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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

RESPONSABILIDADE SOCIAL

João Gonçalves 26 Jan 10

Lê-se aqui que “o CDS conseguiu marcar a agenda das negociações”, em oposição ao PSD, como se o CDS fosse alguma coisa e como se o que passa nas televisões fosse o que marca. Sucede que o CDS não marca coisa nenhuma a não ser aos olhos da mediania. Presumir ou dar a entender que esse partido tem intervenção e não é só mais do que um vácuo, não passa de uma amabilidade demasiado sistémica e um derrame já habitual em forma de artigo definido. Enfraquece-se permanentemente o PSD, que é o que interessa que se componha, e puxa-se a ferros o que não interessa para nada. É a aclamada responsabilidade social.

INTERLÚDIO MUSICAL

João Gonçalves 26 Jan 10


No Coliseu, às 21, John Eliot Gardiner dirige a Orquestra Sinfónica de Londres. O programa é apenas Beethoven, o Concerto nº 2 para piano e orquestra - o piano fica com Maria João Pires - e a Sinfonia nº 6, dita Pastoral.

FÁTIMA, O SINTOMA

João Gonçalves 25 Jan 10

A D. Fátima promove mais um dos seus infinitos episódios desta vez acerca das "contas do estado". Ainda não entendeu que ela é um tipicamente um sintoma do "estado a que isto chegou". Boa noite e boa sorte.

VAMPIROS

João Gonçalves 25 Jan 10

Agora que dois canais generalistas decidiram, em telenovelas, decantar a original "temática" dos vampiros - tudo por causa de uns livros de capa negra de uma "Rodrigues dos Santos" qualquer lá de fora -, a RTP preferiu "concorrer" com o eterno dr. Soares que nos vai brindar com oito programas sobre o maravilhoso centenário da República. Só vampiros, na realidade.

UM HOMEM CONTRA AS BENEVOLENTES

João Gonçalves 25 Jan 10


O General Ramalho Eanes celebra hoje setenta e cinco anos. Num ano em que as benevolentes falam de eleições presidenciais como se tivessem lugar já amanhã - elas estão sempre com um olho no burro e outro no cigano e a sua "história" dura menos de um dia - apraz-me saudar o bom peso do passado. E é apenas isto, escrito noutra ocasião. À medida que decorre incessantemente o pior - pessoas, circunstâncias, instintos -, mais a imagem desse homem austero e decente se me afigura exemplar. Eanes foi o primeiro presidente eleito por sufrágio universal, directo e secreto. Tinha quarenta anos. Com o poder de que então dispunha - político e militar - podia ter sido tudo e feito tudo. Fez, porém, o essencial preservando a liberdade.

BETONEIROS DA OPINIÃO

João Gonçalves 25 Jan 10

Há relativamente pouco tempo, como uma tendência da moda, assiste-se a um fenómeno curioso. Nos jornais, nos blogs e nas televisões, quem bota faladura emprega insistentemente o artigo definido "o" ou "a" para fazer referência a alguém. O objectivo é claro e um bocadinho piroso. Na verdade, os betoneiros da opinião referem-se uns aos outros publicamente, para que o simples leitor ou espectador perceba que está fora do círculo, com a intimidade de quem todos os dias troca uns telefonemas ou umas mensagens no facebook ou no twitter sobre o dia noticioso e as suas merdinhas laterais. Fechada essa jaula que aparentemente divide a prestigiada gente livre do outro que é suposto estar a assistir ao seu derrame, o artigo definido serve para fazer do referenciado na "opinião", ora um vagabundo, que é raro, ora uma espécie de entidade à prova de bala. O que interessa, em última instância, é perceber-se que quem escreve está à distância simples da sua vontade do mencionado, seja pela "amizade" ou por qualquer vontade de "entendimento" ou "partilha intelectual" quando se tratam nomes externos ao pequeno ambiente doméstico. Coitados, que estúpidos.

A FANCARIA

João Gonçalves 25 Jan 10



Sophia Loren, reaparecida em 2009

Em alguns sítios de Lisboa, mais do que no Porto que mantém um certo nível em certo tipo de círculo, ir à missa é como ir a um vernissage qualquer com a Caras ao dependuro. Está-se, nos tais certos sítios, na igreja em função de um compromisso de vaidade e cusquice. Em certos sítios de Lisboa, entremeia-se a Eucaristia com o cinismo mais reles de todos. Em certos sítios de Lisboa, as senhoras, e algumas até parecem senhoras, cruzam a perna na igreja sem saberem, entre uns casacos de pele e uns cabelos armados sem elegância, porque nunca lhes ensinaram, que as senhoras cruzam a perna em todo o sítio menos na igreja. Estas mesmas senhoras, devem saber de cor os livros de etiqueta que há à venda por aí. Em certos sítios de Lisboa, dá vontade de ir ter com algumas caras e perguntar-lhes se as viagens que fazem, principalmente as que não são de mochila às costas, não servem para nada. Às vezes, em certos sítios de Lisboa, dá vontade de perguntar se, numa ida a Paris, a Londres ou até ao Mónaco, aquelas criaturinhas que tanto apreciam frivolidades, não têm inteligência suficiente para as transportar adequadamente para a nossa cidade e conseguir tornar Lisboa uma terra menos provinciana e que consiga captar gente que liberte a cidade do grotesco corredor social que nela pulula sem graça nem categoria nenhuma. Mais do que em certos sítios de Lisboa e na cidade quase toda, é impossível ser-se complacente. Não há nada mais irritante e meão do que a complacência, para além de gente que se acha e não tem por onde achar-se.

SINAPSES E LÁBIOS

João Gonçalves 25 Jan 10

O problema é que, ao vivo, o Vasco não é «tragicamente concebível» e nem sequer é um upgrade do bardo Mendes Bota. É apenas um bom rapaz impressionado pelo "estilo Nuno Homem de Sá que consegue sorrir sem mexer o lábio superior" do proto-líder que ele apoia.

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INTENDÊNCIAS

João Gonçalves 25 Jan 10

Com indiquei na altura em que abri o blogue a colaborações, os colaboradores tanto podiam vir como ir. Tiago Moreira Ramalho (TMR) esteve e já foi. Em breve outro virá e, espero, sob a forma aforística. TMR abriu este blogue de que é autor exclusivo. Começa com o orçamento. O problema é que se tem falado muito em orçamento como se se tratasse de uma iniciação maçónica. Todos querem saber como é mas poucos se atrevem a experimentar. O OE deve passar? Deve e, de preferência, com pouca conversa porque há muito para fazer. E convém lembrar que é uma lei do parlamento, i. e., da "representação nacional". É de todos e não é de nenhum. Neste sentido, releva mais neste momento do que uma qualquer lei de finanças regionais. Se o PSD não perceber, o Doutor Cavaco que lhe explique.

UM SALAZAR VERMELHO

João Gonçalves 24 Jan 10


O António, que colabora neste blogue, ofereceu-me um busto vermelho como os três da foto (ele tem um azul). O seu autor é Francisco Mota Ferreira. Salazar - é bom afirmá-lo no ano do folclórico centenário - era um republicano. Católico, aceitou, ao contrário de outros católicos monárquicos, ser deputado após as "legislativas" de 1921. De resto, como correspondência recentemente editada evidencia, Salazar até enviou retratos para passes de comboio a que teria direito como deputado - e "que me estão fazendo muita falta" - designadamente porque prometeu "acompanhar um amigo num passeio pelo Minho que me ficará muito caro se nessa altura não tiver o passe". Entretanto ocorreu mais uma peripécia sanguinária típica da 1ª República - a mais famosa que incluiu o assassinato de António Granjo e de outras luminárias do regime - e as "Câmaras" foram dissolvidas. Às legislativas que se seguiram já Salazar não quis concorrer. Mesmo assim, ainda escreveu ao colega Lino Neto que "é quase para mim um ponto de honra (...) ir ao Parlamento". Não foi, contudo. Sabia (continua na carta) que "o mundo não nos foge": "se tiver de ser político, tenho tempo ainda de o ser e talvez mau". Um cínico, este Salazar. Sempre impiedoso com os "nossos pobres monárquicos".

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