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portugal dos pequeninos

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OUTRO DIA

João Gonçalves 31 Dez 08



Este "clip" com uma "valsa" de Strauss, dirigida por Herbert von Karajan e cantada por Kathleen Battle, é a minha forma de homenagear os esforçados leitores deste blogue, outros bloggers (eles e elas sabem quem são) e gente a quem eu jamais teria chegado (e eles a mim) sem estas irritantes prosas. São, de facto, os meus mais fiéis companheiros (muitos ou quase todos eu nem sequer conheço) depois da debandada de tantos e tantos "amigos pessoais" e da frieza dos "próximos", afinal sempre distantes. Dito de outra maneira: «comunicar, como aqui fazemos dia a dia, é um dos mais poderosos exercícios contra a solidão.» O poema do Joaquim Manuel Magalhães exprime a minha mágoa por tudo isso e a irremediável tristeza que vem com a passagem do tempo. A famosa "sabedoria" - que é suposto chegar também - é meramente facultativa. Todavia (e nunca me esqueço disto) não há como um dia depois do outro. Para os que sabem e merecem, amanhã é outro dia.

Tenho uma tristeza
no bolso de dentro
do velho casaco.
Dobrada, quebrado.
Tenho uma tristeza
suja de papel
e de letras gastas.

Eu quero deixá-la
no café sem noite
tiro-a do bolso
pouso-a nos olhos,
em cima da mesa
também é de ti.
Vinha de ninguém.

Charco de jardim
dádiva na mão
triste, por abrir
e depois a dor
aperta-me o punho
por anoitecer.
Venho de uma rua
para o teu lugar.

Olha para mim
para a sala toda
para esta tristeza
atirada ao chão
entre rastos de água
os dedos acolhem
um sorriso vão.

Parou tudo agora
neste ritual
que nada detém.
Bolso de casaco
costas da cadeira
chuva na cidade
vou da tua beira

para um quarto triste
com a mãe que dorme
noutro corredor
o sangue vigia
a pequena lei
a minha tristeza
chamavas-lhe amor.

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UM MAU ANO - 5

João Gonçalves 31 Dez 08

No meio das "bejecas", o que é que isto interessa? Ou, apesar do OE publicado (Lei n.º 64-A/2008,de 31.12), já se estar a preparar o "rectificativo"? Ou, quem sabe, o primeiro dos "rectificativos"?

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UM MAU ANO - 4

João Gonçalves 31 Dez 08

Foi-o para todos os partidos, transformados em caixinhas de ressonância de pequenos e grandes mandarins. O PS não é um verdadeiro partido mas sim um chefe com um friso de amigos, ornamentado por duas ou três almas coloridas e irrelevantes. O PSD, sobretudo depois do episódio açoriano, não conta. O PP é um PS em miniatura, uma aberração unipessoal. Os outros dois divertem-se à conta da não esquerda que tomou conta do PS e parece que ganham alguns votos com isso. Todos alargaram o espaço para o partido da indiferença que crescerá, como um cogumelo, em 2009. Não tenho a menor pena.

UM MAU ANO - 3

João Gonçalves 31 Dez 08

«Porque será que nós - tanto os homens como as mulheres, mas principalmente os homens - estamos preparados para aceitar as rejeições e as recusas do real, cada vez mais recusas à medida que o tempo passa, cada vez mais humilhantes, e contudo voltamos ao mesmo? Resposta: porque não podemos passar sem a coisa real, a coisa mesmo real; porque sem o real morreríamos como que de sede.»

J. M. Coetzee, Diário de um mau ano

UM MAU ANO - 2

João Gonçalves 31 Dez 08

Se existiu coisa ruim no ano que termina - e, por causa das eleições que se avizinham, é de esperar o pior - essa coisa correspondeu à degradação da noção de informação, mais prosaicamente, de comunicação social. Salvo honrosas e pontuais excepções, a qualidade do que "comunica a comunicação social" redundou por não ter tido praticamente qualidade alguma. Informar não é produzir fretes. Informar não é massajar o ego do poder esteja ele onde estiver. Informar não é opinar de acordo com qualquer interesse de circunstância. E, sobretudo, informar não é manipular a ignorância alheia que é muita e pode pouco. Podia desejar melhoras. Podia mas sei que não vale a pena. Até há blogues que, voluntaria ou involuntariamente, são uma espécie de longa manus de outras coisas. Pior do que a má informação é a informação que se auto-mutila ou que se "vende" por precários pratos de lentinhas. Na sua deliberada inconsciência, esquece-se que, mais tarde ou mais cedo, será a primeira vítima da própria pusilanimidade. E entre liberdade e pusilanimidade, nunca se deve hesitar.

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