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portugal dos pequeninos

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A diva absoluta

João Gonçalves 16 Set 22

 

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Passa hoje o 45º aniversário da morte de Maria Callas. Sem ela, o canto lírico contemporâneo - já estou a incluir este maldito século XXI - seria algo completamente distinto. A "regra" foi ela. Poderá mesmo dizer-se que a ópera (ou algumas óperas em concreto) naquela asserção do realismo do excesso (na magnífica expressão do Augusto M. Seabra a propósito de outro grande intérprete, também norte-americano como a Callas, Jon Vickers) que a caracteriza enquanto espectáculo total, como que foram "inventadas" para a Callas. É o caso de Bellini e de muito Donizetti. Toda a imensa gravitas, todo o pathos e todo o bathos do belcanto se fundiram, como um cadinho, na sua voz incomparável. Incomparável não exactamente por ser quimicamente pura - não era -, mas porque a aliança da respectiva extensão com uma extraordinária capacidade histriónica, fazia de cada apoteose, de cada recusa e, para o fim, de cada fracasso um momento único e irrepetível. Callas possuía a força das suas fraquezas, a grandeza das suas fragilidades, o sobre-humano da sua condição muito humana. Parecia que tinha uma vida fácil e frívola. Começou gordíssima e acabou estilizada. Posou moda. Entre o cume e o eclipse os anos foram demasiado poucos. Não há herdeiras para fenómenos destes que raramente acontecem. Callas persiste orgulhosamente solitária e fulgurante num universo que parece ter existido propositadamente para ela. E que, sem ela, trivializou-se e só por defeito brilha.

Foto: Callas em "Norma", de Bellini, na Ópera de Chicago.

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