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portugal dos pequeninos

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A SUSPENSÃO LAURENTINA

João Gonçalves 18 Ago 10

O "prof." Queiroz, seleccionador nacional, foi ou vai ser suspenso na sequência da indignação do sr. Laurentino Dias que, por sua vez, suscitou a indignação do sr. Madaíl que, parece, ainda é vivo. Queiroz teve a defendê-lo pesos pesados da bola como Pinto da Costa, Vieira e Figo. Não lhe serviu de nada. Julgo que pode e deve recorrer. A FPF é uma coisa que não se recomenda e que faz lembrar uma fanfarra cambada que já não consegue produzir um som novo há anos e anos. Laurentino, enfim, é Laurentino. E Madaíl tem mais a ver com a qualidade das pilhas. Não sei por que é que Queiroz merece ser pior que estes dois.

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COMO

João Gonçalves 18 Ago 10


É que pude perder uma pérola destas? Na foto reconhecem-se os convidados habituais de Mário Crespo: a família Adriano Moreira, pai e filha, sempre em comunicação com o novo e o velho regime, quatro economistas loucos que teimam em insistir na dívida soberana, a Maria Filomena Mónica em Oxford e as mãos da Marisa, do professor Cavaco e do eng. Sócrates. Não se consegue ouvir, mas a Marisa está em Nova Iorque, num concerto para Obama e dos dois últimos só se alcançam as mãos porque as respectivas cabeças estão ocupadas com o tema "como é que é que vou tramar o Mário Crespo sem fazer queixinhas ao dr. Balsemão e ao Pereira do JN".

NÃO SE QUEIXEM

João Gonçalves 18 Ago 10


As vestais - as dos outros, claro - indignam-se e apontam a dedo (com caras e tudo nos jornais, do "crime", que é aquilo em que quase todos se especializaram) os deputados que mais faltaram na sessão legislativa. Salvo o dr. Portas, são todos do PSD e o dia mais apetecível para a ausência é a sexta-feira. A minha consideração por deputados,em geral, é sensivelmente a mesma que nutro pela beterraba que mando retirar dos pratos nos restaurantes porque, pura e simplesmente, me dá vómitos contemplar aquele nojo roxo a escorrer para cima de tudo. Mas os deputados, todos, não caíram do céu. Caíram das canetas dos chefes circunstanciais da respectiva tribo e de dois ou três caciques eternos. Os votinhos fizeram o resto. Mal ou bem, eles "representam" o país. No caso das faltas, até o representam na perfeição. Não se queixem.

É TUDO GENTE MORTA*

João Gonçalves 18 Ago 10


Um acaso de montagem de estantes para albergar livros – mais livros – obrigou uma série deles a dormirem no chão por cima uns dos outros. Alguns desses livros circularam entre Cascais e Lisboa e Lisboa e Cascais, estabelecendo-se definitivamente em Lisboa uma vez fechada, para sempre, a casa de Cascais. A história de um livro não é apenas a que lá vem dentro – seja o livro sobre que matéria for. É, também, a história de quem os comprou, recebeu, manuseou, cheirou, leu, releu, deu a ler e dos lugares por onde eles passaram. Num certo sentido, só os livros e os cães nos são fiéis e podem “contar” a nossa história. Por isso o seu silêncio é tão perturbador como o das sereias. Ao folheá-los, é a nós que folheamos e aos momentos a que eles ficaram irremediavelmente associados. Um livro, qualquer um por vir, na feliz expressão de Blanchot, é a única coisa que pode condensar o tempo: o que já passou, o que passa e o que há-de passar. E à medida que se envelhece e em que pouco ou nada sobra de gestos ou pessoas, eles, os livros, dobrados, riscados, sujos ou imaculados, são o perpétuo presente de que mais custa despedirmo-nos, um dia, quando tudo finalmente acabar de acabar. Uma das pessoas que mais me ensinou a amar os livros disse-me uma vez, contemplando a sua prodigiosa biblioteca (e tinha filhos, netos, noras e genros) e com amargura - «que vai se deles quando eu morrer?». Muitos dos meus livros que andaram pelo chão são evidentemente de mortos. Peguei nas “Crónicas no Fio do Horizonte”, de Eduardo Prado Coelho. É um livro de 2004 e estive no lançamento que ocorreu no D. Maria do António Lagarto com pessoas que entretanto desaparecerem de tanto desaparecer. Li a dedicatória e umas quantas crónicas que vinham do jornal Público. Seguramente hoje temos à vontade uns vinte ou trinta “cronistas”, diários ou hebdomadários, espalhados pelos jornais. É impossível, com uma ou duas excepções, reter-lhes uma linha. É do imediato que elas todas falam numa redacção única que só é alterada pelas ténues diferenças na velocidade sináptica de cada um. Não escrever hoje num jornal ou não botar faladura numa televisão é praticamente um luxo. O livro de Prado Coelho surpreendeu alguns momentos – que viriam a ser os últimos – dessa voracidade do imediato só que apenas com um talento que os batalhões actuais raramente conseguem atingir. Até por isso os seus herdeiros deviam coligir o que ficou e colocar tudo sob a forma irredutível de um livro. Cada vez mais só sei falar de gente morta e agradeço isso aos livros e a pessoas como o Eduardo e às suas contradições, birras, afectos e desafectos. É, aliás, desse “metal fundente” que os livros são feitos. E é dentro dele que, todas as manhãs e noites do mundo até às derradeiras, apetece morrer.


*copyright.

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