com um novo "Balázio" a rodar para o "5 de Outubro" de má memória, aqui fica o da semana passada. Repetindo-me, este é o pior governo dos três que António Costa formou. 

Tal&Qual, 28.9.2022

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